POR OUTRO LADO...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

AINDA SOBRE HIENAS

Ulysses Guimarães costumava dizer que política não se faz com o fígado. O ódio, dizia o velho cacique paulista, é fundamental para construir grandes erros.

Lembrei disso hoje, assistindo a repercussão na imprensa da derrota do governo no Senado. As declarações de ministros e parlamentares governistas estavam perfeitamente alinhadas, afirmando em uníssono que a perda não foi do governo mas do país, na medida em que importantes ações que beneficiariam a população -principalmente na área da saúde- e que seriam viabilizadas com os recursos da CPMF, agora terão que ser canceladas.

Vi um Serra atônito agora a pouco no Jornal Nacional, afirmando que o governo não deveria cortar verbas para os estados, por conta da não prorrogação contribuição. O tom de Aécio Neves foi o mesmo.

Fiquei com a impressão que do ponto de vista do marketing político o PSDB e o DEM pagarão caríssimo por essa tentativa de garrote financeiro praticado contra o governo Lula. As consequências da extinção desses recursos serão facilmente debitadas na conta desses líderes da centro-direita brasileira. Uma autêntica vitória de Pirro.

Como fui derrotado pelo meu próprio oráculo no post de 08/12, em que afirmava que o governo faria aprovar a matéria no congresso, recolho meus búzios sobre próximos capítulos da novela CPMF.

Calo a voz do aprendiz de sacerdote mas deixo o publicitário dizer que a vitória de hoje dos Virgílios e Agripinos os farão ranger os dentes em brevíssimo tempo. A sociedade brasileira não vai gostar de saber que o governo faria "isso e aquilo" se tivesse a grana da CPMF no cofre. O governo vai deitar e rolar, quem viver verá.

2 comentários:

cacos meus botoes disse...

Paulo querido,
Delicado comentar sobre "ainda sobre as hienas" partindo da idéia q "o governo faria SE tivesse aprovado a CPMF". Vc deve concordar em malversação do nosso suado dinheirinho, e o quanto sacana foi a manobra de última hora, alegando q toda a arrecadação iria para a saúde. Peraí: não foi pra isso q esse imposto foi criado? E por que não se fez isso sempre? É conversa pra boi dormir arranjarem essa saída de última hora. Cortar gastos e administrar BEM o q se arrecada, qualquer cidadão sensato sabe fazer isso com o seu dinheiro, por que o poder público NUNCA faz?
Anda logo com essa mudança e se muda de cima desse túnel para nossa tranquilidade. Beijo, c.

liliana disse...

Olha, Galo, isso que vc quase disse não faz muito sentido, nem mesmo nesse governo, que nunca fez lá muito sentido.
O governo não pode sair por aí "cantando derrota". Há limites para capitalizar aquilo que não dá certo, mesmo para Lula. Nem em protoditaduras, como a do Chávez, cantar derrota rende apoios. Perdeu, perdeu: enfia a viola no saco e dá um tempo. O mundo não mudou tanto assim — daqui onde estou, as coisas ainda não estão de ponta cabeça.
A oposição também não poderá sair cantando vitória por muito tempo. Vai fazer isso institucionalmente, reforçando bandeira por menos impostos, mas não de fato. Seu limite óbvio é a própria popularidade de Lula (economia bombando) que demanda bem mais do uma votação para deixar de ser um limite óbvio.
O que mais faz sentido é que as lombrigas, de um lado e de outro, se acomodem por um tempo. Depois do Carnaval começam as campanhas, e aí, meu anjo, serão campanhas, como sempre foram.
Saudade, viu? Não pudemos ir. Mas iremos um dia.
Obrigada por mandar o fone novo.
Beijo, Liliana