POR OUTRO LADO...

quinta-feira, 5 de julho de 2007

ANSELMO E LAMARCA


Parece um filme de terror que insiste em ganhar novas edições.

José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo, deu hoje entrevista ao Estadão (veja
AQUI), reinvindicando direitos de aposentadoria, como vítima do golpe militar de 64.

Anselmo, que vive desde fins dos anos 60 com a falsa identidade emitida pelo estado brasileiro, parte do acordo feito entre ele e o delegado Sergio Fleury, era presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Marinha em 1964 e foi cassado pelos militares já no AI-1. Em pouco tempo passou de desafeto dos militares para ativo colaborador da repressão comandada por Fleury, atuando como espião infiltrado nas organizações de esquerda que optaram por combater a ditadura com armas na mão.

Deve-se a ele grande parte do extermínio de militantes da VPR, ALN e do MR-8, inclusive de sua mulher, Soledad Barret Viedma, executada com mais cinco integrantes da VPR na periferia de Recife. Ela estava grávida de sete meses de um filho dele.

Anselmo fala por meio da mesma imprensa que se pôs a serviço do obscurantismo fascista ao mostrar-se indignada com a recente decisão da justiça brasileira de indenizar os herdeiros do capitão Carlos Lamarca, executado com sete tiros no interior da Bahia por uma tropa do Exército liderada pelo hoje general reformado Nilton Cerqueira. Yara Iavelberg, mulher de Lamarca, foi morta num apartamento no bairro da Pituba, em Salvador.


Não vou gastar teclado para defender Lamarca e execrar Anselmo. A história já os fez. Lamarca morreu lutando contra o fascismo. Anselmo serviu-se da ditadura para entregar pessoas perseguidas pelos cães da tortura e do assassinato em nome do estado. Um foi perseguido; o outro, perseguidor.

Nunca é demais lembrar que essa grande (grande?!) imprensa, que a pouco difamou o nome de Lamarca e hoje dá voz ao Cabo Anselmo, é a mesma que apoiou decisivamente o golpe militar de 64. E que hoje trabalha diuturnamente para criar um impasse institucional capaz de pôr fim ao governo Lula, como fez com o presidente João Goulart. Serve-se para esse fim de sabujos como Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, mais escancaradamente, e de Eliane Catanhede e Alexandre Garcia, mais suavemente. Há muitos outros nas redações empenhados no mesmo fim.

Custa acreditar que a imprensa brasileira tenha assumido um papel tão vergonhoso, praticando diariamente a mentira, a omissão e a calúnia como valores centrais de suas edições. Incrível.

Um comentário:

pereiraaps disse...

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Pereira