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domingo, 3 de fevereiro de 2008

CARNAVAL E ELEIÇÕES AMERICANAS, PAULISTANAS E SOTEROPOLITANAS

Meninos, meninas: quem passou no Rio Vermelho nesse carnaval e na Festa de Yemanjá certamente ficou encantado, como eu, com a decoração do local. Entre outros elementos, foi amarrada no alto dos postes uma rede de pesca, repleta de peixinhos, conchas, estrelas-do-mar e outras cositas mas.

Bonito, adequado, criativo e de baixo custo. Como é bom ver artistas de grande valor interferindo na paisagem urbana, mesmo que de forma pontual como nesse período de festas populares da Bahia. Inspira, diverte e argumenta criativamente. Show!

Como show também foi a apresentação da fobica elétrica de Armandinho, Dodô&Osmar pelas ruas charmosas desse mesmo Rio Vermelho. Umas versão pocket do triozão, adequado para a limitação de altura imposta pela "rede de pesca" que decorou o lugar.

Uma delícia acompanhar Armandinho e Cia na rua depois de tantos anos. Dancei à beça e fiquei com a agradável sensação de que o tempo não passou, que ainda é possível ser "pipoca" no carnaval da Bahia. Quem me dera que a "repipocarização" e o "descordoamento" dessa festa encontrem no Rio Vermelho, ano que vem, seu melhor palco. E que não se cometa o equívoco de fazer desse bairro-sede da boemia baiana um point do carnaval de dedinho, aquele dedicado exclusivamente para a terceira idade.

A experiência de 2008 merece ser desenvolvida no próximo ano. Os palcos fixos montados para agrupar as tribos compuseram um clima de ecletismo musical, vi boas apresentações de rock e samba de roda. O reggae e o jazz também encontraram espaço para mostrar que o carnaval baiano sempre foi, acima de tudo, um caldeirão generoso na oferta de linguagens musicais. A experiência do Rio Vermelho pode dar muito certo, senhores gestores, tratem dela com carinho, por favor.


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A disputa pela falida Prefeitura de Salvador vai esquentar quando os últimos acordes do carnaval decretarem o fim do curto verão baiano de 2008.

Todas as atenções serão voltadas para ACM Neto e Raimundo Varela. Ambos pertecem ao arco de forças centro-direitistas que até aqui têm no nome do ex-prefeito Antônio Imbassay seu candidato natural. Podem facilitar em muito a vida de Lídice da Mata, nome forte para agrupar as esquerdas baianas.


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Situação análoga vivida em São Paulo, onde o casamento PSDB/DEM pode enfrentar séria crise se os insossos Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab não se entenderem e lançarem candidaturas próprias.

Serra, com o apoio de FHC, joga pesado pela reeleição de Kassab. Apontam Alckmin como candidato da coligação para o Governo do Estado em 2010, quando Serra sairia para a disputa da presidência. Alckmin tem resistido à fortemente à idéia e pode, como Varela e ACM Neto em Salvador, dividir os votos centro-direitistas.

Nesse ínterim, Marta Suplicy surfa confortavelmente nas ondas das pesquisas de intenção de voto e aguarda os desdobramentos do imbroglio PSDB/DEM. Tá bonitinha na foto, a tia Marta.


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Pegando fogo mesmo estão as convenções do Partido Democrata para a escolha do candidato que disputará a sucessão de Bush. Os senadores Barack Obama e Hillary Clinton chegam para a Superterça tecnicamente empatados. Pior para Mrs. Clinton, que vem perdendo terreno para Barack. Veja aqui os dados da pesquisa Gallup que o Idelber Avelar (O Biscoito Fino e a Massa) publicou.

Não dá pra acreditar que a política externa norte-americana sofreria uma mudança estruturante com a eleição de Barack. Taí uma ilusão que não tenho a menor intenção de alimentar.

Mas não é errado dizer que o ímpeto guerreiro e prepotente dos nossos riquíssimos vizinhos do norte sofreria um duro golpe com a eleição do primeiro presidente negro da história daquele país. E aparentemente, os senhores da grana de lá começaram a entender que a eleição do afronegão Barack significa que as mudanças tornaram-se inadiáveis e que o melhor é negociar os termos da transição. Tá começando a chover apoio pro cara, inclusive na grande imprensa.

Se eu fosse um deles, bateria um papo com seus pares no Brasil e da Venezuela. A eleição de Lula é um dos mais espetaculares cases de como negociar com um candidato de esquerda, de forma a preservar o "bom clima para os negócios", o que definitivamente não foi feito com Hugo Chavez.

Negociar civilizadamente -ainda que com dureza- sempre foi a melhor solução para qualquer tipo de impasse, principalmente na política.


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Os pescadores e marisqueiras de Mutá acompanham atentamente a evolução da política paulistana, soteropolitana e norte-americana. Estão muito preocupados com o efeito dessas disputas sobre o quilo do aratu e do papa-fumo.



2 comentários:

Antonio Mendes disse...

Paulo, gostei da análise soteropolitana, apenas não descuide do Janjão Chorão já que Geddel está derramando caminhões de dinheiro...reparou que a 1ª dama sumiu, calou a boca, ninguém viu?
abs,

paulo galo disse...

É verdade, Antonio. E há mais complicações à vista: o PT quer porque quer lançar candidatura própria, aniquilando as chances da candidatura de Lídice consolidar a esquerda na capital baiana.
Mas ainda tem muita água pra rolar debaixo dessa ponte, vamos esperar né? Abraços, obrigado pela visita, volte sempre.