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quinta-feira, 17 de abril de 2008

O DISCURSO DA GESTÃO E AS ELEIÇÕES EM SALVADOR

Luiz Inácio Lula da Silva é o maior nome da política brasileira de todos os tempos. Nunca tive o menor pudor em declarar isso nesse puleiro eletrônico.

Mais que um pau de arara que virou presidente de uma das 10 maiores economias do mundo, Lula fez-se vitorioso ao encarnar o discurso de que o Brasil precisava orientar seu crescimento fazendo da inclusão a mais necessária das bandeiras.

Introduziu, vitoriosa e inexoravelmente, a universalização dos serviços públicos na agenda política do país. Nada e ninguém, a partir de seus dois mandatos, ficará em pé na cena política brasileira sem atender a essa exigência popular.

É fácil entender a lógica popular que consagrou Lula. A população sabe que paga impostos caríssimos mas usa, para julgar as crenças políticas, sociais e conômicas de seu principal governante, o mesmo critério que usa para comprar uma geladeira nas Casas Bahia: o juro é alto mas resolve meu problema e cabe no meu bolso.

E tome Bolsa-Família, tome Fundeb, tome Pronaf, Prouni, Territórios da Cidadania, PAC, Reuni...a lista de programas -muitos deles de alto valor estruturante- é longa e refletem o desejo básico da sociedade brasileira, o de serviços públicos universais e de boa qualidade.

As eleições municipáis de 2008 já trarão na agenda o que deverá ser a grande demanda a ser atendida nas eleições presidenciais de 2010, o salto de qualidade nos serviços públicos. Ou seja, consagrada a percepção popular de que é possível eleger gente comprometida com um padrão de cidadania significativamente superior ao que sempre foi oferecido ao povo brasileiro, a exigência será cada vez maior.

Serão eleitos os candidatos que provarem capacidade de satisfazer essa demandas por serviços melhores.


Teoricamente, a esquerda daria uma lavada na centro-direita brasileira nesses pleitos municipais. Têm a facilidade de posicionarem-se em seus municípios como fiéis depositários do projeto político vitorioso em 2002 e 2006 e nomes óbvios para a gestão dos primos pobres da Federação, as cidades.

Mas não é isso o que vai acontecer na maioria das grandes cidades brasileira. Veja-se o exemplo de Salvador, capital da Bahia.

Antônio Imbassahy, cria política de ACM alçado à presidência do PSDB local, duas vezes prefeito e com ótimos índices de avaliação popular enfrentará uma disputa em que deverá obter uma votação consagradora. E de quebra firmar-se como um nome de peso da política estadual e nacional. A centro-direita moderninha e com cara de gestora competente cabe direitinho no figurino de Imbassahy, muito parecido aliás com o discurso de José Serra, governador de São Paulo.

Parabéns pra ele, pêsames para a velha cidade da Bahia, que vai ganhar mais e mais granito nas ruas e laudatórias reportagens na imprensa.

Contribuirá para isso a velha e enjoada vocação para a derrota da esquerda baiana, às voltas com uma provável pulverização de suas forças e um desembarque tardio e desastroso da gestão João Henrique, atual prefeito da cidade. Os insosssos Pelegrino e Pinheiro disputam a tapas o privilégio de ser o nome do PT a ser esmagado por Imbassahy e Raimundo Varela, este último um comerciante da opinião em cartaz diariamente nas rádios e TV's baianas.

Nas vizinhanças nenhum nome empolga. Olívia Santana, do PC do B, tem as mesmas chances de ser eleita prefeita da Bahia quanto eu de ser governador de Tocantins em em 2010.

O nome da deputada Lídice da Mata, que insiste em manter silêncio sepulcral sobre o assunto, parece ser o único capaz de anunciar-se capaz -se bem apresentado do ponto de vista publicitário- de unir o discurso vitorioso da inclusão representado por Lula e, espera-se, de Wagner, com a postura crível de administradora pública competente.

Na falta de um nome forte enquanto gestor público, como o de José Sérgio Gabrielli, atual presidente da Petrobrás, Lídice ocupa a posição de Davi na luta contra os Golias da política municipal soteropolitana, turbinados que serão pela mídia local, órfã do poder desde a derrota de Paulo Souto e a morte de ACM.

Resumo da ópera: a nova e moderninha direita liberal-privatista vai voltar a pôr um pé no poder executivo baiano por meio de uma vitória esmagadora em outubro próximo se a esquerda baiana não reunir forças em torno de um único nome.

Ingenuidade pensar que ACM Neto, Paulo Souto, Geddel, Imbassahy, Varela e o próprio João Henrique não estarão juntos na hora da onça beber água. Esses homens conhecem e vivem do poder, além de terem a exata noção que política executiva é feita com sócios e que cada um tem que levar a parte que lhe couber.

Essa virtual conquista, anote, é o ovo da serpente que a esquerda assiste, impávida, ser colocada no seu quintal. Vai chorar por isso.

2 comentários:

Alvaro Figueiredo disse...

o q admiro em vc é essa transparência, q muitos podem confundir com inocência, mas trata-se deexperiência temperada com boa dose de profissionalismo paulistano.
bons de trampo, os paulistas ainda não se sagraram, como os baianos, bons de voto.
torçamos.
Eu gostaria de uma chapa Imbassahy-Lidice.
teriamos ação, cidadania e fiscalização, já q miltância, só de esquerda. no centro direita temos é claque.
Agora, o serviço mais relevante do Lula foi, mesmo o decreto em benefício próprio e da marisa, q Mle acaba de promulgar, né não???
e em se tratando de populistas, ainda sou mais getúlio, que além da clt, ainda teve a decência de sair do governo e entrar ´para a história. Esse scheik de Pernambuco, que conhece as prioridades desde o abc, não o fará.
beijundas e bom trabalho, blogueiro

paulo galo disse...

Duvido que minha atitude, alvinho, seja confundida por quem não me conhece como inocente. E tenho certeza de que quem me viu aos 15 anos militando no velho Partidão e depois nas campanhas eleitorais do PT na Bahia e em São Paulo sabe que não carrego a doçura dos homens inocentes . Uma inocência temperada de forte provincianismo é sim a que permite ao amigo querido de tantas farras e décadas afirmar que os os "paulistas ainda não se sagraram, como os baianos, bons de voto".
Graças a deus, Alvinho, os paulistanos, por exemplo, deverão se redimir do equívoco de votar numa chapa no padrão DEM-PSDB e fazer voltar para o banespinha a petista Marta Suplicy.
Como não guardo, repito, esperanças de tornar-me inocente aos 45 anos de idade, aplaudo a profunda renovação política trazida pelo iletrado de Pernambuco, como gostaria muito de fazê-lo, se e quando possível, em relação ao governo Wagner.
O sheick de Pernambuco a que vc se refere -usando o mesmo linguajar desqualificador de um tipo de jornalismo já em franca decadência no resto do mundo e tão claramente representada pela Veja e pela Folha- fez muito mais por esse país, a meu juízo, que todos os esnobes que o antecederam e dilapidaram o patrimônio público e as chances de uma vida digna de sua imensa legião de excluídos. Foi duas vezes eleito e tem índices consagradores de aprovação popular, a despeito da sabujice ou da inocência de jornalistas a seviço dos interesses insatisfeitos de seus patrões.
O Brasil, Alvinho tem tamanho e complexidade que farão com que para muitos anos de trabalho duro sejam necessários para corrigir as tragédias praticadas por gestores com cara de moderninhos e competentes como Serra e Imbassahy.
Mas, torçamos, dia chegará em que veremos um país bastante melhor que o que Lula encontrou em 2003 e Wagner em 2006. Quem sabe até o que Lídice receberá ano que vem, né não??