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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O DESABAMENTO DA FONTE NOVA E A TRAGÉDIA DO SERVIÇO PÚBLICO

Vi ontem à noite no programa Fantástico da TV Globo, uma declaração do diretor da Sudesb (Superintendência de Desportos do Estado sa Bahia), o ex jogador de futebol Bobô, que me arrepiou. Ele afirmou, no rastro da morte de sete pessoas e de dezenas de feridos, que coisas como aquela serviam pra reforçar a necessidade de um novo estádio. Em linha com as declarações feitas por ele próprio e pelo governador Jaques Wagner semanas atrás de que era mais barato implodir a Fonte Nova e construir um estádio novo ali mesmo ou em outro lugar do que reformá-la.

Um fato de tamanha gravidade como o que aconteceu ontem em Salvador merece apuração tão rigorosa quanto cuidadosa. Gritam os indícios de que a Sudesb, a Federação Baiana de Futebol, a CBF e o próprio Esporte Clube Bahia tinham pleno conhecimento dos riscos envolvidos no uso de um estádio em deploráveis condições de segurança estrutural.

O Sinaenco (Sindicato de Arquitetura e Engenharia), em inspeção feita a pedido da CBF recentemente, já havia apontado o estádio de Salvador como o pior entre os 29 visitados pelos integrantes da entidade em todo o Brasil (veja aqui).

O jornal A Tarde denunciava os mesmos problemas em sua edição impresa, logo após a divulgação da escolha do Brail como uma das sedes para a Copa do Mundo de 2014.

O mesmo diário baiano aponta na sua edição eletrônica de hoje de que essa tragédia estava mais que anunciada (veja aqui). A matéria informa, entre outras coisa, que a promotora Joseane Suzart, do Ministério Público Estadual, já havia ajuizado, em janeiro de 2006, ação civil pública na 2ª Vara Especializada de Defesa do Consumidor contra a Superintendência de Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), alertando para as instalações físicas precárias da praça esportiva, oferecendo risco à saúde e segurança dos torcedores. Até hoje o poder judiciário baiano não se pronunciou sobre o assunto.

Idênticos alertas foram feitos à Sudesb pelo Corpo de Bombeiros em 2005 e pela Polícia Militar na semana passada.

Ou seja, a Sudesb tinha pleno conhecimento do comprometimento estrutural da velha praça esportiva baiana e ainda assim autorizou "casa cheia" nos jogos do Bahia pela série C. Cedeu, aparentemente, às pressões financeiras e desportivas para que o Bahia pudesse voltar à série B do Brasileirão de 2008.

Conseguiu, o Bahia está de volta à segunda divisão. E sete pessoas serão sepultadas hoje em Salvador por conta dessa inacreditável decisão.


Quem acompanha esse blog sabe que apoiei e apoio o projeto de poder do PT desde a sua fundação. Não sou cristão-novo nesse assunto e continuo convencidíssimo que a história do brasil será contada na base do "antes de Lula" e "depois de Lula". E que Wagner já faz e fará um grande governo na Bahia.

Mas entendo também que os gestores -eleitos ou não- são sempre menores que o Estado. O estado democrático de direito pressupõe a defesa intransigente desse princípio e sua inobservância sempre custou caro à sociedade brasileira.

Se houve negligência do Governo do Estado -e tudo aponta para isso- diante desse horror que vimos ontem, responsabilize-se e puna-se exemplarmente seus autores, custe o que custar e sem tentativas, por favor, de imputar ao governo anterior responsabilidade exclusiva pelo que aconteceu ontem à noite. O poder de interdição da Fonte Nova pertence ao atual executivo baiano, que poderia, sim, tê-lo feito em nome da segurança dos torcedores do Bahia e não o fez. Isso é fato.

Com a palavra, o governador Wagner e o Ministério Público Estadual.

2 comentários:

Alvaro disse...

Já falaram,,
cocoricantante
vem aí nova bahia...
af

marcia disse...

Kd a elegância sutil de Bobô/? Pelo jeito só existiu na imaginação do bardo de Sto Amaro