POR OUTRO LADO...

terça-feira, 6 de maio de 2008

É NÓIS, MEU REI

O Blog do Galinho completou um ano de vida ontem, 05 de maio. A conquista quase surpreendente do bicampeonato pelo Vitória, no dia anterior, obrigou-me contudo a adiar o anúncio de tão importante acontecimento para o dia seguinte. Humildade, já o disse aqui inúmeras vezes, segue sendo o mais espetacular atributo desse blog e de seu autor.

Vontade de continuar blogando, para o desespero de alguns, deleite de outros, completa indiferença de milhões e milhões de pessoas que entram na net pra bater papo, olhar e-mail’s e pular fora. A blogosfera brasileira espelha os hábitos de leitura e reflexão de nosso país, ou seja, segue sendo um quase nada.

Adoraria que fosse diferente, que o meu blog recebesse milhares e milhares de visitantes, ávidos por opinião e debate. Mas, sinceramente, honrar as visitas que recebo aqui basta para seguir em frente, mantendo as antenas em permanente prontidão, captando informações e devolvendo inquietações.

Deveria agradecer uma penca de gente que me ajudou a contruir esse blog. Mas não o farei, o receio de excluir contribuições vindas de tantas pessoas legais, conhecidas antes do blog e depois da publicação do BG, é maior que a gratidão.

Vou resumir meu sincero “muito obrigado” ao jornalista e blogueiro Marcus Gusmão, autor do saborosamente aflito Licuri. Faço desse velho amigo o mais completo depositário da minha gratidão a todos os que por acaso lerem esse texto e lembrarem-se que um dia foram valiosíssimos por sua audiência, críticas, elogios e sugestões.

Esse puleiro aqui foi minha melhor companhia nos últimos 12 meses. Junto com as corridas e as pedaladas, por supuesto. Num momento de profundas inquietações pessoais, as mais duradouras e vastas dos últimos 45 anos, ensinou-me a dialogar comigo mesmo e estruturar com um pouco mais de cuidado a interlocução com o mundo.

Mediou conflitos, alegrias, tristezas. E trouxe-me a chance de compartilhar, o que continua sendo, a meu juízo, a alma de um blog.

Lamento se não consigo oferecer textos melhores e abordagens mais criativas. Consola-me a certeza de que, como disse a passista da Beija-Flor à TV Globo, após o desfile desse ano no Rio, dou o meu melhor de si. Um gesto de exposição pública e de criação solitária, como toda criação.

Tal manifestação, ainda que carregando seus riscos inerentes, é acima de tudo um ato de imperiosa necessidade de comunicação. Ou de vaidade e exibicionismo, diriam algumas línguas mais peludas e menos tolerantes a filigranas. Paciência, seja por qual motivo for, eu só entendo o que penso quando escrevo. E publico.

Peço que relevem as constantes desatenções e faltas ao trabalho do revisor, o viadinho que nunca falha em deixar passar pequenas e às vezes grandes agressões à norma culta da língua portuguesa. Perdoem, além da negligência tem o fato de que herrar é umano, não é mesmo?

Prosseguirei opinando livre e apaixonadamente, sempre que isso me der na telha e trouxer prazer. Adoro ver a audiência do blog crescer lenta e consistentemente mas não troco a liberdade de escrever sobre o que quero e quando quero pela vontade de ser um hit da internet.. Nem fodendo, tô ligado no que tá rolando por aí mas não abro mão de escolher em tratar ou não de temas de grande interesse popular.

Sobre o cu do Fenômeno, por exemplo; ou a decisão do Professor Natalino em mandar a Bahia inteirinha para a puta-que-a-pariu; ou o caso Isabella; o Investiment Grade dado para o Brasil.

Não que eles não me interessem, por esse ou aquele motivo. Interessam sim. Mas não determinam a dinâmica desse cantinho eletrônico do mundo que é um blog. Aqui só vira pauta o que casa com o momento emocional e intelectual do autor, bem como suas possibilidades materiais de escrita e publicação. Se chegarem todas juntas, beleza, vira post.

Hoje, por exemplo, nada mais caberá senão refletir um pouquinho sobre as dores e sabores do ato de blogar, além de uma sugestão aos que estiverem em Salvador amanhã, 07 de maio.

Ione Papas, baianinha porretíssima, vai se apresentar às 22h no Jequitibar (bar do SESI, no Rio Vermelho), acompanhada por um naipe de músicos do nível de Ivan Bastos, brilhante baixista do Grupo Garagem. Vale muito ver essa notável sambista, radicada há alguns anos em São Paulo, cantar as coisas de Noel Rosa e de outros compositores brasileiros nessa rápida passagem por Salvador. Acabou de lançar seu segundo CD, o ótimo Na Linha do Samba.


Obrigado meninos, obrigado meninas.

Fui. Mas volto.

4 comentários:

Marcus Gusmão disse...

Meu caro Galo,
Crianças e blogs envelhecem muito rapidamente e nos pegam com a boca no velho clichê: parece que foi ontem. Parece que foi ontem que a gente restabeleceu contato graças ao Licuri. E lá se vai mais de um ano.
E blogar é isso meu caro. Restabelecer conexões, fazer novas, jogar mensagens neste tubo mágico. E a cada dia fico mais satisfeito com o meu pequeno coco, com este passeio quase diário que faço pelos textos dos amigos, dos e-amigos e dos desconhecidos.
Parabéns pelo primeiro ano deste nobre puleiro e pelo título de campeão baiano imerecido.
Pena que hoje eu já tenha um compromisso no Picolino, senão iria com prazer rever Ione, nossa Ione do Violão, do pátio ETFBa da nossa adolescência.

ingresia disse...

Deveria falar primeiro com Paulo, pelo aniversário, mas dirijo-me a Marcus para fazer uma fundamental correção: O Brioso Rubro-Negro não ganhou o título de campeão baiano, mas sim de BICAMPEÃO.
Feita a devida e importante correção, o resto tá tudo nos conformes, inclusive esta iniciativa do blog do galinho de nunca seguir a pauta de baboseira da imprensa nacional.
Parabéns, Paulo.

Marcus Gusmão disse...

De fato, o glorioso Vitória chegou ao bi. Mas o título conquistado por um terceiro ou quarto e último critério foi o de campeão.

paulo galo disse...

Gracias, Gusmones.
Gracias, Franciel.