POR OUTRO LADO...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

2 DE JULHO E AS VEIAS ABERTAS DA BAHIA


Semana passada estavamos eu e meu irmão Volney a tomar uma cerveja, acompanhados de um imponenete pirão de mocotó, desses que na Bahia só se fazem em cozinhas que é melhor você não pedir pra conhecer, quando surgiu na esquina -das incontáveis que existem na feira de São Joaquim- o francês Eric, proprietário da Pousada das Flores, uma das muitas "pousadas de chame" instaladas ao longo da rua Direita de Santo Antônio, pequenos hoteis de alto padrão dirigidos para turistas estrangeiros de grande poder aquisitivo e que cansaram da impessoalidade dos hotelões.

Pois bem, conversa vai, pirão vem, perguntei pro Eric o que buscavam na Bahia os turistas que ele hospeda. "Autenticidade", respondeu sem pestanejar. "E onde você recomenda eles irem?", perguntei. "Aqui, por exemplo. Quer lugar melhor que esse pra entender a Bahia e levar no coração uma imagem que só existe aqui ?".

Esse francês é um porreta, pensei. E fomos embora, debaixo de uma chuva capaz de fazer naufragar o Titanic mais uma vez.

Autenticidade. A convicção desse francês naturalizado baiano martelava-me o juízo enquanto subia a ladeira da Água Brusca, como que a me perguntar onde mais era flagrante a vitalidade brejeira do povo da velha cidade da Bahia.

Atrás do trio de Ivete Sangalo? não; dentro do Mercado Modelo? também não; no higienizado Pelourinho? nem fodendo!

Informações culturais pop, plastificadas e com um leve toque local você encontra em qualquer canto do planeta, meu camarada. Inclusive em Salvador.

Mas ver de perto as raízes do lugar, a alma de seu povo, exige despojamento, gosto pelo detalhe e boas informações. Sou um sujeito muito bacana, acredite, e como todo baiano -ainda que naturalizado- adoro apresentar a cidade a quem não a conhece. Vou te dar sete dicas de como levar Salvador no coração quando for a hora de ir embora.

Mas aviso, se o seu barato for comprar "lembrancinhas" e fotografar fachadas, melhor procurar outro lugar pra se informar, ou então comprar um pacote da CVC. Nosso serviço aqui é incompleto, só tratamos de gente e do que essa gente faz de singular, sem máscaras nem pose para fotógrafos.

Assim, vindo à Bahia, nem pense em não conhecer:

Feira de São joaquim - O maior motor cultural da Cidade exala cheiros e cores que você só verá no Oriente. Boxes e mais boxes articulados por uma infraestrutura precária mas que te colocam de cara com os hábitos comerciais, culinários, religiosos e comportamentais de 85% da população soteropolitana. Bom pra passear, comprar frutas, almoçar -tudo com olhos e ouvidos bem abertos, pra entender direitinho como age esse povo no seu cotidiano.

Mudança do Garcia - Tá vindo curtir o carnaval em Salvador, né bonitinha? muito bem, ótima escolha, tem programas de tudo quanto é tipo para todas as idades, gostos musicais etc. Um dos poucos lugares onde é possível reunir todas essas tribos é na segunda-feira, no fim de linha do bairro do Garcia, centro de Salvador. Pequenos trios não ofuscam as batucadas que se multiplicam a cada 50 metros, convidando as mulatas mais gostosas do planeta pro samba. Um ajuntamento de gente saboroso, pacífico e muito animado.

Olodum no Pelô - Em plena sexta-feira de carnaval, o batuque majestoso do Olodum é capaz de deixar qualquer um tonto de emoção. As velhas paredes do lugar ecoam seus poderosos tambores, que põem gringos e baianos pra dançar felizes da vida. Você não vai acreditar como aquilo é bom, pode apostar.

Desfile de 2 de julho - Se vosmecê não sabe, explico: a independência do Brasil só foi consolidada em 2 de julho de 1823, quando mestiços, negros e caboclos venceram o último foco de resistência militar portuguesa, que reunia mais de 11.000 homens fortemente armados. Desde então, o povo da Bahia festeja orgulhosamente essa data, promovendo um desfile cívico-militar repleto de cores e de irreverência, como não podia deixar de ser. Um show de gente interessante e animadamente gregária, que vai lhe surpreender a cada 5 minutos. Destaque especial para as bandas marciais, filarmônicas e fanfarras, uma lindeza à parte.

Festa do Bomfim - É o estado da arte das festas populares de rua do povo de Salvador. Mande um chapéu de palha na cabeça, protetor solar, roupas leves e um tênis confortável. O cortejo religioso percorre 8 quilômetros entre a Igreja da Conceição da Praia e a igreja do santo mais querido do lugar. No caminho, samba, muita alegria e uma pista segura do que lhe espera no Carnaval. Ah, podendo, assista na sexta anterior ou posterior à Lavagem do Bomfim uma missa. A igreja lota e muito da fé híbrida dos baianos é exposta ali, sem rodeios, por muitos que sem alarde também vão às festas dos candomblés da cidade.

Vitória no Barradão - Por todos os lugares onde andei sempre incluí no roteiro a ida a um estádio de futebol, lugar como poucos pra entender a particularidade local de uma paixão mundial que é o futebol. Vindo a Salvador, programe-se pra ver o Vitória demolir as grifes do futebol sul/sudeste maravilha, uma festa pra encher os olhos. Tem também outro time por aqui mas não recomendo, não. Você não veio à Bahia pra ver gente chorando, né?

Xirê na Casa Branca - Ver de perto um ato de fé nos Orixás na casa primordial do candomblé brasileiro é uma experiência inesquecível. O barracão é lindo, como lindas são as danças e os toques de cada uma das divindidades que vão chegando e se manifestando em suas yaôs.

Tem outras dicas, dia desses volto ao assunto, flws? fique com algumas imagens do barroquíssimo desfile de 2 de Julho, que tive a honra de rever ontem após muitos anos.

Inté.


2 comentários:

Anônimo disse...

galo de ouro, tesouro, vc dá por quanto???
não é de agora sei q o senhor é entendido, mas essa do tiro de canhão foi o nó nas tripa. logo logo vô aí, tom´pa um rabo de galo -e é na sua cont6a

paulo galo disse...

Alvinho, meu anônimo predileto:
Pra vc sou capaz até de botar uma grana, só pra lhe ver sorrindo em mais uma tentativa de ereção. Bjs.