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sábado, 4 de agosto de 2007

EM CARTAZ: A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM


Vivi os últimos quase doze anos fora de Salvador. Campo Grande, Rio de Janeiro, São Paulo.

Precisei desse longo tempo para descobrir que o que me angustiava na Bahia não era a cidade e muito menos o savoir faire seu povo. Afligia-me, agora vejo com mais nitidez, era não ter saboreado o mundo fora do eixo geográfico e cultural em que vivi dos 12 aos 32 anos. Estava encharcado de Bahia, ou virava o botão pra outras estações ou entrava pro comércio de berimbaus.

A vida se encarregou de resolver esse dilema e eu fui embora, cumprir uma espécie de exílio desejado, que me fez rir, chorar e escancarar os poros para outros vetores.

O exercício da persuasão ganhou roupa nova e de repente estava eu diante de gerentes e diretores de marketing de grandes empresas nacionais e internacionais argumentando conveniências de imagem para o patrocínio do Grand Prix Brasil do Campeonato Mundial de Motovelocidade.

Vender confiado nos poderes do gogó já não era suficiente. Tive que, a duras penas, aprender a planejar, elaborar estratégias consistentes e alinhadas com as expectativas de corporações empresariais que sabem precisamente o que precisam atingir dentro de seus planos de comunicação. A solução comercial óbvia e auto-aplicativa migrou para a formulação taylor made, calçada em ferramentas de comunicação adequadas a quem eram dirigidas. O vendedor que virou gerente teve que aprender a ser diretor comercial.

Não foi fácil. O coloquialismo incestuoso com que fui formado na Bahia simplesmente não funcionava nas rodas de negócios em que fora admitido. Outros códigos, outro mundo, muitas exigências.

Acertei, errei -mas acima de tudo aprendi muito. Saldo pra lá de positivo.

Agora é hora de voltar e humildemente recomeçar a vida na velha Cidade da Bahia. Chego amanhã e não faço a menor idéia do que farei para sobreviver e criar. Só sei que é preciso voltar e que sou um menino fino, não reclamo mais da condição de passageiro dessa vida.

Volto com o espírito desarmado acerca do que a Bahia tem pra me dar, cultural e materialmente. Não é pouco nem é muito: é o suficiente pra viver num ritmo mais humano e próximo de amigos há muito queridos.

As inclinações são muitas e as sugestões ainda maiores: transformar o Blog do Galinho num programa de rádio...hummmm...pode ser.

Contribuir para o governo Jaques Vagner aportando expertise no desenvolvimento de parcerias privadas pra o setor cultural e esportivo do estado. Pode ser também...por quê não?

Quem sabe as sugestões virem convites e a roda comece a girar novamente, né?. Quem sabe?

Desembarco carregando sonhos e muita vontade de ser e fazer feliz. Ogun chega antes, como sempre. Não duvido nem um pouquinho que ele sopre no ouvido de alguém a sugestão de convidar-me para empreender na iniciativa privada ou no serviço público baiano. Eu adoraria avaliar possibilidades novas em terras baianas, tô fácil-fácil pra isso.

Bahia, minha nêga gostosa: os que foram sem nunca terem ido pedem licença pra voltar. E pra te enxergar com o zoom melhor ajustado.

Agô, Salvador!


As fotos que ilustram esse post foram feitas por um rapaz talentosíssimo chamado Alexandre Huang. Para ver mais dele, clique AQUI.

6 comentários:

Marcus Gusmão disse...

Bem-vindo de volta, caríssimo Paulo Galo ou Galinho. Vou encontrar então esta semana duas pessoas. O velho Paulo Galo da minha memória de Escola Técnica e o Galinho do Brasil com quem convivi longamente nos comentários do Licuri e aqui neste poleiro fértil de idéias. Acho que um mais o outro vai dar mais que dois. E já marquei com Márcia Sarapatel Rodrigues para que ela conheça o primeiro Paulo e espero que ela goste tanto dele como do segundo, o blogueiro. Isto não é brincadeira não, acredito piamente que somos muitas personas e a que aparece nesta tal blogosfera é apenas uma delas, limitada ao texto.
Não sei se a esta hora você já chegou, mas hoje estou em Feira de Santana. Amanhã a gente se fala. Grande abraço.

Liliana disse...

Até a volta, querido e inesperado amigo.

Liliana

Nilson disse...

Aceite as minhas boas vindas também, meu caro!!!

Kátia Borges disse...

Saudações, Paulo. Não nos conhecemos pessoalmente, mas confesso que fiquei feliz, sei lá, em saber que vc está voltando para a Bahia. Que Salvador abra um sorriso pra vc em cada esquina.

paulo galo disse...

Gusmoni, amico mio: tô chegando no blog exatamente agora, desde que desembarquei em Salvador domingo passado. No meio de uma formidável gritaria interna -são muitas emoções, bicho, hehehe- está a de rever vc e conhecer minha família blogosférica baiana: Marcinha Rodrigues, Nilson Pedro, Katia Borges. Marque com eles, por favor, e vamos brindar a esse encontro, combinado?

Lili: Sempre estaremos juntos, amiga querida. Mal cheguei e já tô cultivando esperanças de que vc e o jornalista Marcondes venham passar o revellion em Salvador. Saudades de vcs, cuidem-se bem viu?

Alvaro disse...

Caro Galo
sinta-se de volta a seu terreiro, aqui vc canta mais alto. Cuidado com os galos mais novios,mas a experiência, pra quem tem saúde, é tudo. Só não conte comigo pra apoiar sua defesa petista. Hay gobierno, soy contra, e enquanto pag aos bancos, aqui(R$50bi) só de jutros todo ano, comparados aos pobres R$ bi anuais da educação ou os paupérrimos 32 da saúde, nãom tem Lula nem PT certo.
Pra mim, ou pra qualquer brasileiro consciente, que perde quatro meses de seu trabalho dem impostos que só vão patra no bolso destes ladrões, tô fora
e vamos sair pra montar numas frangas, qiualçquer hora dessas...