POR OUTRO LADO...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

FORMULADORES E MAIS...


Uma semana inteira sem escrever, absorvido por divagações existenciais, necessidades materiais e um certo desalento diante da falência da simplicidade.

Explico, sim.

É que há períodos em que escrever é insuportavelmente denso para quem gostaria de apenas contemplar. São dias em que, se a arquitetura fizesse parte da minha vida, acabaria produzindo soluções como a daí de cima, dos mesmos projetistas que criaram os vasos sanitários cujas tampas não param em pé, sacaneando o prosaico ato masculino de mijar relaxadamente usando uma mão para segurar a piroca e a outra pra repousar no quadril. Sem ter que encostar a perna na do cara ao lado, que usa uma camiseta fúcsia e é fã do Diego Hipólito.

Os formuladores são um perigo. Deveriam ter sua produção intelectual submetidas por algum órgão regulador ou pelo Ministério Público. Movidos, muitas vezes, por estranhíssimos desígnios, impõem verdadeiras torturas ao cotidiano dos mortais.

Como a das calçadas em pedras portuguesas, que certamente seriam chamadas de Pedras Britânicas ou Pedras Germânicas se fossem funcionais e atendessem à sua missão primordial, permitir que as pessoas transitem sobre um piso regular, bonito, permeável. Ah, que permita também uma manutenção de baixo custo e adequada à realidade de cidades como Salvador.



Amo meus amigos jornalistas de Salvador e de São Paulo. A revista Piauí é um luxo, sua edição de agosto (nº23) está impecável. A pauta e os textos da revista Muito, encartada aos domingos pelo jornalão A Tarde são de primeiríssima.

Mas o conteúdo noticioso da grande imprensa é um horror diário, editado na forma da má-fé, da irrelevância e da pilantragem travestida de jornalismo.

A manchete do Jornal Nacional de ontem simboliza, mais uma vez, o desespero dos grandes meios de comunicação em gerar enfoques trepidantes para alavancar fatos políticos e audiência, custe o que custar. Os fatos? Ora, se os fatos não se adequam às versões ditadas pelas conveniências políticas e comercias, fodam-se os fatos!

O general Jorge Félix, perguntado na CPI se seria possível que um funcionário da ABIN fosse o responsável por um suposto grampo telefônico, respondeu que "Possível é. Tudo é possível"

Na voz de William Bonner, ouviu-se a seguinte chamada: "General Jorge Félix admite possibilidade de agente da ABIN ter feito o grampo".

Dá náuseas um troço desse.




Procura-se um publicitário experiente, com especialização em psicoterapia aplicada a candidatos a prefeito. Desejável a competência de tornar seguros e sorridentes pessoas de temperamento claudicante. Procurar o comitê do candidato Walter Pinheiro, em Salvador. Paga-se bem.




Se Lula e Wagner, nessa ordem, entrarem imediatamente na campanha de Pinheiro para a prefeitura de Salvador, são grandes as chances do petista em 5 de outubro. Sem isso o bicho vai pegar, tô avisando.

Pinheiro é um ótimo parlamentar e pode perfeitamente ser o prefeito que a Cidade da Bahia precisa ter. Mas tem clara dificuldade de falar firme, nos olhos da população. Pra não falar da ausência de naturalidade do seu sorriso.

Na Bahia, mesmo que a equação Brasília-Bahia-Salvador seja poderosa a ponto de levar o petista à vitória (e é), não prescinde da chancela "cabra-macho" reconhecida como fundamental pela população.

Por aqui, seja homem ou mulher, o sujeito tem que ter culhões. Ou Pinheiro começa a falar grosso, olhando firme pra câmera, e aprende a sorrir com naturalidade, ou o barco vai pro beleléu.




O santuário rubro-negro da Bahia está em vias de ser conspurcado. O pretexto é a ação de relacionamento com seus clientes e parceiros que a Petrobrás quer viabilizar em torno de ingressos no Barradão, para jogos do Vitória... e do Bahia!.

Pelos poderosos culhões de Thor, de onde vem a vinculação entre os dois times em torno de um mesmo estádio, o do Vitória?

Molinho, molinho ver o incansável dedo tricolor do chefe-de-gabinete do governador Jaques Wagner, Fernando Schimidt, nessa história. Absolutamente nada impede que a Petrobrás assine imediatamente com o Vitória esse contrato de patrocínio. E aguarde até que Pituaçu fique pronto em 18 de outubro e possa fazer a mesma coisa com o Baêa-Sua-Porra.

É óbvio que tem gente forçando a barra para salvar imediatamente o Bahia da derrota financeira que significa mandar seus jogos em Feira de Santana.

A diretoria do Vitória vai cometer um erro esplêndido se aceitar essa chantagem. Sua torcida não vai aceitar hospedar a comunidade de Itinga em suas nobres instalações. E vai cobrar caro do governador Wagner por essa teimosa intromissão nos assuntos do futebol, como se não bastasse reformar e ampliar um estádio a toque de caixa, com dispensa de licitação, para atender às necessidades de uma empresa privada falida como o Esporte Clube Baêa-Sua-Porra.

Burros, já disse.




"Eu quero Hiiiiiiiilton50, na capital da resistência..."

Mato, se encontrar, o sujeito que produziu esse jingle-reggae, em cartaz o dia inteiro nas rádios e TV's baianas.


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