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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

SODA, SOLVENTE, SILICONE E O CU DO PADRE


Só os loucos restam crédulos nesse começo de século XXI. Os loucos e os néscios, melhor dizendo.

Vivemos tempos de desrealidade, nada é exatamente o que parece ser e eu não tenho a menor idéia pra onde isso nos levará.

As mulheres tornaran-se louras, têm cabelos lisos e muitas próteses na bunda e nos peitos. Legal o efeito, fake mas bonito.

O leite de caixinha tem soda cáustica e água oxigenada; a gasolina, solvente e álcool em excesso.

O padre Lancelotti, ícone da responsabilidade social e da abnegação para o resgate de menores em situação de risco em São Paulo, foi vítima de um caso extorsão que não o livrará de prestar contas da origem do dinheiro utilizado nesse episódio. O que ele fez ou faz do seu fiofó é assunto dele mas o que ele faz com o dinheiro confiado em boa-fé por tantas pessoas me interessa saber. Talvez até pra ter a certeza de que esse é mais um exemplo de que a Second Life é muito mais que uma vivência eletrônica de entretenimento. Mais correto seria chamar-se The Life.

O filósofo francês Michel Lacroix, em seu ótimo "O Culto da Emoção", lançado na França em 2001 e no Brasil em 2006, dá pistas preciosas para o entendimento desse cipoal de fantasias, a nos ensinar diariamente que a descrença é o único antídoto eficaz contra tanta desinformação.

Tempos de emoções trepidantes, de inquietação e histeria. A cobertura jornalística está impregnada de perseguição por fatos ou "opiniões" ofegantes; o esporte, o cinema e as festas organizadas de forma a oferecer abundantes doses de emoções e mais emoções. O prazer virou sinônimo de coração sacudido e a contemplação foi pro bebeleú, sentimento anacrônico e de pouca valia quando se está nas ruas exposto ao bombardeio de informações visuais nas fachadas comerciais e outdoors.

Vida destrambelhada, sô. Efervescete, alucinante, vivida em segundos. Tudo é flash e as convicções não resistem às horas, um duro golpe para as pessoas da minha geração, crescidas cultivando a crença no socialismo e no destino do homem em ser feliz.

O poeta atirou no que viu e acertou no que não viu, ele estava certo ao afirmar que "logo eu que cri que não crer era o vero crer". É isso mesmo, parceiro, desacreditar é a única forma possível de crer em alguma coisa.

Volto depois pra falar disso com mais tempo. Por ora, melhor deixar passar essa vontade louca de ir embora pra Mutá e viver da pesca e do marisco. Desplugado, of course.

Inté.

3 comentários:

cacos meus botoes disse...

Paulo,
Cheguei ao seu blog através do Licuri, gostei muito do que vi, e sobre o padre Lancelotti, que coisa inacreditável, né? Adorei seu post, realmente, não interessa a preferencia sexual dele, mas de onde veio tanto dinheiro (falam em 600 mil reais, é muita grana!). Sobre a pressa da implosão da Fonte Nova, nem me fale! Parece q é mal de todo político obras faraônicas, desde os tempos dos faraós! Q destino trágico esse nosso! Parabéns pelo blog, vou continuar visitando e indicá-lo no meu. Abraço, Christiana Fausto.

paulo galo disse...

Chris,

Gostei muito de você e dos seus botões. Estão todos devidamente linkados no blogroll do BG, uma honra pra mim.
Quanto ao tratamento dado pela imprensa ao caso J.Lancelotti, é mais do mesmo: abordagem preconceituosa, sensacionalista e aligeirada. Cada um que cuide do seu furico, eu quero saber é de onde veio essa grana toda que o padre diz ter dado aos marginais para evitar escândalos. Como se viado em Igreja Católica e terreiro de candomblé fosse capaz de provocar espanto, uia!
Beijos pra você, viu?

lindinha Fe disse...

meus parabens!!! rs