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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

DEVAGAR COM O ANDOR QUE A SANTA É DE OURO

Fui ver ontem o povo da Casa Branca louvar Oxum. Barracão vestido de dourado para uma festa linda, no mais antigo terreiro de candomblé de que se tem notícia na Bahia.

A Sociedade São Jorge do Engenho Velho ou Ilê Axé Iyá Nassô Oká continua pulsando axé e conhecimento. A idade avançada de Mãe Tatá, Yalorixá de 86 anos de idade, bem como de boa parte de seu corpo de Ogãs, Equedes e Yaôs não tira desse Ilê Axé mais que centenário a condição de casa primordial e ativa do culto jêje-nagô.

Ao contrário. Ver Mãe Tatá e sua Yakekerê, Mãe Nitinha, em suave transe de orixá ontem à noite me encheu coração de alegria e de certezas quanto ao futuro daquela casa. Sua história é o patrimônio que a empurra –lentamente, como convém levar ao lidar com aquelas velhas e lindas senhoras- rumo ao futuro.

A Casa Branca transpira passado, ancestralidade, conhecimentos transmitidos oralmente há muitos séculos. De seu barracão nasceram O Ilê Axé Opô Afonjá e o terreiro do Gantois, só pra falar de dois dos mais famosos. Muitos outras casas de santo nasceram naquele chão sagrado.

Impossível ver Tatá e Nitinha dançando, viradas em Oxum, sem associar seus movimentos vagarosos à capoeira Angola, que se distingue de sua “filha” Regional, entre outras características, exatamente pela cadência mais suave, mais impregnada de manha e aparente lentidão.

A Casa Branca não tem pressa. Sabe bem que caminhar sabiamente para o futuro requer paciência, atenção, zêlo. Não carece de tanto vigor, ainda menos de velocidade.

Não vi Cristina, amiga de décadas e abiã ansiosa por sua iniciação como Yaô. Mas não tem nada não, Maria Cristina: em breve tempo voltarei lá pra te ver brilhando na festa de sua iniciação, resplandescendo no louvor ao seu Orixá. Pode me esperar, estarei lá pra aplaudir você.

2 comentários:

Anônimo disse...

Axé. Sempre e muito.

liliana disse...

Galo, extraordinário e digno ser,

Um feliz Natal e um 2008 maravilhoso.

Beijo e até o ano que vem,
Liliana e Cid