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quarta-feira, 30 de abril de 2008

VALA? BANCO DE AREIA?!

Sempre que posso assisto o Sem Censura, programa de entrevistas da TVE do Rio de Janeiro pilotado por Leda Nagle. Vai ao ar nas tardes de segunda à sexta.

Leda é uma das melhores entrevistadoras da televisão brasileira. Conduz suas entrevistas com notável leveza e precisão, fazendo com que seus convidados sintam-se estimulados a falar, falar, falar.

Reune diariamente numa mesma mesa em torno de seis convidados, cada um falando sobre seus próprios conhecimentos, sem que o bate-papo vire uma zorra confusa e sem foco. Ao contrário, quando um fala os demais passam a comentar ou perguntar, mediados por essa excelente jornalista, VIP da TV Globo nos anos 70 e 80.

Formato jornalístico campeão, sou fanzaço do programa e de sua apresentadora. A pauta surpreendentemente diversificada garante o clima de conversa amena e inteligente, unindo numa mesma roda uma astróloga e um empresário agrícola, por exemplo.

Ontem esteve por lá o ex-surfista profissional e atual profissional dos negócios do surf Rico de Souza. Craque da prancha, Rico é referência, inclusive na internet, para o surf. Diante das câmeras, deu uma aula muito legal sobre marés, ventos, ciclos lunares e outros quetais.

Falou sobre valas e bancos de areia, explicando que as valas (ou marés de retorno) são usadas pelos surfistas para entrar no mar e os bancos de areia para dropar suas ondas, na direção da praia. Uma espécie de avenida expressa situada entre dois bancos de areia, onde a maré faz seu caminho de volta, afastando-se do continente. Uia!

Nunca tinha ouvido essas expressões e fiquei encafifado. Fuçando aqui e ali, descobri que o serviço de Salva-Vidas, nas praias, orienta os banhistas postando suas bandeiras de sinalização na areia, de acordo com as condições gerais das águas (mais ou menos altas) mas, principalmente, pela existências das Valas.

Segundo as estatísticas produzidas pelos corpos salva-vidas espalhados pela costa brasileira, quase 90% dos afogamentos nas praias acontecem nas valas, onde a força da correnteza arrasta qualquer pessoa para longe da praia, a 2 ou 3 metros por segundo. Quando o bonitão ou a bonitinha se dá conta, está a mais de 50 metros da praia e tenta, desesperadamente voltar pelo mesmo caminho. Não consegue porque o mais forte dos nadadores nada a 2 metros por segundo, ou seja, na melhor das hipóteses o sujeito se esfalfa em dar braçadas e mais braçadas e não sai do lugar, até cansar e afogar-se.

A saída, segundo os salva-vidas, é nadar paralelo à praia, até sentir que as águas estão no sentido de aproximação ao continente, por sobre os tais bancos de areia. Hora de voltar pra areia. Vivo.

Portanto, senhoras e senhores, da próxima vez que forem à praia prestem atenção à sinalização. Melhor ainda: batam um papo com a rapaziada salva-vidas sobre como identificar visualmente as valas e os bancos de areia. Não custa nada, os meninos têm bons conhecimentos técnicos sobre o assunto e vão te dar uma aulinha muito legal sobre essas e outras coisas do mar.

É isso, fui. Ah, a ilustração desse post nos tráz dois salva-vidas a postos na praia do Arpoador, Rio de Janeiro, anos 40.

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