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segunda-feira, 14 de julho de 2008

PAUSA PARA TOMAR UM AR


Envolvido desde o último sábado com a elaboração de um projeto de marketing que subsidie as ações de captação de patrocínio de um novo cliente aqui de Salvador, deixei esse curioso puleiro aqui sem atualização, tadinho. Não foi de sacanagem, acredite. Tanto que a tarefa ainda não foi concluída (só o será, com alguma sorte, amanhã) e eu estou aqui pra respirar um pouco nessas veredas e vias expressas da blogosfera.

Não que isso vá mover um grão sequer de areia na vida de quem quer que seja. A desimportância de blogs como esse aqui é diretamente proporcional aos hábitos de leitura na net, ou seja, tô conformadinho da silva que 95% das pessoas entram na rede pra ver e-mails ou pesquisar temas de interesse imediato, pouco sobrando em tempo, hábito e sossego pra ler opiniões ou inquietações especializadas ou generalistas, geralmente ditadas tão-somente pela vontade do blogueiro de fazer-se ouvido.

Ora bolas, se as delirantes "reportagens" da grande (digamos) imprensa não são capazes de fazer a terra tremer míseros 2 pontos na escala Richter, não seria esse puleirinho aqui que o faria, não é mesmo?

Resta, contudo, o dever de seguir em frente por conta da esquisitíssima decisão de alguns em visitar-nos regularmente. São essas escassas mas valiosas pessoas que me fazem subir à superfície, pronunciar-me e voltar pra toca, pru mode arrematar as tarefas que exigem conclusão o mais rápido possível.

Isso posto, vamos aos fatos.




Praga de urubu magro não costuma afetar cavalos gordos, no dito de minha sábia mãezinha. O Fluminense suou sangue pra vencer o Vitória no último sábado, no Maracanã. Uma derrota que em nada altera os rumos virtuosos do Leão da Bahia nessa temporada 2008. Que venha o São Paulo na próxima quarta, estamos ansiosos para recebê-los num Barradão lotado, fervendo de vontade de ver Rogério Ceni ir buscar a bola no fundo do gol algumas vezes. Na sequência, as lições da virada sofrida diante do vice-líder da Libertadores serão valiosas para fazer um grande jogo contra o Flamengo. Quem viver verá.

Ainda sobre o jogo contra o desesperado Fluminense, deixo que Franciel Diamantino, um assombro no campo das premonições (foi ele quem primeiro cantou que o Vitória seria campeão brasileiro em 2008), explique como o Vitória foi magnânimo na derrota do último sábado.




As mais belas árvores de Salvador moram ao largo do Dique do Tororó. Belíssimas, desfilam seu charme apenas aos que por ali caminham ou correm.




O Dique do Tororó, aliás, tornou-se um dos bons cartões postais da velha Cidade da Bahia após a reforma realizada durante o governo de Antonio Imbassahy. Foi dele também as requalificações da Piedade e do Campo Grande, obras que marcaram suas gestões na prefeitura pelo elevado valor simbólico desses lugares para os soteropolitanos.

Não me venham dizer que isso é pouco e que nada mais representa senão a velha prática carlista de ostentar obras "de fachada" para escamotear o nada que se fez na forma de políticas públicas estruturantes para a educação, saúde, transporte etc etc etc.

Se é verdade que Imbassahy foi uma nulidade nesse aspecto, bem verdade também é que a cultura popular brasileira avalia bem os gestores responsáveis por obras que digam respeito diretamente à estima por suas cidades. Embelezá-las e torná-las mais humanas não é e não pode ser propriedade das gestões de direita, mesmo aquelas vestidas com roupas modernosas e fala macia, como a do neo-tucano Imbassahy, em Salvador.

As gestões de esquerda, notadamente as do PT, ainda não entenderam que ao par das medidas capazes de estruturar uma vida melhor no médio e no longo prazo, precisa haver demonstrações que simbolizem trabalho imediato, resultados imediat0s, simbologia de realização a olhos vistos.

O governo Wagner, passados 18 meses da posse, ainda não sacou isso e continua achando que sobreviverá das transformações que está propondo nas mais diversas áreas -todas com efeitos importantes, é verdade- mas mensuráveis apenas a longo prazo. Faltam ações de elevado impacto diante dos olhos ansiosos e ainda confiantes da população. Algo como pegar o HGE (Hospital Geral do Estado) e transformá-lo no melhor hospital público do Brasil, ainda que o estruturante para a área seja a construção de boas unidades hospitalares pelo interior -o que está acontecendo, registre-se.

Gerir a coisa pública com boa-fé e visão estratégica não colide com a necessidade de prover a população da percepção de que algo muito legal já está acontecendo.

Lula sacou isso desde o primeiro dia no Planalto; ACM, Imbassahy & Cia desde sempre. Quanto tempo o governador da Bahia vai precisar pra entender que é assim que a banda toca? Será necessária a perda da eleição em 2010?




Quem viu as dolorosas declarações da mãe do garoto fuzilado no carro, pela PM carioca, pôde lembrar -e comparar- os frios depoimentos do casal Nardoni quando do assassinato da menina Isabella. Não foi à toa que mesmo antes da coleta de provas, a polícia e Ministério Público não tinham dúvidas da autoria daquela monstruosidade.




O forte freio de arrumação mundial, provocado pela escalada inflacionária das commodities agrícolas e minerais -principalmente o petróleo- seguem como pratos cheios para economistas, líderes empresariais e jornalistas brasileiros a serviço da piora da imagem do governo do metalúrgico iletrado. É fácil perceber a iminência do fim do mundo em seus textos, declarações e, principalmente, previsões.


Melhor mesmo é deixá-las aqui, registradas. Final do ano a gente volta e vê se eles estavam certos. Se estão, você está fudido, meu amigo; se não, guardemos na memória com quanta má-fé se faz um oráculo golpista e um jornalismo de péssima qualidade.




O Luiz Nassif escreve um dos mais importantes blogs de economia e política do Brasil. Foi ele, por exemplo, quem mais enfaticamente alertou contra os riscos da política cambial do governo Lula para a desindustrialização do país e para deterioração do balanço de pagamentos, por conta do derretimento do dólar. Dele também vieram os alertas feitos por muitos economistas que o conservadorismo do Banco Central na condução da política monetária apenas referendava conceitos como o de PIB Potencial, o teto possível para o crescimento da economia brasileira sem a ocorrência de surtos inflacionários.


Além de bom analista nessas áreas -ainda que longe de ser uma unanimidade- Nassif é um músico que utiliza seu blog para dar ótimas dicas da cena musical brasileira e internacional. Já vi coisas muitíssimo legais em seu blog, a última delas na indicação de Marcus Tardelli, jovem e virtuosíssimo violonista brasileiro, dono de uma técnica absolutamente genial. É de tirar o fôlego o que toca esse moço. Veja com atenção o vídeo abaixo e veja por quê não comete-se um exagero em afirmar ser Tardelli o melhor instrumentista surgidos no mundo, nas últimas décadas.

É na ginga brasileiríssima do sofisticado violão de Marcus Tardelli que me despeço. Quarta eu tô de volta, beijos.


3 comentários:

Franciel disse...

Não sei se o rapaz do marquetingue do início de sua prosa já lhe pagou, mas asseguro que o Conselho Editorial do INgresia está reunido neste momento para definir o valor do depósito pelos imerecidos elogios ao caderno de esporte que acompanha a saga do Rubro-Negro.
Já já, estará na sua conta.

Marcus disse...

Esquisito eu? Rapaz, novesfora esta fixação pelo time que um dia ainda vai alcançar, talvez, quem sabe (também torço), glórias semelhantes às do tricolor, tudo aqui é muito bom de se ler.

paulo galo disse...

Nosso agente em Cayman acaba de nos dar ciência da entrada dos recursos, Franciel. Obrigado.
Sua generosidade conosco, Gusmones, é velha conhecida por todos os que por aqui navegam. Pena que entre os nefastos efeitos gerados pela celeridade do ministro Mendes em mandar soltar o tricolor DD, está o da desconfiança pública. Assim, antes que nossos acertos financeiros sejam grampeados e divulgados, informo que parte significativa dos recursos depositados pelo Ingresia em nossa conta serão creditados na conta do Licuri nas Ilhas Virgens, conforme o combinado na calada da noite entre nós, ok?