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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

ORA, DIREIS


Liliana Pinheiro -a mulher, a lenda, o mito- foi uma das pessoas que por aqui passaram para assinalar sua inquietação diante do silêncio de mais de dois meses desse Blog do Galinho.


Deu-me conta de um texto do Rubem Alves sobre o silêncio, sobre o desacontecimento como condição indispensável para ouvir o que se passa à volta e dentro de si.


Ele disse, parafraseando Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma".


Danadinha, essa Lili. São pessoas como ela que não me permitem esquecer como é bom amar e ser amado por pessoas sensíveis e inteligentes. Graças a deus e à generosidade dos amigos sempre acabo encontrando o fio da meada.


Gosto da caverna em que moro. Ela acolhe tolerantemente as mutações da minha alma precária, dando-lhe o necessário espaço para que cumpra o destino de gozar na tormenta. Em silêncio, como nessas últimas semanas.


Perscrutei emoções, que não precisaram gritar para saberem-se ouvidas; sentei-me diante do corpo e dele tomei ciência de muitas inquietações e pedidos. Penso ter compreendido seus motivos.


Das pessoas -íntimas ou anônimas-, muito ganhei nesse farfalhar de sons produzidos pela alma. Sim, não apenas os coqueiros farfalham. As almas também o fazem quando são-lhes dadas as condições de murmurar para que não precisem recorrer à estridência.


Falar é um ato devorador de energias e essas são lenta e crescentemente escassas ao longo da vida. O ouvir não desperdiça esforços.


Continuo equilibrando-me num galho de salsa, passado esse tempo de audição e reflexão. Adoraria voltar aqui pra anunciar que tive uma visão e ela iluminou-me a ponto de querer usar essa porrança toda de sabedoria para conduzir as massas em êxtase rumo aos céus.


Nem fodendo. Continuo perplexo, lamento dizer.


Mas voltei a falar- o que não altera em um mísero milímetro o destino das plantinhas da casa da minha mãe aqui nessa Cidade da Bahia.


Estávamos nós -eu e o Big Man aí de cima, escultura hiper-realista de mais de 2 metros do australiano Mueck- em silêncio, recolhidos em nós mesmos. Pra mim já deu, ele que resolva o que quer da vida.


Sou muito grato a quem não desistiu de passar por aqui nesse período sabático que impus, por extensão, ao Blog do Galinho.


Inté.

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