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sábado, 19 de abril de 2008

A REINVENÇÃO DA COOPTAÇÃO


Uma das manifestações mais comuns do jogo político, desde que o mundo é mundo e desde que fundaram o PMDB, é o grupo no poder atrair com cargos e outros benefícios outras correntes políticas. Nada de novo ou fundamentalmente errado nisso, principalmente para os profissionais da política, dotados de estômago forte para negociações dessa natureza.

Política se faz com sócios e cada um recebe o que lhe é devido pela proporção conquistada. Tudo certo, pois.

O que começa a me deixar inquieto é o que parece ser a reinvenção desse jogo, em que os menos poderosos parecem astutamente impor como algo da grande política a necessidade dos maiores submeterem-se à alianças onde sua própria matriz ideológica seja diluída. Uia!

Parece muito ser isso o que está acontecendo em Minas, onde Aécio Neves habilmente costura uma aliança com o PT em que só ele, Aécio, terá a ganhar.

Idêntico movimento acontece em Salvador. Imbassahy, cria moderninha do finado ACM, tem sua imagem sendo lapidada para que em algum momento TODAS as candidaturas de esquerda se vejam diante da inevitabilidade de aceitar que o atual presidente do PSDB seja o principal ator das próximas eleições em Salvador.

Diferentemente do tom mais duro usado pelo PT de São Paulo com o PMDB de Orestes Quercia, que está recebendo, nas negociações com Marta Suplicy, o devido tratamento de sócio minoritário, significativamente diferente do tratamento VIP recebido por Geddel Vieira Lima do governador Jaques Wagner.

Antes que a serpente choque seus ovos nessa velha cidade da Bahia, melhor colocar as coisas nos seus devidos lugares. O partido vencedor no estado e no país foi o PT. As propostas aceitas pela população foram as que o PT apresentou.

E por fim, as forças políticas que foram claramente rejeitadas pela população baiana e brasileira são as mesmas que agora se apresentam como ótimas gestoras e paladinas da moralidade -o DEM e o PSDB.

Aliança é necessário e faz bem. O PT demorou muito pra entender isso. Mas não precisa repetir experiências pendulares e mal sucedidas quando o assunto for política de alianças.

Da barriga daquele puta cavalo imenso lá de cima, dado em presente ao povo de Tróia, só saiu morte e dominação.

Melhor ficar esperto.


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