POR OUTRO LADO...

quarta-feira, 12 de março de 2008

A MÁGICA FÓRMULA DA ORKESTRA RUMPILEZZ


Volta e meia a musica erudita, sinfônica ou não, flerta com a popularíssima percussão. E aí é um tal de orquestra sinfônica tocando com bateria de escola de samba que deus me livre, todo mundo no palco e salve-se quem puder. Nunca se conseguiu fundir numa só sonoridade atabaques com um naipe de sopros, por exemplo.

Quer dizer, não se conseguia, até que a Orkestra Rumpilezz, regida por Letieres Leite e formada por magníficos 15 sopros e 5 percussionistas, resolvesse espetacularmente a questão aqui, na velha cidade da Bahia.

O texto noticioso, anunciando a apresentação do grupo ontem à noite, foi suficientemente instigante para que eu resolvesse me abalar até a Praça Teresa Batista, coração do velho Pelourinho. A informação, irresistivelmente provocadora, dava conta que a Rumpilezz conseguira elaborar sonoridades sofisticadíssimas a partir dos viscerais toques de candomblé e do samba.

Na condição de eterno portador do vírus da esperança, de compulsivo investigador de novidades estéticas, fui ver os caras se apresentarem, trazendo como convidado especial um velho e talentoso baiano chamado Cal do Pandeiro.

Daí por diante, minha cara e minha nobre família baiana, informo que esse texto aqui vai ficar enjoado de verdade pelo abuso da adjetivação, vou logo avisando. Não sou crítico musical, não conheço picas de teoria da música e mal sei segurar um reco-reco. Mas que aqueles caras encontraram uma formulação musical devastadoramente inovadora, isso eu posso garantir que encontraram.

Penso ter entendido o que é ter orgasmos múltiplos, que me fazia até então urrar de dor de cotovelo diante desse segregador privilégio feminino. Tive uma porrada deles ontem à noite.

Letieres e sua rapaziada conseguiram dar um sofisticadíssimo trato jazzístico aos arrebatadores toques de candomblé e do samba-de-roda. Botaram pra conversar animadamente tuba e atabaques, saxofones e surdo, sem que o ouvinte ficasse com a sensação de que o sopro ia prum lado e batuque prum outro. Um escândalo de inovação e rara beleza.

Chique, emocionante, inovador, revolucionário. A Rumpilezz está na estrada a exatos dois anos -só conheci ontem, sniff- e honra as melhores tradições culturais da velha Bahia. Expandiu com notável vigor e qualidade as fronteiras da cena percussiva.

Estarão todas as terças-feiras de março apresentando-se gratuitamente na mesma praça do Pelô. Se você anda de saco cheio dos pracatás (que eu adoro) e das filigranas do jazz (que eu amo), aceite meu conselho: vá ver de perto o que esses incríveis músicos baianos estão fazendo ao misturar as duas coisas. Antes que passem a ser chamados de gênios e você tenha que inventar uma mentirinha praqueles seus amigos do sudeste do Brasil, dizendo que já conhecia o Rumpilezz e tinha certeza de que eles iam bombar.

Aproveitando, dê também um rolê no Pelô. A Secretária da Cultura do Governo Jaques Wagner, de tanto levar porrada das viúvas do carlismo tá doidinha pra fazer gols de placa naquele lugar e a programação tá começando a ficar realmente legal. Vi muita coisa boa rolando por lá ontem, com direito a policiamento e iluminação. Pode ir que o Pelô tá voltando a ser um lugar rico em cultura e entretenimento.

Deixo aí embaixo um aperitivo da Orkestra Rumpilezz pra quem ainda não conhece, flws? pra quem conhece ou ouviu falar e mora em Salvador, é só aparecer na próxima terça 18 pra vê-los com Carlinhos Brown, o convidado da noite.

Ah! Run, Runpi e Lê são os nomes sagrados dos atabaques do candomblé. E Orquestra em grego é Orkestra. Informou o plantão do Blog do Galinho.

ATUALIZAÇÃO: Pra completar a informação acima, Mestre Letieres escreveu-me para assinalar que os dois Z's de RumpileZZ vêm do jaZZ.

4 comentários:

ingresia disse...

Como agora já está aceitando comentário aqui, receba.

Não é querendo me gabar, não, pois minha modéstia impossibilita estes desfrutes, mas, antes de você, já tratei da Rumpilezz no brioso Ingresia.

Maestro, nossos comerciais, por favor.

ingresia disse...

Ah,sim. Eis os comerciais que o maestro boicotou no comentário anterior.

http://ingresia.wordpress.com/2007/10/30/

paulo galo disse...

Franciel,
Percebo mais uma vez, para minha alegria, que temos em nossas almas as mesma doses espetaculares de modéstia e humildade.
Quanto ao belíssimo texto postado no Ingresia, em outubro de 2007, surge na primeira ou segunda página da pesquisa do Google para as chaves Rumpilezz e Orkestra Rumpilezz.
Para além disso, o fato é que estamos de acordo: Letieres é um craque e merece todo o destaque que pudermos proporcionar-lhe. Ontem mesmo, por exemplo, ainda no embalo do entusiasmo da descoberta e da troca de mensagens que mantive com ele, escrevi pro Nassif para relatar o que descobrira. Pretendo fazer o mesmo em relação ao Noblat, que está de férias mas deixou uma rapaziada legal tocando o Blog. Você poderia fazer o mesmo em relação ao Idelber, que é mais chegado a você do que a mim, qwue tal?

Anônimo disse...

venha chorando mas venha
lhe aguardo é na fonte nova
assim q reabra
c não queria, suspenderam bobô,...