POR OUTRO LADO...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

DESTILARIA DE GENERALIDADES

Acordei excepcionalmente cedo e bem disposto nessa manhã luminosa de quinta-feira, aqui na esquina do paralelo 13 com o meridiano 38, a velha cidade da Bahia. Digo "excepcionalmente" porque, diferentemente de Marcus "Licuri" Gusmão, tenho crônica dificuldade de acordar as 05h:00 da madrugada.

Quando isso acontece demoro mais ou menos uma hora pra alinhar meu movimento de rotação com o do planeta, o que me faz perceber tudo em volta como muito estranho. Mas nem isso impediu-me de calçar o velho tênis desbotado e sair pra correr 40 minutos e fazer um monte de flexões e alongamentos. Como é duro tirar onda de gatinho depois dos 40.

Ainda assim adoro correr. E encho o saco de amigos e desconhecidos sobre a redenção que a atividade física inaugura na vida de uma pessoa. Tudo fica mais fácil, mais rápido, menos cansativo. Uma beleza. E alternando as corridas com as pedaladas então fica melhor que bacon com ovo, como dizia meu amigo Joe.

Pena que minha bike segue quebrada na casa de Carina e Otávio Almeida, aos cuidados de Rivelina, gestora do imóvel e de tudo o que há dentro dele. Perto do apartamento deles, em frente à praia do Buracão, ela resolveu suicidar três raios da roda traseira, que por sua vez não deixou por menos e transformou-se num "oito" de alumínio. No momento em que administro severas restrições orçamentárias, por Júpiter!

Meninos, cuidem bem dela, já-já vou buscá-la, viu?

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O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Salvador será levado a voto na Câmara dos Vereadores nos próximos dias. Com ele, a Soterópolis assistirá um extraordinário boom imobiliário na orla, cujo gabarito será modificado para atender às pressões da indústria da construção civil, que exige a construção daquelas torres enoooooormes, modernosas e com vista permanente para o mar.

Esse será o legado do tal João Henrique, alcáide eleito em 2004. A prefeitura de Salvador virou um frenético balcão de negócios da construção civil e há grandes riscos de que muitas verdes áreas públicas desapareçam do mapa urbano em nome da "necessidade de estimular a economia municipal", como diz o esperto JH.

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Quer conhecer um blog baiano de classe internacional? vai lá no Ingresia (veja o link na barra lateral) e divirta-se com os textos saborosamente corrosivos e as abordagens criativas do Franciel, um cracaço na blogosfera brasileira.

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Às vésperas de completar um ano de governo, Jaques Wagner está diante da necessidade de começar a colocar a pica sobre a mesa e exigir resultados de seus colaboradores, se é que dá pra chamar Bobô e outros muitos de "colaboradores". Estão mais pra coveiros do novo cabeça-branca da Bahia, que deveria aprender com o velho ACM uma das poucas lições positivas que este foi capaz de produzir: a de provar diariamente para o povo da Bahia que o gerente do Palácio de Ondina tem culhões e consegue agir comunicando-se com clareza e riqueza de simbologia. E com firmeza para cobrar realizações de seus assessores, mandando-os para a puta-que-os-pariu se preciso for.

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Segue envolto em densas nuvens o jogo eleitoral de Salvador para as eleições de 2008. Mantenho o palpite dado aqui mesmo alguns meses atrás: restarão na reta final da disputa os nomes de Imbassahy (com o apoio do carlismo), do nefasto João Henrique e o de Lídice da Mata, que deverá ser o nome forte da esquerda a combater por um lado, em bom publicitês, as "sombras do passado" representadas por Imbassahy, ACM Neto & Cia; e a crônica incompetência pública e esperteza privada do atual prefeitinho, por outro lado. Tá bonita na foto, a tia Lídice.

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Excelente a cobertura da TV Educativa da Bahia para a festa de uma das mais queridas Orixás santificadas desse lugar, a Bárbara senhora dos ventos Oyá. Documentários de primeiríssima, ótimas reportagens e belas vinhetas. Senti ali os dedos talentosos de Josias Pires em ação. Menino danado.

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A edição impressa de domingo último (02/12) do jornalão baiano "A Tarde" foi um marco nas relações incestuosas entre o poder público e a imprensa.

Explico. A edição de terça 27 do diário foi um primor de jornalismo, informando e comovendo numa manchete de página inteira sobre o crime da Fonte Nova.

Pois não foi que 5 dias depois o assunto não mereceu sequer menção dominical, quanto mais chamada na capa? simplesmente desapareceu do noticiário, sumiu, escafedeu-se. Uia!

Próxima vez que eu encarnar nesse planetinha de merda quero ser publisher. Adoraria vender meus serviços de formador de opinião pública por um preço bem salgado, quer dizer, justo. Juro que investiria parte dele em atividades filantrópicas, tá?

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Saudade asfixiante da minha neta Sarah.

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Fui.

2 comentários:

Franciel disse...

Paulo,
o elogio ao Ingresia saiu conforme o combinado e eu já depositei o valor acertado em sua conta corrente. Beleza?

paulo galo disse...

Ufa, Fran. Cê acredita que o Gusmão me deu calote outra vez e não depositou os R$5 mil prometidos pela menção? Inda bem que vc mandou sua parte. Já vi que vc é que nem o Idelber, do Biscoito: vai link vem a grana, sem conversa. Gostei.