POR OUTRO LADO...

segunda-feira, 23 de julho de 2007

CONGONHAS, ACM E O DIABO



Não me rendo. Essa é a terceira versão gráfica do Blog do Galinho aqui no Blogger. E ainda não tô feliz.

Por exemplo, gosto de usar fontes no texto com um corpo um pouco maior que o usual, em respeito a quem tem mais de quarenta anos (como eu) e detesta topar com letras miudinhas.

Acontece que esse template aqui trata título, texto e barra lateral como se tudo fosse a mesma coisa. E dá nisso: os textos ficam do tamanho que quero e o resto fica enorme. (ATUALIZAÇÃO 1, ÀS 13H:15 DE 23/07/2007: NO BRAÇO, AUMENTEI O CORPO DAS FONTES DE TODOS OS POSTS E DIMINUI O QUANTO FOI POSSÍVEL AS FONTES DO RESTO. MELHOROU UM POUQUINHO...MAS NÃO TENHO A MENOR IDÉIA DE COMO DIMINUIR A LARGURA DA BARRA LATERAL, DANDO MAIS ESPAÇO PRA A COLUNA DOS POSTS. ALGUÉM SABE COMO FAZER ISSO?). (ATUALIZAÇÃO 2, ÀS 15H:50 DE 23/07/2007: A NOSPHERATT, DO BLOGANDO POR DINHEIRO SABE E ME ENSINOU! GAUCHINHA, VC É UM ANJO, OBRIGADO MAIS UMA VEZ, VIU?).

Tem nada não, daqui a algumas semanas vou aproveitar o furacão das mudanças em minha vida e mudo de mala e cuia pro WordPress, onde penso que serei feliz com o estilo gráfico que gostaria de oferecer a quem vem ciscar nesse terreirinho eletrônico aqui.

Limpo, suave, criativo -tudo que ele ainda não é. Mas será, promessa.





Semana que terminou ontem foi intensa com Pan Rio 2007, tragédia em Congonhas e a morte de Antonio Carlos Magalhães, cuja alma tem paradeiro incerto: o Diabo recusa-se a admiti-lo em seu condomínio, alegando não ter tido concorrência desde que o mundo é mundo e que não vai ser agora que vai mudar as regras do jogo. Não o fez para Adolph Hitler, Joseph Stalin, Delegado Sérgio Fleury - por que diabos o faria pro Malvadeza, com o perdão do trocadilho infame?

Não tiro as razões do Capeta. Todo mundo sabe que ele não admite dividir poderes com ninguém. Faz questão até de amassar com as próprias mãos o pão que come todo dia, só pra não dar moleza pro olho gordo de ninguém.





Enfim, eles que se entendam, eu tenho mais com o que me preocupar. E com o que rir também. Por exemplo, com o triste papel da imprensa no episódio do acidente com o jato da TAM, aqui em São Paulo.

Tentaram "provar" que a culpa do acidente era da pista do aeroporto, "irresponsavelmente" liberada pela Infraero (leia-se governo federal, leia-se Lula) sem as tais ranhuras (groovings). Esqueceram-se de combinar com os engenheiros e técnicos do Brasil e de outros países, que aos poucos foram mostrando que houve falha grave da aeronave ou do piloto e que esse foi o motivo do acidente. E que a pista foi aprovada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), órgão da USP internacionalmente reconhecido por sua imparcialidade e capacidade técnica. O IPT divulgou o laudo que você pode ver clicando AQUI, atestando as adequadas condições de segurança da pista de Congonhas após o recapeamanto finalizado em 30 de junho.

Já tô levando na galhofa a esquizofrenia da imprensa contra o iletrado metalúrgico. Não dá, só rindo mesmo de tanto editorial mal-intencionado.

Ainda bem que tem gente como o Luis Nassif, com lucidez para propor o debate sobre a aviação em patamares razoáveis e não nessa histeria destrambelhada, oportunista e rasteira que faz do rótulo de "apagão aéreo" um slogan, praticado diariamente pelos grandes veículos de comunicação.

Há questões importantíssimas que precisam ser avaliadas e resolvidas imediatamente. Tais como:

1) Houve um aumento extraordinário no número de passageiros voando pelos céus do Brasil. E a infraestrutura dos aeroportos e do controle do tráfego aéreo era a mesma deixada por FHC, ou seja, precaríssima.

2) O governo Lula pode e deve, sim, ser responsabilizado pela demora em tomar decisões para a reestruturação do setor. A contratação de novos controladores e novos equipamentos de controle aéreo eram providências que deveriam ter sido tomadas há pelo menos dois anos.

3) Errou o governo também em ter permitido a continuidade da farra das companhias aéreas em determinar sob seus exclusivos critérios comerciais quais e como os aeroportos brasileiros deveriam atender à explosão da demanda por vôos. A Infraero mostru-se -pra dizer pouco- leniente com os interesses dessas companhias, que por exemplo, transformaram Congonhas num Hub para o qual ele não se presta. De aeroporto vocacionado para a aviação regional, executiva e para os vôos diretos, Congonhas virou um eixo central de escalas e conexões na malha aérea brasileira.

4) Há um imbroglio de atribuições superpostas ou confusamente dispostas a travar o funcionamento do setor. ANAC, Infraero, Ministério da Defesa, Ministério da Aeronáutica. O setor aeroviário precisa de imediata clareza de regras, com o Estado voltando a cumprir com suas obrigações constitucionais de regulação e fiscalização de serviços seguros e de boa qualidade.


5) Há claro e antigo propósito de privatizar-se a Infraero, gestora de quase 70 aeroportos brasileiros. Bandeira neoliberal que não hesita em aproveitar-se das dificuldades do órgão e da aparentemente baixa qualidade de seus diretores para "provar" ao país -por meio da imprensa, claro- que o estado não tem competência para fazer isso. Esse é o pano de fundo da recorrência do uso do termo "caos aéreo" todas as noites nos telejornais e durante o dia nos jornais e revistas conservadores.

5) É passada a hora de tirar dos militares as atribuições de controle de tráfego aéreo no Brasil. Um modelo anacrônico e que nenhum país desenvolvido usa mais, já há muito tempo.

6) Deve-se fazer clara a condição operacional de Congonhas no que se refere à segurança para pousos e decolagens. A questão da área de escape, por exemplo: precisa? não precisa? o que fazer para minimizar o fato de que esse aeroporto está cercado de prédios por todos os lados? por quê um aeroporto como o de Londres, que também está cravado numa área urbana densamente povoada, é considerado seguro e Congonhas aparentemente não é? qual é a verdade técnica dessa história?

Enfim, o governo poderia muito bem redimir-se da demora em responder a essas questões e informar com clareza o que deve e vai ser feito para que os serviços aeroportuários brasileiros funcionem bem e com segurança. E quanto tempo será necessário para isso.





Ah, uma última coisa, só pra gente não esquecer: ano passado morreram 40 mil pessoas nas estradas brasileiras, cuja malha tem condições de segurança consideradas precárias em mais de 2/3.

2 comentários:

Marcus Gusmão disse...

Sou um mutante por natureza e tendo a gostar de tudo que muda. O blog está mais clean, e isto me agrada. Tenho uma resalva à imagem do solitário na praia do cabeçalho. Está muito grande e toma quase a metade da tela.
No mais, o conteúdo, está claro e bem dito, apesar da linguagem luciférica e militante. Mas você sabe que eu gosto do seu texto, mesmo que não concorde com ele. Grande abraço. E quando mudar, me chama e me guie, que eu tou também meio de saco cheio deste blogger.
grande abraço,

paulo galo disse...

Obrigado pela opinião Marcão. E pode ficar tranquilo, Vamos todos pro Word Press em breve tempo. Vou estudá-lo primeiro e te chamo na sequência. Que tal uma estréia simultânea por lá -eu, vc e a Marcinha?