POR OUTRO LADO...

terça-feira, 20 de novembro de 2007

POR QUÊ O REUNI INCOMODA TANTO A ACADEMIA?


Segue dando quilômetros de panos pra manga a implantação do programa REUNI do Ministério da Cultura. As entidades representativas dos professores universitários mostram-se frontalmente contrárias a essa política pública do governo Lula. O movimento estudantil, alinhado com os professores, fez da ocupação física das reitorias uma estratégia nacional de resistência ao REUNI.

Aqui na Bahia os estudantes foram forçados pela Polícia Federal a abandonar a sede da UFBA, após mais de um mês de ocupação. O pedido de reintegração de posse foi feita pela reitoria da instituição e o cumprimento do mandado judicial gerou confrontos com os estudantes. Segundo eles, houve truculência por parte da força policial e há ameaça de jubilamento dos alunos envolvidos na ação de ocupação por parte do reitor Naomar Almeida Filho.

Duvido muito que o Reitor Naomar faça uso da retaliação contra esses estudantes, fazendo uso de medidas administrativas extremas diante de um assunto que é iminentemente político. Como duvido também que os estudantes foram "violentamente agredidos" durante a ocupação, a menos que empurrão e condução enérgica possam ser entendidos como selvageria. A polícia estava ali para cumprir um mandado judicial e os estudantes dispostos a não sair. Por Netuno, não se resolveria o impasse na base do "por favor, cidadão estudante, queira fazer a gentileza de desocupar esse prédio público, vamos esperar pacientemente tá?". Polícia não age assim nem no céu, cazzo!

A estratégia da ocupação implica nos benefícios de divulgação da questão perante a opinião pública. Mas implica também no fato de que ocupar indefinidamente um prédio público gera consequências jurídicas, como a do direito da Reitoria em reaver seu espaço administrativo.

Se houve abusos, apure-se e punam-se os responsáveis. De ambas as parte.

O que não dá é pra resumir um assunto tão importante como esse do REUNI aos fatos acontecidos semana passada. O tema não merece tamanha redução.

Os argumentos utilizados pelo MEC na defesa dessa proposição parecem inatacáveis: quem poderia ser contra o aumento da oferta de vagas na rede pública de universidades, inclusive à noite, uma necessidade de muitos trabalhadores poucamente assistida pela União? quem poderia levantar-se contra a evasão escolar e à ocupação de vagas indefinidamente por estudantes que demoram às vezes mais de uma década pra cumprir uma simples graduação?

O bicho parece pegar quando o governo exige parâmetros rigorosos para que as Universidades aderentes ao programa recebam as verbas necessárias à expansão do ensino. A Academia detesta ser exigida e sente-se afrontada quando o MEC cobra transparência e otimização dos recursos físicos, humanos e financeiros disponíveis e dos que virão.

Por outro lado, são reais as possibilidades de que a sede por números do Governo possam atropelar a qualidade do ensino público superior e que o REUNI não indique claramente a necessária compatibilidade entre recursos e metas.

A discussão proposta por alunos e professores é saudável e absolutamente necessária. Não merece ser reduzida ao corporativismo da Academia, às velhas ações radicalóides dos estudantes e a falta de habilidade dos condutores desse assunto dentro do MEC.

Encontrei na net dois panfletos, entre outros arquivos, sobre essa questão. Um, produzido pela UFBA, fala a favor; o outro, de autoria da ANDES, contra. Vou pesquisar mais na rede e trazer documentos com maior profundidade praqui.

Fui.

Um comentário:

vaniavas disse...

Galo, pai de chiqueiro, lascador, me perdodemas sabadin dispois meidia, fui às putas, mal terminada a matéria segurança -leia-se violência, que me consumiu nervos e neurônios, ntambém ao nosso Humbetinho Sampaio, aposto, editor exigente e sovina,
eu queria era comentar seu post sobre o Rauni, que abri antes mesmo de ligar pro meu amor, e confesso q tô ficando velho, antes curtiria de monte o barato de a galera enfrentar "o sistema" e confesso, achei excessivo o vandalismo sem propopósito. A impressão é de q falta proposiçao a muitos discursos e atos rebeldes, como hoje se v. Coisas da (matur)idade.SVWVW