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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A HORA DE WAGNER MOSTRAR A QUE VEIO


Até as lindas árvores do Dique do Tororó sabem. É chegada (quase passada) a hora de Lula desembarcar na campanha eleitoral de Salvador.


Fosse o correto Walter Pinheiro um candidato carismático, bom de gogó e campeão em auto-suficiência, as pesquisas estariam demonstrando outro quadro, em que ele estaria seguramente na frente de ACM Neto.

Mas não é. Pinheiro vacila e suas aparições no vídeo não conseguem compensar essa claudicante embocadura para o poder executivo. Custo a acreditar que o marqueteiro dessa campanha não tenha se dado conta disso.

Enquanto isso, João Henrique Carneiro, atual prefeito de Salvador e candidato à reeleição pelo PMDB, consegue abrir espaços à cotoveladas, fazendo boa parte do iletrado eleitorado soteropolitano acreditar de que é ele e não Pinheiro, a noiva de Lula em Salvador. Está funcionando.

Parte dessa estratégia foi desmontada por Jaques Wagner, em seu burocrático depoimento no programa de Pinheiro. Muito pouco para a necessidade do candidato petista inscrever seu nome para o segundo turno do pleito baiano.

Wagner ainda passa longe de ser admirado pelo povo baiano. Manda melhor que Pinheiro no quesito vibração mas não o suficiente para fazer de si um político amado como o presidente Lula.

Quis usar exatamente essa palavra, amado. Lula é um político de grande envergadura, o maior que já teve esse país, e a população confia nele. Nenhum outro líder político brasileiro consegue sequer passar perto de sua performance política e capacidade de comunicação. Muito menos Jaques Wagner, melhor talhado para os movimentos palacianos que para os palanques e câmeras.

Resta ao PT baiano -e espera-se de Wagner o comando desse movimento- convencer o presidente que é preciso peitar o PMDB de Geddel e livrar-se da chantagem de não poder pôr peso na campanha de Pinheiro por conta do apoio na Assembléia Legislativa local e no Congresso Nacional.

A campanha de Pinheiro corre riscos objetivos de morrer na praia se Lula não desembarcar "de com força" no horário eleitoral, deixando claro para o povão de Salvador quem é quem. Imediatamente.

João Henrique é um desastre administrativo e político para Salvador. É inadmissível que tenhamos que suportar mais quatro anos com a cidade sendo transformada numa favela só, das praias ao centro. Será possível que a capital da Bahia irá novamente ter que escolher pelas mãos de quem seguirá inerte, incapaz de reinventar-se e dar um salto rumo ao século XXI?

JH e ACM Neto são ovos da mesma serpente, apesar da diferença de estilos. A peçonha comum a ambos é o do clientelismo, do Estado a serviço de interesses privados. Líderes de um tempo que Salvador insiste em flertar, meu Deus...

Governador Wagner: no palco ou nos bastidores, a hora é sua. Salvador pede socorro e não merece viver mais quatro anos assistindo ACM Neto ou João Henrique no Palácio Tomé de Souza, enquanto os líderes locais do PT discutem, ainda de boca aberta, porquê perderam uma eleição que poderiam ter ganho om relativa facilidade.

Ou é Lula cá agora ou fim de linha para Pinheiro em 5 de outubro. Precisa mesmo ser assim, Governador Wagner?

2 comentários:

anrafel disse...

Vislumbrar um segundo turno com ACM Neto e João Henrique é o equivalente a ter uma visão dos infernos. A cidade que gerou Dorival Caymmi e minha filha Cândida não merece isso.

Faltam apenas 23 dias e a coisa era pra estar melhor. A declaração de Wágner é meio mesmo sobre o perfunctório (como é mesmo, Franciel?). Se Lula vai pessoalmente entrar na campanha de Pinheiro, deve estar esperando alguns dias. Quantos?

Vi ontem o rádio mostrando o discurso de ACM Neto, onde ele promete dar porrada em Lula. Pode tirar votos dele, mas passaria pra quem?

Marcus Gusmão disse...

Galo,

Você foi perfeito na sua análise. Só tem um gordo porém, que você mesmo registrou: peitar o suposto aliado Geddel. Até as ex-pedras portuguesas da Barra sabem que o candidato a prefeito de Salvador não é o escovado e cada vez mais Forrest Jonh. É Geddel, aquele genérico de ACM, que tem mais os defeitos do que as qualidades do original. E um destes defeitos, exercido com bastante eficiência na eleição para governador, foi a compra de prefeitos com o a promessa de verbas federais de ministro. Wagner está numa sinuca de bico: defenestra o gordo agora e corre o risco de se enfraquecer para 2010 – Paulo Souto também está à espreita - ou fica neste reme-eme esperando que as coisas se resolvam sozinhas, ou melhor dizendo, Pinheiro se resolva sozinho, preservando assim o suposto aliado. Mas se eu conseguisse uma vaga no CQC, eu faria a seguinte pergunta a Wagner: você compraria um prefeito usado na mão deste gordo?