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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

MENINOS AOS 15 ANOS E AS NOVAS FACES DE UMA VELHA CRISE


Há algo de estranho no ar. No ar dos meninos na faixa dos 15 anos, em geral cursando o primeiro ano do ensino médio.

Gostaria muito de acreditar que houve uma notável coincidência mas não dá. Próximos a mim, 4 adolescentes com essas características perderam o ano na escola. Um número que me chamou a atenção por um motivo básico: não são muitos os adolescentes do sexo masculino que tenham em torno de 15, 16 anos com quem eu me relacione. Fiquei encafifado e fiz uma pesquisa rápida sobre o assunto, encontrando uma entrevista feita recentemente pela Folha de São Paulo com um psicólogo norte-americano (leia aqui). Estudioso do comportamento desses adolescentes, ele aponta o viés da agressividade como o mais alarmante sinal de que algo está errado.

Não me cabe concordar ou discordar de teorias como a apresentada por esse psicólogo ou por qualquer outro pesquisador do assunto. Não tenho qualificação técnica para o debate, sequer para vislumbrar as diferenças regionais desse fenômeno.

Apenas sei que a educação dos adolescentes do sexo masculino não está dando conta de suas inquietações. Os índices escolares deles-e o Ministério da Educação já percebeu isso- estão em queda acelerada nos últimos anos.

Não tenho qualificação técnica para o debate, já o disse. Mas xereta eu sou e por assim ser quero sublinhar aqui alguns aspectos comuns às trajetórias desses quatro meninos com quem mais ou menos proximamente convivi nos últimos meses.

1) São filhos de pais superprotetores mas pouco capazes de dialogar afetuosamente com eles, sem partir pra porrada física ou verbal na hora de impor limites.

2) Aliás, dar limites não é a especialidade de nenhum desses pais que conheço. O comportamento deles parece oscilar entre a omissão e o autoritarismo na hora de dizer não aos meninos. E mais: os mimos materiais em forma de tênis, roupas grana e celular parecem não fazer mais frente à necessidade da molecada em vivenciar relacionamentos familiares estruturados. Na verdade, acho que esse escambo nunca funcionou mesmo.

3) Tá bom, pode chamar de platitude, não me importo. Mas cada dia mais me convenço que a trama primordial entre homens e mulheres é tecida em torno de um velho fundamento: mulheres cuidam, homens protegem. Homens sem ter alguém que os ponham no colo e digam "tadiiiinho!" ficam desnorteados, como se faltasse o sopro afetivo vital nos seus cotidianos. Há quem diga que a ausência dos pais, em função de suas jornadas de trabalho cada vez mais longas, está provocando um estrago maior entre os meninos que entre as meninas.

4) Horas e horas e horas e horas de navegação na internet é comum aos quatro casos de que falo aqui. MSN, Orkut e putaria em doses cavalares. Numa hora em que o cara está estreando para a dinâmica comportamental dos próximos anos, com muito sexo (real e virtual), álcool, música trepidante, conteúdo televisivo violento -tudo em alta velocidade. A internet sem limites tá fazendo um estrago monumental na jovem rapaziada, tô convencidinho da silva.

Aparentemente tá mais difícil criar adolescentes agora que a alguns anos atrás. principalmente meninos. É muito fácil apontar culpabilidades paternas, como se pais e mães quisessem ou gostassem de ver seus filhos fracassando nos estudos e/ou reproduzindo comportamentos violentos.

Mas a velha e boa crise da adolescência, recheada de acne e punheta, parece que ganhou novos contornos e eles não são legais, não. Melhor tratarmos de entender direito essa história.

Quem tiver textos ou links sobre o assunto pode mandar pro meu e-mail que eu publico aqui. Comentários, como sempre, são bem vindos.

Fui.

4 comentários:

Marcia disse...

Paulinho,

A crise agora é democrática, ataca a todos.

Nilson disse...

Paulo,
tenho um futuro adolescente em casa. Vou ficar atento a essas constatações!!!

Marcus Gusmão disse...

Há duas crises básicas e brabas:
Crise de autoridade. Tá cada dia mais difícil dizer não. Veja esta propaganda de camisinha http://dmitriivan.wordpress.com/2007/11/20/blog-e-filhos/
e a crise da escola, que tá uma porcaria, seja ela pública (tá podre) ou privada (pagamos caro pelo aerosol bom ar, mas é quase a mesma merda.

Alvaro disse...

mandou bem, Galinho.
Mas como 90% do País, na questão da CPMF, só deu PSDB e o Senado
abs
alf