POR OUTRO LADO...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

ESTÃO VIVOS E NÃO MUDARAM

Volta e meia me vejo resmungando contra a imprensa blockbuster brasileira. Dependendo do fato, os resmungos vestem-se de protesto e denúncia, o que acaba, nessas vezes, por dar uma densidade ao meu puleiro maior do que gostaria. Fazer o quê, se não tenho o talento dos moços do Kibe Loko e do Catarro Verde? (veja o link deles aí do lado, cabeção!)

O jornal A Tarde, de Salvador, é um desses órgãos com quem mantenho um relacionamento bipolar, oras aplaudindo os textos da revista Muito, encartada aos domingos, oras chiando contra suas práticas empresariais materializadas como texto noticioso ou "opinião".

Dois episódios recentes reforçam-me o desejo de não abrir mão da crítica direcionada a esses meios de comunicação como um ato cidadão. Não aceito a calúnia, a difamação, a desonestidade intelectual como instrumentos de ação política, muito menos quando essas coisas são praticadas por um órgão de imprensa. Aí esse mirrado galináceo não perdôa e desce o pau nesses poderosos barões da informação.

O que não altera, é óbvio, uma única vírgula de seus textos e muito menos de suas intenções. Conheço perfeitamente bem meu tamanho, meu poder (sua ausência, na verdade) de infringir-lhes perdas.

Mas insisto. Nadar contra a maré é como comer mocotó com pirão e cerveja, não dá pra viver sem.

Recentemente me vi diante de dois episódios, nascidos nas páginas do jornal A Tarde, que mais uma vez me fizeram achar que vale a pena dar porrada nesse povo. Primeiro foi a nota difamatória publicada pelo jornalista Levi Vasconcelos contra o Secretário de Cultura do Governo da Bahia, Marcio Meirelles, o que ensejou uma carta pública de protesto muito bem escrita por Meirelles e que reproduzi nesse post aqui. Aliás, sobre esse episódio, leia também o recente comentário postado pela leitora Maiara Bonfim, dando conta de como o jornalista tratou as consequências de sua "informação". Benza deus.

O outro episódio foi a matéria publicada pelo jornalão quando da passagem de Walter Pinheiro pelo terreiro do Alaketu, mês passado, levado pela vereadora Olivia Santana. A mãe-de santo da casa pediu que não fossem feitas imagens enquanto ele ele ali estivesse. Atendendo o desejo da sacerdotisa, Pinheiro pediu que o fotógrafo de A Tarde não o fotografasse ali.

Resultado? uma matéria no dia seguinte, "informando" a visita, algo constrangida, do candidato petista (que é frequentador de uma igreja Batista) a uma casa de candomblé. Mais uma pérola do jornalismo a serviço da política, dos negócios e da intolerância.

Mais resultados? Idelber Avelar, autor de um dos mais importantes (e saborosos) blogs brasileiros, O Biscoito Fino e a Massa, publicou ontem (26/08) um post sobre as eleições municipais de algumas capitais e citou esse episódio como argumento para dar conta do seu desconforto ante a candidatos "evangélicos", mesmo os de esquerda. Tá bom pra vocês?

Imediatamente deixei um comentário por lá, usando inclusive o post feito pelo jornalista Oldack Miranda (blog Bahia de Fato) para mostrar que havia um grave erro de avaliação em relação ao episódio e ao candidato petista.

A reação do Idelber não tardou e hoje (27/08) ele fez uma atualização do post, posicionando-se diante das novas informações.

Moral da história: não dá pra deixar passar batidas as aleivosias praticadas em nome do jornalismo, que insiste em se enredar nas tramas da irrelevância e da leviandade, como nesses dois episódios. Se "informações" como essas são capazes de trair o bom senso de gente como Idelber Avelar, dá pra imaginar os estragos que elas continuam fazendo diariamente para leitores menos atentos?



2 comentários:

anrafel disse...

A grande imprensa tradicional está perdendo leitores para a mídia eletrônica não só pela questão da velocidade da informação/atualização. É também pelo lado da credibilidade, do compromisso com o jornalismo verdadeiro.

É por isso que os leitores mais antenados estão de saco cheio com essa esperteza de disfarçar uma iniciativa empresarial ou um posicionamento político de informação jornalística, metiê em que a Veja (vade retro!) tornou-se um ícone brasileiro.

A discussão 'religião na política' prossegue lá no Biscoito.

Alvaro Figueiredo disse...

não é q seja adocica, como vc, q nunca foi lá, que não venho aqui mais amiúde. mesmo em seus tempos paulistanos nunca pude esquecer os papos na área(imensa) e quadras da escola rangos do mistão de vara, na padaria ao lado da ETFBa, ou as cervejadas e escapadas no barbalho santo antônio -fomos já juntos ao paulinho da boca, com o inefável peixe na brasa e espeto??? enfim...
queria só lembra q aqueles caras tão ainda a fim da revolução mental, de mudar tudo, a gente principalmente, por dentro e radicalmente quanto a"esses caras", não esquenta. São apenas figurinhas carimbadas de um esquema maior e mais velho, q já está caindo de cansaço...