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sábado, 21 de julho de 2007

ACM, CULHÕES E SABEDORIA POPULAR



O corpo do senador Antonio Carlos Magalhães foi sepultado por volta das 18h:00 no cemitério do Campo Santo, em Salvador.


Encerra-se aí um ciclo importante na história da Bahia. Com ACM, espera-se que tenhamos nos despedido de um mito que compôs o imaginário popular em torno do macho branco, rico e poderoso -realizador e líder, sem dúvidas- que fez da truculência e da perseguição as ferramentas escolhidas para a manutenção do seu maior gozo: o poder. Numa terra de gente pobre e negra.


Desde sua nomeação para prefeito da Cidade da Bahia em 1967, ACM construiu mitos em torno de seu projeto de comando e fortuna. E foi vitorioso, quase sempre. perdeu poucas vezes.


Conseguiu convencer a muitos que amava a Bahia e os baianos. Mentira.


Amava acima de tudo a liturgia do poder, mandar sem discussões. Fez-se importante porque os baianos nunca negaram-lhe reconhecimento por aquilo que espera de seus líderes: coragem, determinação, farta intuição do que vai na alma popular.


Perdoem-me usar essa expressão: ACM venceu porque tinha culhões. E o povo da Bahia admira e respeita quem tem culhões e vence.


Os que hoje apontam os crimes de Toinho Malvadeza -crimes reais, que lamento muito não vê-lo responder em vida por eles- deveriam aprender uma coisa com ACM. A ter coragem de olhar nos olhos das pessoas e transmitir verdade com suas palavras.


Tirano, destemperado, cruel e arrogante. Mas morreu admirado pelo povão da Bahia, que só não lhe deu mais porque mesmo admirando seu peito desbravador, nunca perdeu de vista que apesar da cabeça branca, ACM não era um homem sábio. E o povo não assina cheque em branco para homens velhos que não são sábios. Esse foi o limite dado a Antonio Carlos Magalhães pelo povo que ele jurava amar.


Limites como esse -e há outros--que o sofrido povo baiano saberá dar aos homens públicos de hoje e de sempre. Que ninguém ouse duvidar da imensa sabedoria do povo baiano e brasileiro.


A foto daí de cima foi realizada hoje por Marco Aurélio Martins, da Agência A Tarde; a de baixo por Lula Marques, da Folha Imagem, em 1992.

Um comentário:

Marcus Gusmão disse...

Comentário de um motorista de táxi, ontem, no percurso entre o Aclamação e o Campo Santo: "foi uma grande perca para a Bahia. Ele não comia reggae"