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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

YANSÃ E SANTA BÁRBARA RESPONDEM À CRISE ECONÔMICA MUNDIAL



Enquanto nosso brioso jornalismo esmera-se na tentativa de estabelecer o pânico, por conta do estouro simultâneo das bolhas especulativas (imobiliária, cambial, commodities etc), os fatos vão aos poucos impondo sua majestade. Os épicos esforços financeiros operados pelos bancos centrais de todo o mundo vão mostrando seus muques de estivador, equilibrando o jogo entre os especuladores do apocalipse -sócios majoritários da imprensa blockbuster- e a economia real. Os indicadores divulgados desprezam olimpicamente a sinistrose dos primeiros e prometem um natal farto nas mesas brasileiras.

Nesse contexto, a Bahia vem tirando de letra -ao seu modo- o canto dessas aves soturnas. Como? Ora bolas, como sempre fez: orando e sambando, meu rei.



Como poderia ser de outro jeito, se aqui, na velha Cidade da Bahia, ouviu-se aquele incrível trovão, no meio da tarde do dia 3, véspera da festa da Orixá dos ventos, dos raios e dos trovões? Trovoada de dar medo pelo volume e pela misteriosa circunstância: foi seguida de grossa chuva, que durou não mais que um ou dois minutos e foi embora, deixando um céu limpo e azul.


Santa Bárbara, cuja existência é oficialmente negada pela Igreja Católica, é associada à poderosa orixá Oyá (ou Yansã). Sua imagem, na falta de injustificável (para os baianos) casa própria, hospeda-se na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em plena Ladeira do Pelourinho.



É naquele templo católico e numa outra casa de negócios próxima dali, o Mercado Municipal de Santa Bárbara, na Baixa dos Sapateiros, que a santa recebe homengens em branco e vermelho a cada 4 de dezembro, fervorosamente oferecidas pelo povo baiano, que não se importa nem um pouco com as personalidades visivelmente opostas da santa com cara de santa e da orixá guerreira, sensual e retada.


Mas quem liga pra isso na Bahia, ainda mais agora, quando inicia-se a temporada anual de caça ao prazer, marca oficial das festas populares do verão baiano?



O que importa é que, por via da dúvidas, é de bom tom orar pela primeira e saudar a segunda do jeito que ela gosta e exige: Eparrei, Oyá!


Entra ano e sai ano, segue sendo essa a fórmula mágica usada pelos baianos contra os obstáculos da vida: orar, celebrar, sorrir e sambar.

Ando desconfiado que há forte sabedoria nessa solução. Parece mesmo impossível para nós, reles mortais, lidar com a má-fé e a impiedade do cassino especulativo de outra forma senão assim, na fé e na galhofa.

Que, a propósito, presta-se também para o consolo da estropiada torcida do Baêa-Sua-Porra, às vésperas de mais um ano de humilhações patrocinadas por seus dirigentes.

Melhor que isso, só se a orixá mandasse raios e trovões diretinho na cachola dessa gente escrota que lucra fácil sobre a tragédia de muitos.

Talvez aí seja pedir demais, até pra Iansã.

Que pena.

2 comentários:

Nilson disse...

Sabe que ouvi aquele trovão e nem liguei uma coisa com a outra? Só o Blog do Galinho pra revelar essa conexão. É isso mesmo: yansã retada com essa crise de laboratório! Ah ,e também não sabia dessa história de que Santa Bárbara não é reconhecida pelo catolicismo.

Tatiana disse...

Esse negócio de Santa Barbara na ser reconhecida pelo catolicismo, não tem nada a ver. Só são reconhecidos os santos que eles querem reconhecer?
Isso não pode acontecer e a fé do povo onde fica.

Tatiana Rodrigues, Santa Cruz - Rio de Janeiro.