POR OUTRO LADO...

sábado, 8 de dezembro de 2007

CPMF, MANIFESTO DOS CASTANHOS, A DIETA DO BISPO E OUTROS QUETAIS

Brasília ferve em torno da votação da CPMF, uma criação da dupla PSDB e PFL (DEM) sob império de FHC I, o Chique, para cobrir os rombos orçamentários de suas inesquecíveis gestões e que agora é por eles defenestrado com o argumento de que a carga tributária é escorchante, que o governo gasta prodigamente, que assim não dá e blá, blá, blá...

Nomeações pra cá, emendas parlamentares pra lá, chantagens e ameaças pra lá e pra cá. Ver esse povo –governo e oposição- brandindo ideologia em nome da partilha dessa porrança toda de grana diverte-me ao tempo em que enche-me os culhões . Ao final, vai dar o óbvio: o governo conseguirá aprovar a prorrogação do imposto até 2011 e a maioria dos atores em cena receberá um bom quinhão do muito que lhes toca nesse latifúndio. É gozadíssimo ver essa gente elaborando discurso durante a suruba pra falar de dinheiro –do nosso dinheiro, diga-se.

O genial Millôr foi quem melhor situou questões dessa natureza, tempos atrás. "Se alguém lhe disser que não se trata de uma questão de dinheiro mas de princípios é porque trata-se de uma questão de dinheiro". Talão de cheques e caneta a mãos, pois.


Jacy Sande, perguntada hojede manhã sobre o percentual de fios brancos da minha vasta cabeleira, mandou na hora um “70%!”. Ô mau humor, pensei.

Juro que mal ultrapassa os 50%, o que já não é pouco pra quem tem 44 anos nesse vale de lágrimas. Avaliações percentuais à parte, o fato é que isso não retira de mim a condição de ser um homem castanho.

Tenho olhos castanhos, cabelos predominantemente –insisto- castanhos e pele morena, um tom de castanho. Sou portanto uma pessoa castanha e como tal gostaria -e mesmo exigo- do governo Lula um tratamento adequado, por justo que me parece ser, às pessoas da minha etnia.

Nós, os castanhos, temos sido historicamente injustiçados nesse país. Os brancos eram os donos da Casa Grande, sempre estiveram bonitos na foto; os índios, massacrados aos milhões durante séculos, recebem terras e dinheiro do governo pra viver com suas famílias sossegadamente, investindo o tempo que for necessário para produzir bugigangas artesanais e vender madeira nobre de suas florestas.

Os negros, vítimas históricas do escravagismo e da indiferença de sucessivos governantes e parlamentares, conquistaram direitos importantes como o tratamento dado aos remanescentes dos quilombos e as cotas nas universidades públicas. Falta muito mas houve avanços, é fato.

E aos, sniff, castanhos? Nada, absolutamente porra nenhuma. Nem uma cotinha de merda no ensino superior.

Isso não pode continuar assim, companheiros castanhos! Devemos nos mobilizar nacionalmente para a defesa dos nossos interesses, mesmo que apontados pelos invejosos como falaciosos ou mesmo escusos. Fodam-se, temos o direito de cotas nas universidades também, como não?! O mecanismo pode ser o mesmo dado aos autodeclarados negros: “sou castanho” e pronto, um pezinho na faculdade já estava posto.

Sofrido povo castanho: uni-vos!


O Bispo Capio está hoje no 12º dia de jejum desde que resolveu entrar em greve de fome mais uma vez pra impedir as obras de transposição do Rio São Francisco. Nem um naco de bode assado ou surubim na brasa, nada. Disse que morre se o governo não voltar atrás da decisão de executar a bilionária obra.

Por mais que sejam sérios –embora não unânimes- os estudos que apontem a inconsistência técnica e financeira do projeto do governo federal, não me entra na cachola que essa estratégia do padre seja digna de aplauso ou compaixão. Mais parece um delírio messiânico, um ato extremo de declarado amor à humanidade, inspirado no feito do Cristo.

Gestos políticos dessa ordem -da qual me parece fazer parte a estratégia da ocupação de reitorias pelos estudantes, em luta agora contra o REUNI- parecem-me muito mais atos autoritários que ações democráticas. Enxergo truculência, chantagem e autopromoção onde deveria estar presente o debate vigoroso de idéias.


O Ministério do Meio Ambiente divulgou essa semana dados sobre o desmatamento na amazônia, baseados no monitoramento feito por satélites. Diminuiu pelo terceiro ano consecutivo e registrou um número praticamente igual ao de 1991, em torno de 11 mil km quadrados. Veja a notícia completa do Estadão aqui.

Pena que o PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano) do alcáide-mercador de Salvador, João Henrique, não buscou nas ações vitoriosas da ministra Marina Silva a inspiração para que a velha cidade da Bahia não venha a tornar-se uma metrópole hostil à natureza em poucos anos.

Bundão. Escroque.


Outros já o fizeram aqui em Salvador mas a gravidade do tema impõe que eu publique, ainda que tardiamente, a mesma denúncia: o túnel Américo Simas vai desabar.

Esse fato iminente mobiliza minha consciência cidadã e meu amor à pele> Mais pelo segundo motivo, é claro. Moro no Santo Antônio, precisamente em cima da porra daquele túnel. Quem passa por ali no sentido Vale de Nazaré pode olhar pra cima que verá uma janela vermelha incrustrada numa casa branca. É do quarto que ocupo.

Saibam os leitores desse blog que uma eventual desatualização desse puleiro, associada ao desmoronamento daquele barranco por sobre o túnel, poderá ser o sinal do meu trágico desaparecimento desse vale de lágrimas.

Pêsames poderão ser dirigidos no campo de comentários do último post publicado. Adeus governantes cruéis!

4 comentários:

Marcus Gusmão disse...

Mesmo com esta sua vasta cabeleira prateada como a minha (não vasta mas igualmente prateada) você escapou do item 2 da porra da velhice da maioria dos pobres e mortais. Continua em forma, nem barriga apresenta. Portanto, seu peso não influenciará do desmoronamento do Simas.
Quanto ao bispo, só por encarar o gordo verborrágico do Geddel(o político carlista que tem todos os defeitos de ACM e nenhuma das suas qualidades), já merece o meu apoio. Além do mais odeio gordos tagarelas.
Está mais que comprovado que este projeto é para engordar empreiteira, sim. Fico com o seguinte argumento dos contra-transposição: Se apenas água resolvesse, ribeirinho não passava fome.

cacos meus botoes disse...

Paulo,
Concordo com o caráter demagógico da greve de fome do bispo, no lugar de um diálogo adulto, principalmente por não concordar com o caráter bairrista da maioria dos contra-transposição. Claro q sei q tudo aqui, principalmente obras de grande porte, acabam servindo para engordar o bolso das empreiteiras, claro q sei q nada aqui visa realmente a melhoria de vida das populações pobres, mas a questão é analisar o projeto racionalmente e saber a quem ele vai beneficiar de fato. Mas imaginar Sarney como candidato de Lula ao Senado desmorona qualquer racionalidade. Quanto à sua moradia, aconselho, diante da inoperância do governo estadual e municipal, procurar imediatamente outro abrigo, pois não queremos que o seu blog sucumba nos destroços do túnel, e vc sabe a possibilidade concreta disso. Vida longa ao galinho, que é, literalmente, uma luz no fim do túnel, não exatamente o Américo Simas. Beijo, c.

paulo galo disse...

Acho mesmo que o tom de prata nos cabelos está a tornar-me um conservador, igualzinho aos homens e mulheres prateados da nossa juventude. Que coisa, isso...
Tô de saco cheio da retórica esquerdista do movimento estudantil; da atitude esnobe, preconceituosa e racialista do movimento negro; da preguiça crônica das academias universitárias; de toda e qualquer espécie de messianismo; da gritaria do Ricardo Eletrom, das Casas Bahia e das Lojas Insinuante n televisão; de tanto provincianismo na avaliação das ações -boas e ruins- do estado.
Tô ficando um velho chato, Gusmão e Cris. Não há luz possível nesse fim de túnel prestes a desabar.
Aff..

cacos meus botoes disse...

Afff! A coisa é pior do q imaginava! Que história é esse q não há luz nsse fim do túnel prestes a desabar? Que baixo astral é esse? Não acredito que um blog tão lúcido e necessário como o galinho esteja publicando essas asneiras. Bola pra frente, continue como vc sempre foi, pelo menos desde quando eu conheço seu blog, mas pelamordedeus se muda logo de cima desse túnel. Beijo, c.