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terça-feira, 22 de julho de 2008

PINGUINS NAS PRAIAS E NAS PANELAS DE SALVADOR


Semana passada apareceram pelas praias de Salvador um bando -bando? grupo? renca?!- de pinguins, essas lindas aves de andar desengonçado que sairam da Patagônia e, trazidas pelas correntes marítimas, alcançaram o litoral da velha Cidade da Bahia.

Não consigo conter a emoção quando vejo uma criatura linda como essa. Bichinhos graciosos, simpáticos, tempos atrás viviam na Antártica e em cima das geladeiras das casas dos nossos pais e avós.

E foi justamente esse habitat urbano, o das cozinhas, que inspirou uma série de receitas exóticas que o Blog do Galinho publica a partir de hoje. Estreamos com um formidável Xinxim de Pinguim. Anota a receita aí, cabeção, dá pra 10 pessoas, tá? Semana que vem eu volto com uma receita de Ganso no Tucupi, fina iguaria inspirada nas corridas que eu fazia no Parque do Ibirapuera e que faço agora no Dique do Tororó, em Salvador.

Ingredientes:

2 pinguins-de-magalhães de +/- 60 cm de altura
3 tomates grandes
1 maço de coentro
1/2 maço de hortelã
2 pimentões
3 cebolas grandes
3 dentes de alho
250 g de amendoim torrado
250 g de castanha de caju
250 g de camarão seco
50 g de gengibre ralado
2 folhas de louro
sal a gosto
2 limões
1 colher (chá) de pimenta-cominho
1/2 xícara (chá) de azeite de dendê
1 xícara (chá) de leite de coco grosso

Como fazer:

Fique atento ao movimento das praias de Salvador, principalmente a do Rio Vermelho. Ao primeiro sinal de que alguém achou um lindo casal de pinguins, apresente-se como funcionário do Ibama e leve-os pra casa. Não esqueça de vestir aquele colete caqui cheio de bolsos, tipo fotógrafo de safári, manja?

Então: já na cozinha, pegue o primeiro pinguim pelo bico com uma das mãos, pro puto não te beliscar. Com a outra mão, agarre firme no pescoçinho do bicho. Trave o corpo dele com as pernas e gire o bico dessa gracinha de animal em sentido anti-horário, dando duas voltas num movimento rápido e seguro, do mesmo jeito que se gira uma chave Alen, entende? Pronto, o cardápio predileto das focas e dos leões-marinhos do pólo sul acaba de descer do alto da geladeira rumo à panela da sua casa. Repita a operação com o outro.

Trate-os como a vovó fazia com as galinhas do quintal dela: sem frescuras, degole-os com uma faca ou machadinha, decepe seus pezinhos e asinhas, abra suas barriguinhas e arranque tudo o que encontrar lá dentro, separando apenas coração, moela e fígado. Ponha-os num caldeirão de água quente e espere ferver, pra arrancar as penas. Pronto, agora é esquartejá-los e lavá-los com água e limão, capice?

Pique as cebolas, os dentes de alho, os tomates, a hortelã, o coentro e os pimentões. Misture os temperos com sal e vinagre e passe na carne. Deixe tomar gosto por duas horas. Coloque numa panela grande o azeite de dendê e junte os pinguins e seu tempero. Refogue. Adicione gengibre, cominho e louro, junte água aos poucos, à medida do cozimento. Cozinhe em fogo alto. Bata no liqüidificador o camarão, a castanha e o amendoim com um pouco de água. Junte essa mistura aos pinguins, quando já estiver quase cozida. Assim que as aves ficarem com a carne macia, regue com um pouco de dendê e cozinhe por mais cinco minutos. No final, acrescente o leite de coco e deixe ferver por mais dois minutos.

Sirva com arroz branco e cerveja trincando, ótima para brindar à luta contra o aquecimento global e o derretimento das calotas polares.


4 comentários:

Daniel Fonseca disse...

Sensacional!
Soube que as avezinhas estão à venda pelas feiras da cidade....

paulo galo disse...

Espero que nao venham me dizer que a culpa e minha...

Marcus Gusmão disse...

Ontem, segundo as gazetas baianas, o mais ilustre turista desta temporada atingiu a cotação de R$ 500. É claro que esta receita divulgada aqui tem também responsabilidade sobre isso!

Nilson disse...

A cerveja, naturalmente, é Antartica, a dos pinguins no rótulo. Bela sacada, meu velho. A produção de Ana Maria Braga vai te ligar.