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segunda-feira, 13 de julho de 2009

SOBRE HOMENS, MENINOS E LEÕES


Muitas coisas me fariam voltar a escrever e publicar aqui. Poucas, contudo, seriam capazes de transformar bons motivos em posts.

Nesse exato instante da vida, quando me vejo dedicado a projetos pessoais que afastam a possibilidade de voltar a escrever regularmente, duas únicas coisas seriam capazes de me fazer baixar a guarda e publicar novos textos.

Uma seria uma espécie de celebração pública pelo fim de uma história de amor que por mais de oito anos me honrou e mobilizou por inteiro. Tenho orgulho do que vivi com você, Passarinho. Faria tudo errado de novo. Repito, alto e bom som: sigo te amando e absolutamente convencido de que foi feita a coisa certa -para o bem de nossas almas, sedentas por um sopro vigoroso de libertação e renovação.

A outra é a que de fato me trouxe aqui: a brilhante geração de atletas rubro-negros, quase todos eles nascidos e criados no Esporte Clube Vitória.

Eles começaram ontem a dizer claramente aos que quiserem e aos que arrogantemente não quiserem acreditar que assinarão seus nomes na mais bela página escrita por esse clube.

Como um raro alinhamento planetário, o Vitória que devastou o Santos ontem no Barradão por estridentes 6x2 é uma feliz conjunção de competências e oportunidades.

Meninos talentosos que Paulo Cesar Carpegiane está ensinando como serem campeões. Rápidos e habilidosos, formam um elenco cada vez mais difícil de ser batido.

Defendem-se como gigantes, atacam com a velocidade e a precisão de um bando de leões. Leões insaciáveis, de sangue vermelho e preto. É um inferno jogar contra esses moços. Pergunte pro Mancini.

Serão campeões brasileiros da Série A de 2009?

Digo que sim, serão sim. Para tanto, contudo, será necessário contar com a decisão da diretoria do Vitória em co-assinar esse título e entrar para a história do clube e do futebol baiano. É aí que o bicho pode pegar.

Essa meninada põe a cara na tela às véperas da temporada europeia de contratações. Ao assumir a liderança do Campeonato Brasileiro domingo que vem, num Barradão vestido de gala, contra o Galo de Minas, as propostas, as tentadoras propostas, chegarão à mesa dos dirigentes rubro-negros.

Roger -a quem me rendi ontem, depois de tanto o enxovalhar- Uellinton, Leandro Domingues, Wallace, Apodi. Esses meninos já valem muita, muita grana e o Vitória precisa de caixa, como todo time exportador de commoditie pebolística.

Que fazer?

Sonho com uma decisão inesquecível desses homens: a de não negociar ninguém até o título, em dezembro.

Sonho mesmo que esses homens enxergarão para além das negociatas, dos lucros imediatos e transformarão esse elenco num bom exemplo de como valorizar jogadores.

Nado contra a maré desde menino. Por hábito e demente teimosia, costumo fazer apostas com baixa probalidade de êxito. Baixíssima, nesse caso.

Mas creia, meu amigo: nós podemos. Podemos sim esperar lucidez e sentido estratégico desses dirigentes, por mais que isso possa parecer ingenuidade ou vocação para o sonho.

Ontem, naquele Barradão repleto de luz e êxtase, eu tive um déjà-vu. Vi meu Vitória levantar uma linda taça em dezembro. E pôr fim a tantos anos de espera, que no meu caso, povoa a alma desde aquela tarde de 1972, quando vi pela primeira vez na vida, com os mesmos olhos de êxtase de ontem, o Vitória ser campeão.

Na foto, honrados pela história, os dirigentes que tiveram a coragem de entender que grandes feitos são construídos, essencialmente, com coragem e perseverança. Homens verdadeiramente grandes não perdem, jamais, a chance de agir assim.

Amém.


4 comentários:

Marcus Gusmão disse...

Por mim, vende tudo. Logo.

Gabriel Galo disse...

Rapaz...

Ver aquele time ontem me lembrou a saudosa seleção de Ilhabela no intermunicipal do litoral norte de SP de várzea, disputado no longíquo ano de 2001, time cujo ataque era formado pelos excelentes Zé do Peixe (pescador) e Altemiro Tesourão (açougueiro) que comandavam com afinco aquele aplicado time. A final é muito clara: contra um Juquehy bem armado, com o goleiro Mão, que pegava tudo, mas não é o mesmo do futebol de areia, e o Tonhão Chave-Inglesa, que ganhou esse apelido depois da semifinal contra o Cubatão (time convidado que chegou até as semifinais, mas dizem ter havido problemas de dopping por lá) quando quebrou a perna de Alfredo Bigode, numa tesoura de fazer inveja a Ken e Ryu.

Magal, mesmo sentido a falta do companheiro Sidney jogou o fino, o grosso e o encorpado; o Roger continua com uma sorte que não cabe naquela cabeça monstruosa que ele tem; Apodi poderia ter provocado 3 expulsões por parte do Santos, mas foi bom ter manitdo o Domingos e o Pará em campo, eles nos ajudaram muito. Ah, como eu vibrei! Daqui da concrete jungle eu me diverti demais, xinguei o lazarento do Apodi 500 vezes por perder tanto gol e o L.Domingues por ser tão feio; arrepiei com a torcida gritando o tempo todo; quase chorei com o Jackson voltando e dando sangue como garoto (mas, ó céus, ele não tem espaço nesse time); e gargalhei com os três patetas do Santos, (Douglas, Fabão e Domingos), eles que fariam inveja a Tiririca nos seus áureos tempos.

E digo mais: esse ano vai mais longe, por um simples motivo: ESTRELA. Quando o Vitória faria o gol contra o Grêmio no final? E contra o Botafogo? Ainda mais no mesmo campeonato? A sorte virou!

Domingo tem mais, contra o homônimo (nosso) mineiro, que não põe medo em ninguém, apenas em Neto Baiano e seus pênaltis bizarros.

E eu nem vou falar de outra equipe que me faz tossir saudosista, que encantou a todos no campinho de Mutá, em 1993, os "Mancos da Mula", que tinham como mascote a querida mula Aiatolá, e vez ou outra, se machucavam barrancando e mancavam felizes pela cidade... Como esquecer de Dalvo de Dalva? Craque de bola. Creio que até jogou no Leônico, teve uma passagem pelas divisões de base do jahia, mas foi dispensado após descobrirem ser, na verdade, um angolano que estava ilegal no Brasil. Assustava a todos com seu mortal chute de esquerda e letal bafo de cachaça, de fazer inveja a Nádson.

Nilson disse...

Caro Galinho, a despeito de vc voltar falando dessa quimera rubro-negra, é com grande satisfação que lhe dou as boas vindas de volta. Assim até vale a pena aturar o Vitória ganhando - e de goleada!!!

Anônimo disse...

Paulo,
venho por meio desta apenas solicitar autorização para republicar este profético libelo no brioso victoria quae sera tamen. Pode ser???

Franciel Cruz