POR OUTRO LADO...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

TEMPO PRESENTE, TEMPO SOMBRIO

Depois dizem que a imprensa baiana é atrasada. Ô povo da língua peluda, mania de falar mal da vida alheia, sô!

Não é atrasada não, está perfeitamente alinhada com as "melhores" práticas do jornalismo brasileiro, capitaneado pela revista Veja e pelos jornalões Folha, Globo e Estadão, entre outros de menor expressão.

Tem até uma versão soteropolitana da sabujice jornalística cometida por Diogo Mainardi, Lauro Jardim e Eliane Catanhêde. Atende pela graça de Levi Vasconcelos e é o colunista do "Tempo Presente", em cartaz diariamente na página 2 de A Tarde . O mesmo missivista que semanas atrás afirmou que "inevitavelmente" ACM Neto estaria no segundo turno das eleições de Salvador.

Mandou uma notinha pra lá de sem-vergonha no último sábado, afirmando que o Secretário da Cultura do Governo da Bahia, Marcio Meirelles, "foi visto" aos amassos com uma morena dentro do carro oficial, em frente ao Passeio Público.

Tal "informação" ensejou a indignação do secretário Meirelles, que publicou uma carta aberta dirigida à direção do jornal A Tarde, que faço questão de reproduzir aqui, na íntegra.

Não sou funcionário público, não devo favores ao governo federal nem ao estadual e, se Deus quiser, nem ao municipal, depois de outubro. Posso, livremente, criticar ou aplaudir quem quer seja, sem receio de ser retaliado ou tornado persona non grata.

É isso que me autoriza a dar espaço ao secretário Meirelles, a quem não conheço pessoalmente mas louvo a coragem pela implementação da política cultural que rompeu com o compadrismo de sempre nessa área. A política pública dos editais é um marco na Bahia e espero que siga em frente, com verbas cada vez maiores.

Mas desqualificar uma visão política fazendo uso da calúnia, da difamação, é fim do mundo. Não aceito.

Posso entender, ainda que sentindo-me no direito de manifestar indignação, as motivações econômicas e políticas que movem as empresas de comunicação contra as gestões petistas. É a credibilidade desses órgãos de imprensa que sairá arranhada, como aliás mostram as pesquisas. Danem-se.

O que é duro de engulir é um jornalista aceitar a infâmia de valer-se da sua pena suja de calúnia para defender esses mesmos interesses, seja por conveniência financeira ou mera sabujice.

Isso aí não dá pra digerir nem com magnésia bisurada.

Foi essa, a seguir, a carta do Márcio, divulgada ontem no blog Plug Cultura.




"CARTA ABERTA AOS SENHORES SYLVIO SIMÕES, FLORISVALDO MATTOS E EDIVALDO BOAVENTURA


Prezados amigos,


Dirijo-me a vocês através desta carta aberta porque acredito que alguns valores podem ser preservados e um jornal como A TARDE tem história e patrimônio para reagir ao desmoronamento dos princípios éticos que devem reger a imprensa, serviço público e “quarto poder”.


Os poderes trazem responsabilidade. E o poder de um jornal é o de construir uma sociedade mais justa através da informação, da difusão de opiniões, do questionamento, da cobrança, da reflexão. Não acredito que a nota “Namoro pára o trânsito”, publicada no último sábado (2/08), na coluna Tempo Presente, seja veículo de nada disso.


Imagino que quem a escreveu deve ter se divertido com o fato. Mas a nota constrangeu uma família, desrespeitou uma mulher, difamou um homem sério. Esses valores têm sido negligenciados e banalizados nestes tempos que correm. Tempos em que nos queixamos da violência sem percebermos que violência é exatamente a destruição de valores.


Alguém que tem o privilégio de escrever em um jornal deve ser minimamente informado. Logo, devo deduzir que a referida nota tinha a intenção de atacar um homem público, casado, sugerindo que um carro oficial estava sendo usado para encontros amorosos.


Acontece que a “bela morena, estilo tropical”, a qual o colunista se refere, de forma preconceituosa, é minha mulher, com quem sou casado há doze anos, e a quem convidei para um almoço com os responsáveis por um momento importantíssimo e feliz, a implantação das Câmaras Temáticas para reabilitação do Centro Antigo.


Quis partilhar esse momento com minha companheira, a coreógrafa Cristina Castro, que também é uma artista e personalidade pública.


Despedia-me, depois do almoço, antes de entrar no carro para ir trabalhar, às duas horas da tarde, em frente ao Passeio Público, no local onde carros e táxis costumam parar para que pessoas entrem ou saiam daquele jardim, por uma fração de tempo mínima, necessária para que eu me despedisse, tocando o rosto de Cristina, e saísse rumo ao meu trabalho.


Qual o propósito da nota apressada e difamatória? Informar à população que o secretário de Cultura usa o carro oficial indevidamente? Seria importante, se fosse verdade. Mas como informação apressada, desqualifica o informante, desacredita a imprensa. E o que gerou? O constrangimento da minha família e amigos. O desrespeito a uma artista, ao colocá-la no anonimato de adjetivos com nuances de preconceito machista, e a uma mulher, por promover sua exposição como esposa traída por ela mesma. Além da difamação de alguém que tem princípios, como os senhores sabem, por me conhecerem há muito tempo – e é justamente por esse motivo que os escolhi como destinatários desta carta. E porque acredito que os meios de comunicação não podem deixar de ser um serviço de utilidade pública, um instrumento de construção, para se tornar um veículo de ataques pessoais.


Não tenho problemas em ver meu trabalho criticado. Acredito que as críticas servem para que se possa fazer melhor o que se faz.


Acredito firmemente que a imprensa tem um papel fundamental, na sociedade, como poder público de acompanhamento e controle do que é publico.


Estou sempre disposto a debater as políticas da Secretaria, seus programas e ações, aprender com as críticas e estar atento para as falhas e para os caminhos apontados pelas notícias e artigos. Mas, num mundo em que são tão poucas as coisas ainda confiáveis, não deixem que a imprensa, ou pelo menos A TARDE, abandone a luta por valores e pela não violência.


Atenciosamente,


Márcio Meirelles – cidadão"



4 comentários:

Marcus Gusmão disse...

Caro Galo,

Sou subordinado a Márcio, como técnico do Estado a serviço da Secult. Conheço Levi, com quem convivi durante período que prestei serviço ao jornal A Tarde. Em baianês, sou amigo dos dois, dois motivos suficientes para, se eu fosse normal, ficar calado. Mas como a normalidade não é minha parceira, opino.
O que houve, tecnicamente, foi uma barrigada, jargão jornalístico para notícia sem fundamento. A barrigada ficou pior porque foi acompanhada de uma malícia e de subtextos que alimentam preconceitos. Levi, um jornalista experiente, confiou em uma fonte e se deu mal. Pra completar, babados e fofocas circulam por fibra ótica, enquanto virtudes e boas intenções trafegam com a mesma velocidade que eletricidade em madeira. É impressionante o alcance de uma notinha naquela coluna, que sempre foi uma das mais lidas do jornal.
Mas a novidade desta história é este seu post. Se a nota fosse publicada há cinco anos, nasceria e morreria no papel do jornal. Mas esta carta hoje circula pela internet. Está na lista de discussão dos jornalistas, é replicada na rede e talvez alcance um público maior do que o dos leitores do jornal já que a coluna só está disponível na versão on line do jornal para quem já é assinante. Vamos ver no que isso vai dar.

paulo galo disse...

Gostaria muito, Marcus, de acreditar que aquela singela notinha tenha sido fruto de uma barriga, como tantas que acontecem diariamente pelas redações do mundo inteiro.
Mas duvido. Ela está perfeitamente integrada às tradições da maledicência, caríssimas por essas latitudes. E à campanha de ódio que é movida contra Márcio Meirelles entre as viúvas do carlismo no meio artístico e na imprensa.
Falar mal de Meirelles virou um clichê na Bahia, como falar mal de Lula o era em 2005.
O que continuo enxergando ali é puro preconceito, ódio política e irresponsabilidade jornalística movida por interesses talvez inconfessáveis.

Maiara Bonfim disse...

Apesar do assunto já ter "esfriado", não custa trazer mais notícias que envolvem o secretário Márcio Meirelles e o colunista do jornal A Tarde, Levi Vasconcelos.

Segue a reprodução do que foi publicado na coluna “Tempo presente”, três dias após a primeira nota.

"Tudo em casa

Sobre a nota Namoro pára o trânsito, publicada sábado, dizendo que o secretário Márcio Meirelles trocava carícias no carro oficial na entrada do Passeio Público, ele esclarece: a mulher em apreço é a esposa dele (12 anos de casados), a coreógrafa Cristina Castro, de quem se despedia após almoço com os responsáveis pela implantação das Câmaras Temáticas para a reabilitação do Centro Antigo.

Portanto, nenhum uso indevido de carro oficial."

Não encontrei nenhum outro registro sobre o tema em edições posteriores.

Resta a dúvida: foi mesmo uma barrigada, irresponsabilidade jornalística ou simplesmente “difamação”, como sugere o próprio secretário da cultura? Um fato é inegável, a “errata” de Vasconcelos passou longe de uma retratação à altura da carta do cidadão Márcio Meirelles.

paulo galo disse...

Lamentavelmente scho que há uma quarta opção, Maiara. O comentário do jornalista Levi é indestacável da virulência usada contra o secretário Meirelles por boa parte da imprensa e da "intelectualidade" baiana.
Há interesses inconfessáveis por trás dessa campanha de ódio e o jornalista, se não for parte desses interesses, alimenta-se apenas da maledicência e da calúnia. Ou seja, satisfa-se com restos. Deveria explicar-se melhor para que ninguém o fira, injustamente, com o epíteto de sabujo.