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segunda-feira, 7 de julho de 2008

9 SEGUNDOS PARA AMAR OU MATAR


Uma equipe da TV Bahia, afiliada local da Rede Globo, estava posicionada hoje de manhã na Praça da Piedade, centro histórico de Salvador, entrevistando transeuntes (puta palavrinha feia, sô!) sobre o triunfo rubro-negro por 2X1 diante da Portuguesa de Desportos, ontem em São Paulo.

Passava a pé e parei quando ouvi a pergunta do repórter: "O que você faria em 9 segundos?". E segui meu caminho, imaginando o que responderia, fosse eu abordado assim, de supetão, no meio da rua.

Cheguei a uma conclusão bastante alinhada com o bom humor instalado na minha pessoa desde ontem, após o apito final do árbitro. Diria sem pestanejar que gastaria esse tempo dizendo bom dia para quem cruzasse meu caminho; ou que diria "eu te amo" para minha mãe; ou ainda, daria passagem para aquele motorista apressado, vítima da esquizofrenia sobre rodas.

Veja você o que uma simples partida de futebol pode fazer na alma de um homem. Nesse caso de ontem, operou uma maravilha que dura muitíssimo mais que os 9 segundos necessários para a construção do gol do Vitória, desde a roubada de bola do Williams (esse menino...) até o chute implacável do Dinei.

Pena que nem sempre é assim, no futebol vence-se com júbilo mas perde-se também, com recomendável resignação. É da natureza do esporte, fazer o quê?

Hoje portanto é dia em que o céu é mais azul, os passarinhos cantam sem parar e a humanidade parece caminhar firmemente para o destino de ser feliz.

Diferentemente do dia em que o brioso rubro-negro baiano, no Baianão desse ano, levou 4 do baêa-a-porra-lá-deles, em pleno Barradão.

Dia seguinte estava eu em Arembepe, visitando sua unidade do Projeto Tamar. Vendo aquelas lindas criaturas de Deus nadando graciosamente nos tanques fui tomado por uma estranha compaixão por aqueles seres e fiquei a imaginá-los refogados com alho poró e servidos com batatas sauté. Os olhos ficaram marejados de emoção e a boca de vontade de devorá-los.

É porisso que definitivamente não confio na avaliação de estados de espírito tomados pela exaltação, por frêmitos de amor ou ódio, por exemplo.

Melhor esperar um pouco mais para saber de quem se trata. Talvez a próxima rodada do Brasileirão revele o exato oposto daquele ser exuberantemente generoso que acaba de alegrar o seu dia.

No caso da torcida do Vitória essa avaliação mais completa pode demorar um pouco mais, talvez até novembro, quando acontecerá a 38ª e última rodada da Série A.

Até lá parece mesmo que vai ter céu azul e muito passarinho cantando.



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