POR OUTRO LADO...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

UM FELIZ 2008 PRA VOCÊ E PRO MUNDO INTEIRO


Tinha dado por realizado o desejo de expressar aqui meus votos de um feliz 2008 a todos, até descobrir a ilustração acima, uma das disponíveis no blog Mude o Mundo (veja mais clicando aqui). Para ver ampliado basta clicar em cima da imagem.

Se pudesse, abraçaria pessoalmente cada um dos amigos que tenho nesses últimos dias de 2007. Tenho ótimos notivos para amá-los e respeitá-los.

Que Deus os façam felizes, sábios e saudáveis nos próximos 12 meses, 12 anos, 12 décadas.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

OBRIGADO


O Blog do Galinho seguirá em recesso até os primeiros dias de 2008.

Obrigado a todos que por aqui estiveram nesse 2007. Deus ilumine os caminhos de cada um de vocês nesse novo tempo que começa.

Beijos, até breve.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

DEVAGAR COM O ANDOR QUE A SANTA É DE OURO

Fui ver ontem o povo da Casa Branca louvar Oxum. Barracão vestido de dourado para uma festa linda, no mais antigo terreiro de candomblé de que se tem notícia na Bahia.

A Sociedade São Jorge do Engenho Velho ou Ilê Axé Iyá Nassô Oká continua pulsando axé e conhecimento. A idade avançada de Mãe Tatá, Yalorixá de 86 anos de idade, bem como de boa parte de seu corpo de Ogãs, Equedes e Yaôs não tira desse Ilê Axé mais que centenário a condição de casa primordial e ativa do culto jêje-nagô.

Ao contrário. Ver Mãe Tatá e sua Yakekerê, Mãe Nitinha, em suave transe de orixá ontem à noite me encheu coração de alegria e de certezas quanto ao futuro daquela casa. Sua história é o patrimônio que a empurra –lentamente, como convém levar ao lidar com aquelas velhas e lindas senhoras- rumo ao futuro.

A Casa Branca transpira passado, ancestralidade, conhecimentos transmitidos oralmente há muitos séculos. De seu barracão nasceram O Ilê Axé Opô Afonjá e o terreiro do Gantois, só pra falar de dois dos mais famosos. Muitos outras casas de santo nasceram naquele chão sagrado.

Impossível ver Tatá e Nitinha dançando, viradas em Oxum, sem associar seus movimentos vagarosos à capoeira Angola, que se distingue de sua “filha” Regional, entre outras características, exatamente pela cadência mais suave, mais impregnada de manha e aparente lentidão.

A Casa Branca não tem pressa. Sabe bem que caminhar sabiamente para o futuro requer paciência, atenção, zêlo. Não carece de tanto vigor, ainda menos de velocidade.

Não vi Cristina, amiga de décadas e abiã ansiosa por sua iniciação como Yaô. Mas não tem nada não, Maria Cristina: em breve tempo voltarei lá pra te ver brilhando na festa de sua iniciação, resplandescendo no louvor ao seu Orixá. Pode me esperar, estarei lá pra aplaudir você.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

AINDA SOBRE HIENAS

Ulysses Guimarães costumava dizer que política não se faz com o fígado. O ódio, dizia o velho cacique paulista, é fundamental para construir grandes erros.

Lembrei disso hoje, assistindo a repercussão na imprensa da derrota do governo no Senado. As declarações de ministros e parlamentares governistas estavam perfeitamente alinhadas, afirmando em uníssono que a perda não foi do governo mas do país, na medida em que importantes ações que beneficiariam a população -principalmente na área da saúde- e que seriam viabilizadas com os recursos da CPMF, agora terão que ser canceladas.

Vi um Serra atônito agora a pouco no Jornal Nacional, afirmando que o governo não deveria cortar verbas para os estados, por conta da não prorrogação contribuição. O tom de Aécio Neves foi o mesmo.

Fiquei com a impressão que do ponto de vista do marketing político o PSDB e o DEM pagarão caríssimo por essa tentativa de garrote financeiro praticado contra o governo Lula. As consequências da extinção desses recursos serão facilmente debitadas na conta desses líderes da centro-direita brasileira. Uma autêntica vitória de Pirro.

Como fui derrotado pelo meu próprio oráculo no post de 08/12, em que afirmava que o governo faria aprovar a matéria no congresso, recolho meus búzios sobre próximos capítulos da novela CPMF.

Calo a voz do aprendiz de sacerdote mas deixo o publicitário dizer que a vitória de hoje dos Virgílios e Agripinos os farão ranger os dentes em brevíssimo tempo. A sociedade brasileira não vai gostar de saber que o governo faria "isso e aquilo" se tivesse a grana da CPMF no cofre. O governo vai deitar e rolar, quem viver verá.

HUMILDADE DIANTE DE HIENAS

O governo Lula sofreu importante derrota no Senado, noite passada, ao não conseguir prorrogar a cobrança da CPMF até 2011.

Uma decisão que gerará consequências econômicas ruins para o governo, no curto prazo. Mas que poderá reoxigenar sua atuação no parlamento e na convivência com os governadores de todos os partidos, unânimes na defesa do imposto. Os poderes executivos perderam para o Senado brasileiro.

É possível que estejam certos os analistas que afirmam que faltou humildade aos homens do governo na hora de negociar. Ou mesmo incapacidade política para avaliar quanto e quando teria que ser cedido para que, perdidos alguns anéis, restassem os dedos.

Pode ser. A esquerda é arrogante sim, tem grande dificuldade de dialogar. Mas não é demais lembrar que do outro lado do balcão tinha gente disposta a inviabilizar de qualquer maneira um governo vitorioso nas urnas e que ainda ontem exibiu outra fornada de números exuberantes na economia (PIB do 3º trimestre) e na avaliação pública (pesquisa Ibope). O jogo é duro mesmo e o Senado reúne os mais figadais opositores do governo no Congresso Nacional.

Inviabiliza-se uma negociação pelo uso da arrogância, é claro. O mesmo vale, é bom lembrar, quando a má vontade política caminha ao lado da ganância desmedida- ora de mãos dadas, ora não, com essa mesma má vontade. A chantagem é arma contumaz dessa gente que no poder não hesitou em atropelar a tudo e a todos que no seu caminho se interpusesse.

O governo aparentemente não cedeu às chantagens. Mas cedeu à miopia da má avaliação da correlação das forças.

Nem tudo são flôres murchas, porém. A CPMF deverá voltar à pauta do Senado em 90 dias, destacada ou no bojo de uma Reforma Tributária. No calor dos acontecimentos de ontem, parece ser a segunda a hipótese mais provável. E a mais necessária para o país.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

MENINOS AOS 15 ANOS E AS NOVAS FACES DE UMA VELHA CRISE


Há algo de estranho no ar. No ar dos meninos na faixa dos 15 anos, em geral cursando o primeiro ano do ensino médio.

Gostaria muito de acreditar que houve uma notável coincidência mas não dá. Próximos a mim, 4 adolescentes com essas características perderam o ano na escola. Um número que me chamou a atenção por um motivo básico: não são muitos os adolescentes do sexo masculino que tenham em torno de 15, 16 anos com quem eu me relacione. Fiquei encafifado e fiz uma pesquisa rápida sobre o assunto, encontrando uma entrevista feita recentemente pela Folha de São Paulo com um psicólogo norte-americano (leia aqui). Estudioso do comportamento desses adolescentes, ele aponta o viés da agressividade como o mais alarmante sinal de que algo está errado.

Não me cabe concordar ou discordar de teorias como a apresentada por esse psicólogo ou por qualquer outro pesquisador do assunto. Não tenho qualificação técnica para o debate, sequer para vislumbrar as diferenças regionais desse fenômeno.

Apenas sei que a educação dos adolescentes do sexo masculino não está dando conta de suas inquietações. Os índices escolares deles-e o Ministério da Educação já percebeu isso- estão em queda acelerada nos últimos anos.

Não tenho qualificação técnica para o debate, já o disse. Mas xereta eu sou e por assim ser quero sublinhar aqui alguns aspectos comuns às trajetórias desses quatro meninos com quem mais ou menos proximamente convivi nos últimos meses.

1) São filhos de pais superprotetores mas pouco capazes de dialogar afetuosamente com eles, sem partir pra porrada física ou verbal na hora de impor limites.

2) Aliás, dar limites não é a especialidade de nenhum desses pais que conheço. O comportamento deles parece oscilar entre a omissão e o autoritarismo na hora de dizer não aos meninos. E mais: os mimos materiais em forma de tênis, roupas grana e celular parecem não fazer mais frente à necessidade da molecada em vivenciar relacionamentos familiares estruturados. Na verdade, acho que esse escambo nunca funcionou mesmo.

3) Tá bom, pode chamar de platitude, não me importo. Mas cada dia mais me convenço que a trama primordial entre homens e mulheres é tecida em torno de um velho fundamento: mulheres cuidam, homens protegem. Homens sem ter alguém que os ponham no colo e digam "tadiiiinho!" ficam desnorteados, como se faltasse o sopro afetivo vital nos seus cotidianos. Há quem diga que a ausência dos pais, em função de suas jornadas de trabalho cada vez mais longas, está provocando um estrago maior entre os meninos que entre as meninas.

4) Horas e horas e horas e horas de navegação na internet é comum aos quatro casos de que falo aqui. MSN, Orkut e putaria em doses cavalares. Numa hora em que o cara está estreando para a dinâmica comportamental dos próximos anos, com muito sexo (real e virtual), álcool, música trepidante, conteúdo televisivo violento -tudo em alta velocidade. A internet sem limites tá fazendo um estrago monumental na jovem rapaziada, tô convencidinho da silva.

Aparentemente tá mais difícil criar adolescentes agora que a alguns anos atrás. principalmente meninos. É muito fácil apontar culpabilidades paternas, como se pais e mães quisessem ou gostassem de ver seus filhos fracassando nos estudos e/ou reproduzindo comportamentos violentos.

Mas a velha e boa crise da adolescência, recheada de acne e punheta, parece que ganhou novos contornos e eles não são legais, não. Melhor tratarmos de entender direito essa história.

Quem tiver textos ou links sobre o assunto pode mandar pro meu e-mail que eu publico aqui. Comentários, como sempre, são bem vindos.

Fui.

sábado, 8 de dezembro de 2007

CPMF, MANIFESTO DOS CASTANHOS, A DIETA DO BISPO E OUTROS QUETAIS

Brasília ferve em torno da votação da CPMF, uma criação da dupla PSDB e PFL (DEM) sob império de FHC I, o Chique, para cobrir os rombos orçamentários de suas inesquecíveis gestões e que agora é por eles defenestrado com o argumento de que a carga tributária é escorchante, que o governo gasta prodigamente, que assim não dá e blá, blá, blá...

Nomeações pra cá, emendas parlamentares pra lá, chantagens e ameaças pra lá e pra cá. Ver esse povo –governo e oposição- brandindo ideologia em nome da partilha dessa porrança toda de grana diverte-me ao tempo em que enche-me os culhões . Ao final, vai dar o óbvio: o governo conseguirá aprovar a prorrogação do imposto até 2011 e a maioria dos atores em cena receberá um bom quinhão do muito que lhes toca nesse latifúndio. É gozadíssimo ver essa gente elaborando discurso durante a suruba pra falar de dinheiro –do nosso dinheiro, diga-se.

O genial Millôr foi quem melhor situou questões dessa natureza, tempos atrás. "Se alguém lhe disser que não se trata de uma questão de dinheiro mas de princípios é porque trata-se de uma questão de dinheiro". Talão de cheques e caneta a mãos, pois.


Jacy Sande, perguntada hojede manhã sobre o percentual de fios brancos da minha vasta cabeleira, mandou na hora um “70%!”. Ô mau humor, pensei.

Juro que mal ultrapassa os 50%, o que já não é pouco pra quem tem 44 anos nesse vale de lágrimas. Avaliações percentuais à parte, o fato é que isso não retira de mim a condição de ser um homem castanho.

Tenho olhos castanhos, cabelos predominantemente –insisto- castanhos e pele morena, um tom de castanho. Sou portanto uma pessoa castanha e como tal gostaria -e mesmo exigo- do governo Lula um tratamento adequado, por justo que me parece ser, às pessoas da minha etnia.

Nós, os castanhos, temos sido historicamente injustiçados nesse país. Os brancos eram os donos da Casa Grande, sempre estiveram bonitos na foto; os índios, massacrados aos milhões durante séculos, recebem terras e dinheiro do governo pra viver com suas famílias sossegadamente, investindo o tempo que for necessário para produzir bugigangas artesanais e vender madeira nobre de suas florestas.

Os negros, vítimas históricas do escravagismo e da indiferença de sucessivos governantes e parlamentares, conquistaram direitos importantes como o tratamento dado aos remanescentes dos quilombos e as cotas nas universidades públicas. Falta muito mas houve avanços, é fato.

E aos, sniff, castanhos? Nada, absolutamente porra nenhuma. Nem uma cotinha de merda no ensino superior.

Isso não pode continuar assim, companheiros castanhos! Devemos nos mobilizar nacionalmente para a defesa dos nossos interesses, mesmo que apontados pelos invejosos como falaciosos ou mesmo escusos. Fodam-se, temos o direito de cotas nas universidades também, como não?! O mecanismo pode ser o mesmo dado aos autodeclarados negros: “sou castanho” e pronto, um pezinho na faculdade já estava posto.

Sofrido povo castanho: uni-vos!


O Bispo Capio está hoje no 12º dia de jejum desde que resolveu entrar em greve de fome mais uma vez pra impedir as obras de transposição do Rio São Francisco. Nem um naco de bode assado ou surubim na brasa, nada. Disse que morre se o governo não voltar atrás da decisão de executar a bilionária obra.

Por mais que sejam sérios –embora não unânimes- os estudos que apontem a inconsistência técnica e financeira do projeto do governo federal, não me entra na cachola que essa estratégia do padre seja digna de aplauso ou compaixão. Mais parece um delírio messiânico, um ato extremo de declarado amor à humanidade, inspirado no feito do Cristo.

Gestos políticos dessa ordem -da qual me parece fazer parte a estratégia da ocupação de reitorias pelos estudantes, em luta agora contra o REUNI- parecem-me muito mais atos autoritários que ações democráticas. Enxergo truculência, chantagem e autopromoção onde deveria estar presente o debate vigoroso de idéias.


O Ministério do Meio Ambiente divulgou essa semana dados sobre o desmatamento na amazônia, baseados no monitoramento feito por satélites. Diminuiu pelo terceiro ano consecutivo e registrou um número praticamente igual ao de 1991, em torno de 11 mil km quadrados. Veja a notícia completa do Estadão aqui.

Pena que o PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano) do alcáide-mercador de Salvador, João Henrique, não buscou nas ações vitoriosas da ministra Marina Silva a inspiração para que a velha cidade da Bahia não venha a tornar-se uma metrópole hostil à natureza em poucos anos.

Bundão. Escroque.


Outros já o fizeram aqui em Salvador mas a gravidade do tema impõe que eu publique, ainda que tardiamente, a mesma denúncia: o túnel Américo Simas vai desabar.

Esse fato iminente mobiliza minha consciência cidadã e meu amor à pele> Mais pelo segundo motivo, é claro. Moro no Santo Antônio, precisamente em cima da porra daquele túnel. Quem passa por ali no sentido Vale de Nazaré pode olhar pra cima que verá uma janela vermelha incrustrada numa casa branca. É do quarto que ocupo.

Saibam os leitores desse blog que uma eventual desatualização desse puleiro, associada ao desmoronamento daquele barranco por sobre o túnel, poderá ser o sinal do meu trágico desaparecimento desse vale de lágrimas.

Pêsames poderão ser dirigidos no campo de comentários do último post publicado. Adeus governantes cruéis!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

DESTILARIA DE GENERALIDADES

Acordei excepcionalmente cedo e bem disposto nessa manhã luminosa de quinta-feira, aqui na esquina do paralelo 13 com o meridiano 38, a velha cidade da Bahia. Digo "excepcionalmente" porque, diferentemente de Marcus "Licuri" Gusmão, tenho crônica dificuldade de acordar as 05h:00 da madrugada.

Quando isso acontece demoro mais ou menos uma hora pra alinhar meu movimento de rotação com o do planeta, o que me faz perceber tudo em volta como muito estranho. Mas nem isso impediu-me de calçar o velho tênis desbotado e sair pra correr 40 minutos e fazer um monte de flexões e alongamentos. Como é duro tirar onda de gatinho depois dos 40.

Ainda assim adoro correr. E encho o saco de amigos e desconhecidos sobre a redenção que a atividade física inaugura na vida de uma pessoa. Tudo fica mais fácil, mais rápido, menos cansativo. Uma beleza. E alternando as corridas com as pedaladas então fica melhor que bacon com ovo, como dizia meu amigo Joe.

Pena que minha bike segue quebrada na casa de Carina e Otávio Almeida, aos cuidados de Rivelina, gestora do imóvel e de tudo o que há dentro dele. Perto do apartamento deles, em frente à praia do Buracão, ela resolveu suicidar três raios da roda traseira, que por sua vez não deixou por menos e transformou-se num "oito" de alumínio. No momento em que administro severas restrições orçamentárias, por Júpiter!

Meninos, cuidem bem dela, já-já vou buscá-la, viu?

***

O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Salvador será levado a voto na Câmara dos Vereadores nos próximos dias. Com ele, a Soterópolis assistirá um extraordinário boom imobiliário na orla, cujo gabarito será modificado para atender às pressões da indústria da construção civil, que exige a construção daquelas torres enoooooormes, modernosas e com vista permanente para o mar.

Esse será o legado do tal João Henrique, alcáide eleito em 2004. A prefeitura de Salvador virou um frenético balcão de negócios da construção civil e há grandes riscos de que muitas verdes áreas públicas desapareçam do mapa urbano em nome da "necessidade de estimular a economia municipal", como diz o esperto JH.

***

Quer conhecer um blog baiano de classe internacional? vai lá no Ingresia (veja o link na barra lateral) e divirta-se com os textos saborosamente corrosivos e as abordagens criativas do Franciel, um cracaço na blogosfera brasileira.

***

Às vésperas de completar um ano de governo, Jaques Wagner está diante da necessidade de começar a colocar a pica sobre a mesa e exigir resultados de seus colaboradores, se é que dá pra chamar Bobô e outros muitos de "colaboradores". Estão mais pra coveiros do novo cabeça-branca da Bahia, que deveria aprender com o velho ACM uma das poucas lições positivas que este foi capaz de produzir: a de provar diariamente para o povo da Bahia que o gerente do Palácio de Ondina tem culhões e consegue agir comunicando-se com clareza e riqueza de simbologia. E com firmeza para cobrar realizações de seus assessores, mandando-os para a puta-que-os-pariu se preciso for.

***

Segue envolto em densas nuvens o jogo eleitoral de Salvador para as eleições de 2008. Mantenho o palpite dado aqui mesmo alguns meses atrás: restarão na reta final da disputa os nomes de Imbassahy (com o apoio do carlismo), do nefasto João Henrique e o de Lídice da Mata, que deverá ser o nome forte da esquerda a combater por um lado, em bom publicitês, as "sombras do passado" representadas por Imbassahy, ACM Neto & Cia; e a crônica incompetência pública e esperteza privada do atual prefeitinho, por outro lado. Tá bonita na foto, a tia Lídice.

***

Excelente a cobertura da TV Educativa da Bahia para a festa de uma das mais queridas Orixás santificadas desse lugar, a Bárbara senhora dos ventos Oyá. Documentários de primeiríssima, ótimas reportagens e belas vinhetas. Senti ali os dedos talentosos de Josias Pires em ação. Menino danado.

***

A edição impressa de domingo último (02/12) do jornalão baiano "A Tarde" foi um marco nas relações incestuosas entre o poder público e a imprensa.

Explico. A edição de terça 27 do diário foi um primor de jornalismo, informando e comovendo numa manchete de página inteira sobre o crime da Fonte Nova.

Pois não foi que 5 dias depois o assunto não mereceu sequer menção dominical, quanto mais chamada na capa? simplesmente desapareceu do noticiário, sumiu, escafedeu-se. Uia!

Próxima vez que eu encarnar nesse planetinha de merda quero ser publisher. Adoraria vender meus serviços de formador de opinião pública por um preço bem salgado, quer dizer, justo. Juro que investiria parte dele em atividades filantrópicas, tá?

***

Saudade asfixiante da minha neta Sarah.

***

Fui.

domingo, 2 de dezembro de 2007

JUIZ CONDENA COTAS PARA NEGROS EM S. CATARINA

Essa notícia, enviada pra mim por Jacy Sande na última sexta, chega no momento em que o escritor baiano, mestre em sociologia, Antônio Risério lança em Salvador seu novo trabalho "A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros", nesta segunda-feira, 3.

Um debate sobre a questão racial brasileira, o livro discorda de alguns argumentos dos movimentos negros, e revela perspectivas insuspeitadas para a compreensão da realidade brasileira.

O evento acontece na livraria Tom do Saber (Rio Vermelho), das 19 às 21 horas, com entrada franca.

Não há quem me convença de que o regime de cotas nas universidades públicas para pessoas autodeclaradas negras seja uma política pública justa. E a outras pessoas também, como o juiz federal que prolatou a sentença noticiada a seguir.


Juiz diz que cota para negro é ilegal e concede igualdade a branco em vestibular

A Justiça Federal de Santa Catarina garantiu a um candidato branco ao curso de geografia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) o direito de concorrer a todas as vagas no próximo vestibular, incluídas aquelas destinadas aos candidatos negros.

O juiz Carlos Alberto da Costa Dias, da 2ª Vara Federal de Florianópolis, em decisão desta quinta-feira (29/11), considerou que a reserva de vagas prevista em resolução do conselho universitário da instituição e no edital do vestibular viola o princípio constitucional da igualdade. A sentença tem efeitos apenas em relação ao autor da ação e a UFSC pode recorrer. Procurada, a universidade não tinha conhecimento da decisão até o momento, mas deve se manifestar ainda nesta sexta (30).

O estudante entrou com um mandado de segurança contra a UFSC alegando que a reserva de vagas estabelecida em normas da universidade é ilegal e abusiva.

Na UFSC, 30% das vagas do próximo vestibular terão destinação previamente definida —20% para candidatos que tenham cursado o ensino fundamental e médio integralmente em escolas públicas e 10% para candidatos auto declarados negros, que também não tenham cursado escolas privadas. Para o magistrado, a distinção é contrária à Constituição. "A supressão de vagas ao 'não-negro' viola o princípio constitucional da igualdade, sem que haja real fator para privilegiar o denominado 'negro', em detrimento do denominado 'não-negro'", afirmou.

Segundo ele, não é possível identificar com precisão quem é negro no Brasil. "Diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos da América, a miscigenação entre os denominados 'brancos' e 'negros' torna a identificação por fenótipo absolutamente inconsistente", argumenta.

Além disso, "o processo seletivo americano não é baseado constitucionalmente no princípio da igualdade de condições para o acesso e permanência na escola", havendo seleção de candidatos com aptidão para determinados esportes, por exemplo. "Se há dívida social —como de fato há— não é exclusivamente com o negro, mas com toda a universalidade dos que estejam socialmente em desvantagem", diz o juiz.

Ainda segundo o magistrado, o maior obstáculo ao acesso do negro ao ensino superior não seria a condição de negro, "mas o fato de o ensino público anterior ao vestibular ser de má-qualidade e a sua condição social, eventualmente, não possibilitar dedicação maior aos estudos, ou outros fatores que devem ser melhor estudados e debatidos".

Na sentença, ele entende que é possível eleger um grupo de pessoas a fim de diminuir desigualdades sociais, como é o caso do percentual de vagas para portadores de deficiência em concursos públicos. Isso porque, o fator "deve ser pertinente, guardar relação de causa e efeito, ser determinante, explicar o motivo por que se considera aquele grupo ou categoria inferior".