POR OUTRO LADO...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

MUTÁ, DAVIZINHO, DINA DE VAVÁ



Sabedoria ainda passa longe desse aprendiz de blogueiro. Não fosse assim estaria aqui deitando falação sobre os benefícios do jejum, da meditação praticada por horas a fio, dos anos sabáticos –como foi esse 2007 pra mim. Importante, tá legal, há períodos em que as energias precisam de tempo e sossego para se reordenarem e aí, tenha paciência, é um desacontecimento só. Mas passa.

E como não haveria de passar se 2008, segundo alguns, é um ano regido pelo orixá Ogun? Mesmo dando o desconto de que essa é uma velha lenda baiana –ô lugarzinho pra encubar lendas- guardo alegre esperança de que essa mania de atribuir a regência de um ano inteiro a um determinado orixá por conta do dia da semana em que cai o primeiro de janeiro seja abençoada por mágica coincidência.

Ogun é uma divindade realizadora por excelência. Seu amplo patronato vai desde a tecnologia, as atividades miltares e manuais até a agricultura. Senhor da arte metalúrgica, Ogun é um desbravador, homem que abre a golpes de facão os caminhos pelos quais todos irão passar. Nada mau se for realmente dele a batuta para os próximos doze meses, passado esse sabatismo todo que foi 2007 pra mim. Ufa!

Quem sabe não tenha vindo dele a sugestão de encerrar esse aporrinhado 2007 pisando a areia macia de Mutá, vilarejo de sonho que conheço quase desde que comecei a me entender por gente e que fica a meio caminho de Salinas da Margarida, recôncavo baiano.

Estive lá no final de semana que antecedeu o reveillon. Fui no sábado e voltei no domingo à noite, feliz por rever pessoas com quem há muito não proseava. E também por ter conhecido pessoas que se mostraram conhecedoras e tão apaixonadas pelo lugar quanto eu, como o casal Josélio e Carmen, que não satisfeitos por terem comprado a casa de dona Lea, trouxeram amigos, montaram um restaurante e uma pequena indústria de pescados, utilizando a mão de obra das marisqueiras do lugar.

Vi Davizinho de Mutá, líder do grupo de samba-de-roda Barravento, que passou a chamar-se Barlavento recentemente. Ele, mulher, filha, genro e Fia do Pandeiro, personagem deliciosa da vizinha Pirajuía que andou se apresentando nos shows do Barravento tocando, cantando e sambando. Vai fazer festa no dia do seu aniversário, 26 de janeiro. Estarei lá, se Ogun assim o desejar.

Davizinho é uma síntese perfeita daquele povo que fala sorrindo, que samba sorrindo. Como sorria seu Zeca e Dona Mocinha, seus pais. Gente fina, elegante e sincera, como reiteraria Lulu Santos se os conhecesse. Adorei a visita feita à casa dele, mais curta que a merecida. Mas voltarei, ah se voltarei...

Pena que nessa volta não poderei ver mais a ginga de Dona Dina, tocando para seus orixás. Ela morreu em setembro último e levou com ela a versão mutaense do candomblé de caboclo, um conhecimento que recebera de suas ancestrais e não assimilada pela neta, filha do seu único filho, Quinho. Saudades eternas de você, Dina, obrigado por seu carinho, seu mingau, suas moquecas.

Hospedei-me na Ravenala, aconchegante pousada ao lado da Igreja de Santo Antônio, a 30 metros da praia e tocada pelas irmãs Eloisa e Elena (assim mesmo, sem H). Recomendo.

Como recomendo também a moqueca de camarão da Tia Lourdes, tempero delicadíssimo, uma delícia. Mas para evitar surpresas desagradáveis, pergunte antes o preço e a quantidade da porção. Se achar salgado, há outras opções de frutos do mar, como o restaurante de Santos, em Pirajuía, a cinco minutos de carro.

Vá a Mutá e volte revitalizado com os longos passeios na praia, durante a maré baixa; e com os relaxantes banhos de mar, possíveis na maré alta. Tudo de bom se a idéia for começar 2008 sintonizado com a paz, com a suavidade, com a harmonia.

5 comentários:

Franciel disse...

Meu velho,
passei hoje na entrada de Salinas das Margaridas e decidi que ainda neste mês vou seguir seu conselho e perambular por Mutá.
Abraços.

paulo galo disse...

Como seu bom gosto já não me surpreende, Franciel, resta-me torcer para que vc chegue a Mutá sem pressa. E perambule sem pressa também. Rápido ali só aratu em pé de mangue, parceiro.
Se a Bahia é o Brasil levado às últimas consequências, Mutá é a Bahia para além dessas consequências. Macondo é ali.
Beijos.

Eloisa disse...

Oi Paulo
Bem que Mutá poderia ter concorrido a uma das sete maravilhas do mundo moderno, não? rsrs
Abraços

Eloisa e Elena disse...

Paulo, voltei a ler essa "crônica" e quanto mais leio mais gosto, rs. Agradeço o link.
Gabriel deve estar contente com a lembrança do Macondo.
Abraços

Alvaro disse...

sobre conselhos e roteiros, não os dou.folgo em vêlo relaxado e ativo. lembre, este é o ano chinês do rato.
alf