POR OUTRO LADO...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

TOMA MADEIRADA, TOMA, TOMA...

O Mercado Municipal da Cantareira, o Mercadão da região da 25 de Março, em São Paulo, tinha acabado de ser entregue pela prefeita Marta Suplicy. Lindo, majestoso, verdadeiramente renascido. Uma homenagem justíssima aos paulistanos e aos antigos comerciantes do local.

Tava lá eu pra conferir a obra e comer sanduíche de mortadela e pastel de bacalhau, não exatamente nessa ordem. Conheci seu Juvenal, um dos mais antigos comerciantes do Mercadão, figura serena e bem humorada.

Do alto dos seus 70 anos de vida e mais de 50 vendendo ali azeitonas, queijos e mais uma porrada de delícias, afirmou estar profundamente decepcionado com a forma autoritária com que a Prefeitura conduziu a reforma do lugar. Segundo ele, os comerciantes simplesmente não foram ouvidos durante a fase de projeto arquitetônico e a conseqüência disso foi o aumento dos custos operacionais dos boxes, na medida em que a limitação de altura para os mesmos os obrigou a locar espaços próximos ao Mercadão para guardar suas mercadorias. Fiquei bolado, não era a primeira vez que ouvia testemunhos dessa natureza, dando conta da boa-fé caminhando de braços dados com o autoritarismo.

O fato é que a belíssima reforma foi feita, o movimento no Mercadão aumentou consideravelmente –beneficiando, naturalmente, seus comerciantes- e, pasme: muita gente falou mal da iniciativa da Prefeita.

Corto pra alguns anos depois. Carnaval 2008 de Salvador, homenageando a Capoeira.

Tem mestre capoeirista falando horrores dessa iniciativa. As críticas vão desde a falta de conhecimento dos gestores públicos para indicar quais mestres seriam indicados para representar o segmento durante as homenagens programadas até o valor oferecido aos mesmos pelos poder público. Uma merreca, segundo eles.

Resultado: os maiores nomes da capoeira da Bahia estiveram ausentes desse momento em que todos os holofotes do Brasil e do mundo voltaram-se para Salvador. Uma oportunidade de comunicação lamentavelmente desperdiçada.

O que tem a ver uma história com a outra?

1) Gerir, seja no campo da iniciativa privada ou do poder público, é aceitar que uns ficarão felizes e outros não. Aplausos e vaias estarão sempre juntas.

2) Os governos de esquerda padecem de crônica falta de qualidade na interlocução com a sociedade civil. Ao assumirem o paradigma do ítem anterior, escamoteiam a necessidade de ouvir pacientemente os cidadãos, tirando daí o suco necessário para a mobilização popular a favor de projetos potencialmente polêmicos.

3) Boa parte da militância de esquerda continua achando que basta o dedo do governador, ou do prefeito, ou do presidente para fazer acontecer tudo aquilo por que se lutou durante décadas. Orçamento, limitações jurídicas, milhões de outros pleitos a contemplar –parece que nada disso é capaz de impor bom senso na cachola de muitos “companheiros”.

4) A maledicência é a mais primitiva das práticas sebosas da alma humana. O comando incompetente o mais perverso.

O governador da Bahia, Jaques Wagner, soprou sua primeira velinha mês passado. Faltam três.

Ou sete, se for capaz de entender que as críticas sempre existirão mas que algumas poderiam ser evitadas, como as que nasceram após a tragédia da Fonte Nova. Gestores competentes, auxiliados por técnicos capazes de iluminar as decisões dos primeiros é o mínimo que se espera de uma administração pública eficaz. Exatamente o que faltou no episódio em que 7 pessoas morreram durante um jogo do Bahia, em dezembro.

Foi que concluiu o inquérito policial e o que denuncia o ex-diretor de operações da Sudesb Nilo Junior, nessa entrevista concedida ontem ao jornal A Tarde.

Erro não é convidar gestores incapazes para o comando de órgãos públicos. Erro é mantê-los empregados, para o azar dos cidadãos e do próprio governo.

Hora de ajustar as velas, Governador. E de reescolher corajosamente rota e tripulação para as próximas navegações. Antes que a Terra de Todos Nós torne-se a Terra de Todos Os Nós.

Transparência e boa vontade não serão suficientes para barrar a volta das sombras ao Governo da Bahia em 2010. Se ligue.

2 comentários:

Marcus Gusmão disse...

Meu velho galo rubro-negro,

entro aqui totalmente off post pra dizer que tenho mais um motivo para não acreditar em pesquisas. Respondi que teria 100% de chances de sair sorrindo do barradão mas sua pesquisa só meu deu 12% de crédito. Sairia, caso fosse de ir ao barradão, gargalhando.
E na sua segunda enquete falta o item "vitória do Bahia sobre o anti-falso-não-pleonasmo ecv" como dos acontecimentos marcantes da humanidade, embora este negócio de ganhar no barracão, digo, barradão, tenha virado uma rotina. Saudações tricolores.

E quanto ao tema capoeira no carnaval, acho que foi uma daquelas belas idéias de gabinete que na prática se tornam inviáveis. Mais porque não empolgou mesmo ou por desinteresse de quem ainda manda de fato no carnaval do que por erro na escolha dos homenageados.

saudações tricolores.
saudações tricolores.
saudações tricolores.
saudações tricolores.
saudações tricolores.

paulo galo disse...

Quanta credulidade incolor, meu deus...