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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

PINHEIRO, A PREFEITURA DE SALVADOR E O IRRESISTÍVEL MOTE


A pesquisa Datafolha divulgada no último dia 23 sobre as intenções de voto para a prefeitura de Salvador (veja aqui), em que Walter Pinheiro (PT) surge com quase o dobro do número revelado na pesquisa anterior (foi de 8% para 13%), é muito mais eloquente do que se pode supor.

O caso é que o mote "Salvador, Bahia, Brasil" é aparentemente irresistível. Um presidente popularíssimo do PT, um governador também do PT e ainda em fase de consumo de créditos adquiridos com a vitória em primeiro turno há dois anos. A candidatura de Walter Pinheiro é facilmente discursada como o elo faltante para que a prosperidade chegue, enfim, a Salvador. Ninguém em sã consciência poderia afirmar que é impossível que ele vença em primeiro turno.

Salvador comeu o pão que o diabo amassou quando Lídice da Mata foi prefeita. Ningém esqueceu do garrote finaceiro operado contra sua gestão e desde lá os baianos de Soterópolis aprenderam que o alinhamento político entre os entes da Federação pode não ser o único critério para definir um voto mas que as chances da cidade ganhar aumentam muito quando isso é possível.

No senso político comum, a grana que jorrou farta nos cofres da municipalidade Salvador quando Imbassahy foi prefeito vai jorrar de novo com Walter Pinheiro. Simples assim e não muito distante daquilo que deverá realmente acontecer.

Os comandos da candidaturas adversárias já perceberam a extensão da encrenca e tentam desesperadamente colar suas imagens com a do Governador Wagner e a do Presidente Lula.

Perda de tempo. Faz é tempo que não vejo uma eleição tão fácil como essa de Salvador. Aliás, minto. A vitória de Marta Suplicy em São Paulo, cantada aqui meses atrás como barbada, aparenta ser mais barbada que eu pensava. Geraldo "Opus Dei" Alckmin e Gilberto Kassab conseguem ser piores que João Henrique Carneiro e ACM Neto.

Se não houver erros grosseiros nos programas de TV, Pinheiro vai esmagar seus adversários nas urnas. Mesmo tratando-se de um candidato de carisma modesto, Pinheiro está no lugar certo e na hora certa e isso, na política e nos negócios, é uma benção.

Seus programas na TV estão bem produzidos e falam o que a população espera ouvir. Se for bem dirigido e aprender a falar olhando firme para a câmera, fazendo aquela cara-de-macho-que-resolve, respeitadíssima por essas latitudes, não tem pra ninguém ainda no primeiro turno.

Já é.

3 comentários:

anrafel disse...

Eleitor soteropolitano atento já está acostumado com essas barbeiragens das pesquisas. Na primeira vitória de Imbassahy sobre Pellegrino, o Ibope deu para este na última pesquisa divulgada o índice de 14,5%; abertas as urnas, tava lá 29,8%.

Na reeleição de Imbassahy, a mesma discrepância entre o divulgado na sexta e o apurado no domingo.

Paulo Souto estava reeleito no primeiro turno. Finda a votação, Wágner tomou-lhe o lugar, apesar das garantias de Montenegro acerca da segurança dos números.

Agora 'Grampinho' desponta na frente. Alegam ser a sigla ACM o motivo. Cavalo paraguaio. Não esquecer que o candidato do PFL na anterior, César Borges, não passou dos 25% no segundo turno.

E será no segundo turno que Pinheiro deverá ganhar, ainda que, no caso da disputa com Neto ou Imbassahy, Geddel tente operar com a sua juramentada inconfiabilidade.

Vamos lá, faltam 40 dias.

Ulisses Adirt disse...

"cara-de-macho-que-resolve"... Li o artigo todo calmamente... no depois de "fazendo cara-de-macho-que-resolve" eu não agüentei e ri até o fim...

paulo galo disse...

1) A expressão "cara-de-macho-que-resolve" pode perfeitamente ser substituída pela regionalíssima "retada", Ulisses. O sentido é o mesmo, a da expressão facial unida ao discurso que comunique decisão, coragem, arrojo. Ter o saco rxo caminha na mesma direção, capice?
2) Te vi no "Biscoito", anrafel! abraços.