POR OUTRO LADO...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

KODO, OSESP...ISSO AQUI TÁ FICANDO BOOOMMM



Existe uma infinidade de categorias de gente chata. Eu, por exemplo, incluo-me em pelo menos duas delas, a dos ex-fumantes e dos ex-sedentários, povo frequentemente insuportável por sua capacidade de aconselhar os outros sobre como levar uma vida saudável. Verdadeiras malas.

Haverá quem afirme que isso é uma piada, que eu estou inscrito em muitas outras, como a do pedantismo e da arrogancia, o que é uma sacanagem contra a minha pessoa, que entre outras muitas virtudes está a de cultivar uma espetacular humildade. Como tem gente invejosa nesse mundo, meu deus...

Mas porque foi que eu começei esse post por ai mesmo? ah, tá, pelo seguinte: tem um tipo de chato que e insuportavel, aquele cara que foi ver o espetáculo que voce ouviu falar e não deu muita bola.

O miserável faz questão de te contar TUDO o que viu, sem economizar nos efeitos dramáticos para narrar a emoção única que ele pode compartilhar e voce não porque escolheu ir ao shopping assistir mais um filme americano do qual não se lembrará 24 horas depois.

Agora mesmo deve ter algumas dessas almas sebosas contando pra todo mundo sobre a passagem pela Bahia do Kodo - Percussão do Japão. Fizeram duas apresentações em Salvador, no Teatro Castro Alves (anteontem) e na Concha Acústica (ontem), nessa última com direito a uma majestosa canja do Olodum.

Se eu não tivesse ido na Concha ver os tambores dos japas juro que encheria um sujeito desse de porrada. É crueldade demais, inadmissível.





Fico a imaginar quantas pessoas percutirão com suas próprias cabeças na parede depois de saber que por R$20,00 (R$10,00 a meia) assistiriam um espetáculo arrebatador como aquele. Os sons que aqueles caras e aquelas moças fazem é inacreditáel, emociona de arrepiar e fazer chorar.






Desde singelos pratos e flautas, do monumental gongo, até os poderosos
taikos, tambores belissimos e de tudo quanto é tamanho, o espetáculo tira o folego do começo ao fim. Sons percussivos intimamente ligados aos ritos japoneses de religião, meditação e exaltação, em que a expressão corporal de seus músicos durante a execução é fundamental, principalmente nos tambores acima de 1,5 metro de diametro. Rostos oras compenetrados, oras sorridentes, corpos belíssimos e um entusiasmo contagiante, tão contagiante como o primeiro ressoar daquele tambor gigantesco (foto abaixo), tocado por dois homens, provocando manifestações de espanto e deslumbramento na platéia da velha Concha. Um autêntico tapa no peito.




Lindo, inesquecível. Seguirá para São Paulo, Rio de Janeiro e outras poucas cidades brasileiras. O roteiro é esse aqui.


Ao final desse texto veja um video pra entender a importancia desse grupo e a deferencia de passar por Salvador, tocando junto com o Olodum no final da apresentação e levando ao delírio as pouco mais de 2 mil (!!) pessoas que pagaram (baratissimo) para ver e que sairam dali com a deliciosa sensação de que viveram momentos mágicos naquela histórica Concha Acúctica do TCA.

Coloquei o video do Kodo no final para antes poder falar um pouquinho da apresentação que a Orquestra Sinfonica do Estado de São Paulo (OSESP) fará domingo as 17h, também na Concha, sob a regencia de John Neschling. Igualmente imperdível, cabeção. E digratis, basta retirar o convite na bilhetria do TCA (desde ontem).

Voce não foi ver o Kodo, paciencia, também não precisa pintar o corpo de amarelo e preto e deitar na rua disfarçado de quebra-molas, né? Você tem uma vida inteira pra se arrepender de não te-los visto, pra que tanta angústia assim, meu rei? Mas não precisa vacilar duas vezes na mesma semana, mesmo porque não é sempre que temos aqui na Bahia a oportunidade de assistir espetáculos do nível desses.

Como diria meu amigo Franciel Diamantino, foi esse o seguinte passado ontem aqui na velha Cidade da Bahia. Fui, não sem antes antes informar a quem interessar possa que nada tenho contra os acentos circunflexos, esse maldito teclado é que resolveu declarar-se "desconfigurado". Foda-se ele.



4 comentários:

Nilson disse...

Boa dica, meu velho. Tentaremos não vacilar dessa vez.

Marcus Gusmão disse...

Sinto muito, meu caro chato agenda cultural. Domingo não temos com quem deixar as crianças e vamos perder mais essa. Também não sei se vale a pena. Se dentro do TCA você tem que coviver com uma sinfonia de barulhos extra-sinfônicos, imagine na concha? Não tenho concentração nem ouvido musical para tanto.
P.S: estou quase me tornando um chato ex-sedentário e ex-muito gordo: faz quase uma semana que ando diariamente na orla.

anrafel disse...

Pois, então, dei vacilo e não fui ver os japas, mas a Osesp eu não perco. Só que vou hoje, na Catedral Basílica (espero que não tenha ensaio dos Filhos de Gandhi no Terreiro).

Marcus Gusmão tá certo. Apesar da grande idéia de fazer apresentações em locais públicos, às vezes a barulheira extra-sinfônica chateia. Há dias, no Parque da Cidade, uma microfonia intermitente quase leva o maestro da OsUfba à loucura.

Mas não se pode perder (como eu perdi o Kodo) coisas desse tipo. Enquanto isso, muitos vão se regalar com Bruno e Marrone e Roupa Nova. Vade retro, eles não sabem o que fazem!

taiko tenryuu disse...

Assisti o show do Kodo em São Paulo. Simplesmente maravilhoso, a manifestação da perfeição. Participo de um grupo de taiko em São Paulo e a emoção que senti pode ser estendida aos demais componentes do nosso grupo. Todo o significado e respeito por esta arte milenar nos proporcionou um momento único que levaremos no nosso aprendizado.