POR OUTRO LADO...

terça-feira, 31 de julho de 2007

CLASSE MÉDIA, IMPRENSA E AS ETERNAS TEORIAS CONSPIRATÓRIAS


Por Júpiter, quando é que o aquecimento global vai dar as caras aqui por São Paulo e espantar esse frio de lascar? Segundo o INMET, as temperaturas começam a subir a partir de quinta-feira próxima. Que assim queira o Criador, tá dureza pôr o pé na rua com temperaturas em torno de e vento forte levando a sensação térmica para algo abaixo de zero. Bosta de tempo gelado, sô!

Mas nem o frio me impedirá de fazer alguns comentários sobre o comportamento da imprensa, a insatisfação da classe média com o governo Lula e as teorias conspiratórias que estão sendo cultivadas pelo Brasil afora, a querer revelar um golpe de estado em curso, à semelhança de 1964. Com direito a um repeteco da Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade, ilustrada com a foto acima.

1) Lula goza de sólida popularidade no Brasil. As classes C, D e E, contempladas com importantes ações do governo (PROUNI, Bolsa Família, PRONAF, aumento do salário mínimo, microcrédito, Luz Para Todos e outras tantas), reconhecem a opção do governo do PT pela redução das desigualdades sociais. Sabem que nunca foram alvo de tantas políticas concebidas para o seu benefício. E devolvem isso na forma de eleição, reeleição e níveis recordes de aprovação ao presidente e ao seu governo, desprezando a cobertura trepidante e falaciosa dos grandes veículos de imprensa. Essas classes populares e Lula estabeleceram um pacto de cuidados recíprocos que poderão, sim, fazer do metalúrgico iletrado um poderosíssimo cabo eleitoral em 2010. O nome de Ciro Gomes é o que parece encaixar-se melhor no projeto de Lula e nada me tira da cabeça que esse é o nome que ele guarda para bancar na hora H. Veremos.

2) A classe média brasileira tem bons motivos para sentir-se preterida pelo governo Lula. Tem alto imposto de renda retido na fonte, paga caro por serviços de educação e saúde privados, é vítima recorrente da violência e de serviços públicos ineficientes. Definitivamente, não foi convidada para a festa e não está disposta a entender que ações estruturantes estão em curso e que produzirão resultados capazes de contemplar seus interesses daqui a alguns anos. Em cidades como São Paulo, onde a classe média é numerosa e politicamente hegemônica, o PT tem grandes dificuldade de dialogar com a classe média, haja vista o que dizem as pesquisas e os resultados eleitorais.

3) A centro-direita brasileira (leia-se PSDB e DEM) conhece bem os caminhos para a sedução da classe média. Continua apostando suas fichas eleitorais nessa via, a despeito das derrotas colhidas nos últimos anos. E vamos combinar uma coisa: nada há de ilegítimo nisso. Nem na insatisfação dessa classe, nem na opção política, social e econômica desse arco forças que tem em José Serra, governador de São Paulo, seu principal representante. O PT precisa aprender a ser governo e sepultar de uma vez por todas o fantasma de 1964. O Brasil não é a Venezuela, Lula não se move com a truculência de Hugo Chavez para aceitar impasses intitucionais e as chances de um golpe de estado são tão grandes quanto às da Juliana Paes beijar a minha boca.

4) A imprensa não sobrevive dos recursos das classes populares. Sobrevive do dinheiro da classe média, que fornece combustível para essa cadeia alimentar. Não poderia ser outra a linha editorial desses veículos senão a que assistimos hoje. Faça de conta por um minuto que você é um publisher e que conhece a fundo as idiossincrasias de seu público-alvo. Que você faria para vender seus produtos a essas pessoas? Falaria a língua delas, não parece óbvio? Capricharia nas reportagens ofegantes em saguão de aeroporto, filmando crianças famintas e famílias indignadas com a falência desse bezerro de ouro da classe média que é viajar de avião. Pintaria em cores fortes o drama da família do garoto João Hélio, brutalmente despedaçado por bandidos que tomaram o carro de sua mãe no Rio de Janeiro, poucos meses atrás. Editaria imagens comoventes de gente que perdeu entes queridos no acidente de Congonhas e não perderia um minuto sequer para "provar" que a Infraero liberou uma pista sem condições de segurança, mesmo que depois a perícia provasse que houve grave falha mecânica ou humana e o assunto desaparecesse do noticiário. Sabe o que mais você faria? Você apresentaria subliminarmente José Serra como o maior gestor público do planeta e uma espécie de fruto do amor entre o Papai Noel e a Madre Teresa de Calcutá, como bem ilustrou o Paulo Henrique Amorim no seu Conversa Afiada.

5) Para além das convergências ideológicas entre a imprensa e a tropa neoliberal, o governo continua mostrando-se ineficaz na sua comunicação e lento na execução de suas decisões. Há sérios problemas de gestão, sim senhor, e isso é um combustível precioso para o denuncismo da imprensa e para a argumentação da oposição. Vale lembrar também que a mídia não desiste jamais de provocar enormes buracos na água diariamente, que se não movem do lugar a convicção das classes populares, prestam-se bem para o propósito de resolver a necessidade financeira das empresas de comunicação –que vendem jornais, revistas e audiência eletrônica. Por conseqüência, por mera conseqüência repito, prestam-se também aos objetivos políticos da elite econômica brasileira: de vencer as eleições de 2008 e principalmente a de 2010. Para essa duas coisas vale tudo, inclusive omitir, distorcer, escamotear, mentir sem pudor, indignar-se hipocritamente. Tudo em nome de dois conceitos básicos: primeiro, o governo do PT produz resultados macroeconômicos bons por conta da liquidez financeira internacional; segundo, o país poderia estar bem melhor se não houvesse tanta inaptidão gerencial, refletida no “caos aéreo”, a “crise” da vez.

6) Quem não quiser assistir às coberturas surreais como a que foi dada à tragédia em Congonhas, ao “lobista” Vavá e aos muitos “escândalos” que eclodirão pelos mesmos motivos de hoje, dou um conselho: assista “Família Dinossauro”, que reestreou ontem na TV Bandeirantes. É inteligente, divertido, bem produzido. Você vai ficar mais levinho e melhor preparado para conviver com esse circo de horrores a serviço do faturamento da imprensa e da candidatura do Serra.

É isso. Deixo aí embaixo um vídeo muitíssimo legal que achei ontem no Youtube e que é cara da classe média brasileira. Assista, vale a pena. Dá uma saudade danada do Nelson Rodrigues...

Fui.

domingo, 29 de julho de 2007

PAN RIO 2007: VAMOS CHAMAR O VENTO, PRESIDENTE LULA!



Lindo o espetáculo de encerramento do XV Jogos Panamericanos, realizado há pouco no Maracanã. Ao fim da interpretação do clássico "O Vento", de Dorival Caymmi, a pira olímpica foi apagada pelo sopro de Alice e Danilo, neta e filho desse baiano genial. Inesquecível.

Não pretendo aqui, ao menos hoje, entrar no mérito dos custos desse evento. E de seus discutíveis efeitos sobre o desenvolvimento do esporte olímpico no Brasil. O assunto é complexo, exige cuidados especiais na sua avaliação.

Uma coisa, porém, deve-se dizer de imediato: eventos internacionais de grande porte -a exemplo do Pan, das Olimpíadas, Copa do Mundo, etapas do Mundial de Fórmula-1 e Motovelocidade- são vistos no mundo inteiro como ferramentas poderosas para a formação de imagem internacional de cidades e países. São grandes fomentadores de negócios e vetores de desenvolvimento.

Não é assunto pra ser tratado por quem pensa pequeno. E é porisso que registro aqui o reconhecimento pelo empenho do metalúrgico iletrado para a realização do Pan Rio 2007. Não fosse o dedo dele, nada disso teria acontecido. Parabéns, presidente Lula: os que hoje organizam claques de vaias e editoriais mal intencionados na imprensa serão devidamente julgados pelo povo desse país. Confie nele e siga em frente.





Mas já que estou me dirigindo ao senhor, presidente Lula, quero pôr na garupa dessa nossa "conversa" um apelo.

Ok, vamos trazer sim a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Vamos mostrar para esses emplumados senhores barões -que não se conformam em ver o sucesso do seu governo e o agridem de olho nas eleições de 2010- que o Brasil pode ocupar um espaço proporcional à sua grandeza e acolher povos do mundo inteiro em eventos magníficos, como fizemos no Pan.

Meu pedido é: invista outro tanto para que em poucos anos esse mesmo povo que o levou e mantém em Brasília tenha as condições necessárias para gerar legiões de vencedores no esporte. É daí que surgirão os atletas de alta performance e somente assim faz sentido investir tanto num evento caríssimo como as Olimpíadas, por exemplo.

Crianças e jovens praticando esporte nas escolas, com estruturas adequadas e profissionais de educação física capacitados e bem remunerados. A festa olimpíca, presidente Lula, deve coroar políticas públicas vencedoras e ambiciosas. Pode apostar, a festa ficará muito mais bonita se o povo brasileiro sentir-se parte desse esforço.

O que não dá pra achar normal é ver uma ilha do tamanho de Cuba produzir mais atletas vencedores que o Brasil, como mais uma vez produziu nesse Pan, concorda?

Temos um potencial esportivo extraordinário. E estamos no caminho certo, basta ver a evolução do Brasil no quadro de medalhas de Santo Domingo para cá. Em medalhas de ouro, nada menos que 86,2% a mais, de 29 para 54. No total de medalhas fomos de 123 para 161, crescemos 30,89%.

Nada mal, se compararmos com os resultados de Estados Unidos e Cuba, respectivamente primeiro e segundo colocados nesse Pan do Rio de Janeiro . Os norte americanos encolheram 17,2% nas douradas (118 para 97) e 12,54% no total (271 para 237); os cubanos, menos 18.06% em ouro (79/59) e menos 11,18% no total.

É isso que acontece quando o povo desse país recebe incentivos para desenvolver seu talento. Gente humilde, lutadora e que vale ouro, como esses dois caras aí de baixo, Diogo Silva e Frank Caldeira.





ATUALIZAÇÃO, ÀS 12H:25 DE 30/07/2007:

Recebi há pouco um e-mail de da amiga querida Soane Matos, baiana mais que porreta e dona de um colo quente que só vendo. Ela me mandou o link de um artigo recentemente publicado por Vania Vasconcelos no jornal O Povo, do Ceará.

Vania fez parte um delicioso grupo de adolescentes que conviveram na Escola Técnica federal da Bahia na virada dos 70 para os 80. Guardo dela lembranças delicadas, que não se perderam no tempo, apesar de nunca mais termos nos visto.

Ao ler esse artigo (vale a pena, clique
AQUI), senti imensas saudades dela. E fiquei feliz em ver na sua escrita uma teimosia cívica repleta de lirismo e esperança.

A mesma que parece inspirar a alma de Martha Rocha, paisagem ativa daquela época e que diferentemente de mim não perdeu o contato com Vania, mesmo depois que essa mudou-se para o Ceará.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

IMAGEM NÃO É TUDO. MAS COMO EXPLICA BEM!



Tá vendo essa foto aí de cima? Então, o click foi feito por um fotógrafo chamado Harry How, que faz parte da equipe da Getty Images, uma agência norte-americana de imagens que desembarcou no Brasil semana passada para cobrir os Jogos Panamericanos, sob o comando de um sujeito chamado Donald Miralle.

Miralle coordena o trabalho de quatro fotógrafos especializados em produzir imagens espetaculares como essa aí. Tem longa experiência em eventos esportivos internacionais do porte das Olimpíadas, Copas do Mundo de futebol, Fórmula-1, Jogos de Inverno e muitos outros. Especializadíssimos em instantâneos esportivos de tirar o fôlego. Pura arte fotojornalística.

As fotos produzidas no Rio de Janeiro começam a surgir no blog de esportes da Getty (clique
AQUI). Ainda são poucas mas vale a pena acompanhar o resultado do trabalho desses caras. Prometo fazê-lo e trazer praqui algumas dessas incríveis imagens.





As traquitanas tecnológicas sempre causaram fascínio nessa minha alma precária. Um deslumbramento que foi sendo arrefecido com o passar do tempo, é verdade, mas nunca abandonado por completo. Acostumei-me a saborear à distância os lançamentos diários dos brinquedos tecnológicos.

No final de junho, contudo, aconteceu o lançamento do iPhone nos States. 700 mil unidades desse celular –se é que podemos chama-lo assim sem cometer o crime da redução- foram vendidos nas primeiras 48 horas, ao preço de US$650,00 mais uma grana preta para habilitá-lo em uma nas operadoras de telefonia móvel. Brinquedo caro nesses pimeiros tempos mas que ficará barato daqui a pouco, quando cumprir sua missão de paradigma da comunicação eletrônica, individual e portátil.

São fascinantes os recursos de navegação do aparelho. Essa criação da Apple é um claro divisor de águas na comunicação pessoal, ao agregar o conceito de convergência de mídias numa peça que cabe na palma da mão. Celular, televisão, rádio, emails, imprensa: tudo ali, ao toque do dedo.

Vai demorar pra eu ter um desses no bolso. Mas terei, ah se terei!

Ainda não sabe o que faz essa maquininha? dá uma olhadinha no vídeo abaixo. Se a excitação não couber no que viu, entre no Youtube com a chave iPhone e entenda mais um pouco sobre a engenhoca que contará a história da comunicação móvel na base do “antes do iPhone e depois do iPhone”. As operadoras brasileiras, por enquanto, ainda não habilitam o iPhone, é bom saber.





AS 10 MELHORES SÉRIES DE TV

A Bahia tem um jovem blogueiro chamado Leo Baiano, que meteu na cabeça que vai viver da renda dos anúncios publicitários de seu blog, como já o fazem algumas pessoas pelo Brasil afora. Nos States e na Europa muitos vivem disso.

Não conheço esse rapaz mas não duvido que consiga alcançar esse propósito. Minha torcida você tem, brother Léo. Blogamos por motivos distintos, é verdade, mas isso não nos afasta. Ao contrário, é motivo bastante para continuarmos provando que o mundo só é bacana porque é plural.

Pois o Léo me convidou para um Meme sobre as melhores séries de televisão. Pra quem não sabe, meme é uma espécie de protocolo de troca de links entre blogs, para aumentar a audiência de todos. Escolhe-se um tema e todos os blogueiros convidados escrevem, apontando links para os outros. Isso faz crescer a visibilidade (Page Rank) em mecanismos de busca como o Google.

Demorei de responder ao convite, feito a quase 15 dias, por conta dos acontecimentos trepidantes que me chamaram a atenção nesse período. Refiro-me à tragédia em Congonhas e à morte de ACM, mais especificamente.

Antes de elencar meus “favoritos” nessa área, preciso esclarecer que raramente vejo televisão. Quando o faço é pra assistir o Roda Viva, o Vitrine, o Ensaio, filmes do Canal Brasil e uma ou outra cobertura jornalística especifica. Ah, tá bom, gosto muito de ver documentários sobre a vida animal, tipo National Geographics ou Discovery Channel.

Assim, falar de séries de televisão é tocar em reminiscências, em coisas quie vi quando era criança, no tempo em que achava que a televisão era ótima fonte de informação e entretenimento.

A abertura de algumas delas estão postadas no Youtube, os links estão aí pra quem quiser matar as saudades. Lembro de ter gostado muito de:

Perdidos no Espaço (abertura aqui)
Agente 86 (abertura
aqui)
Guerra, Sombra e Água Fresca (abertura
aqui)
Jornada nas Estrelas (abertura
aqui)
Os Três Patetas
O Gordo e o Magro
Viagem ao Fundo do Mar
National Kid (abertura
aqui)

Zorro (abertura aqui)

quarta-feira, 25 de julho de 2007

AFASTA DE MIM ESSE CÁLICE, PAI!


Andei meio azedo esses dias. Pudera: morte do ACM, tragédia em Congonhas, momentos decisivos no plano pessoal. Tudo denso, grave, definitivo.

Arre, cadê a receita de banho de folha que eu deixei na pasta de documentos?? acho que era arruda, alevante e comigo-ninguém-pode. É, acho que era isso, vou preparar uma pipa inteirinha e mandar num ofurô. Ao invés de um simples banho, faço logo uma imersão, vai ver limpa tudo por uns dois meses, né?

É sintomático: quando os acontecimentos à minha volta tornam-se dramáticos e consomem uma quantidade muito mais que razoável de horas por dia, durante muitos dias, o sistema de alarmes soa forte, acende luzes e chacoalha: hora do recreio.

Cinema, teatro, papo gostoso com gente gostosa, longos passeios. A escolha fica por conta do momento, na hora a solução aparece. Agora, por exemplo, a saída à mão foi dar uma navegada no site de fotografias 1000 Imagens, seção de humor. Achei a foto que pus aí em cima, depois de rir muito. O autor do click é o Alberto Calheiros, fotógrafo português que é um craque na investigação do imaginário masculino. Ou seja, presta bastante atenção no tema "mulher" . E o faz com sensibilidade e grande talento técnico.

Uma imagem como essa só um homem inteligente e que goste de mulher consegue conceber, não tem jeito. Como tem coisas que só sendo mulher para poder sentir e elaborar esteticamente. Quem foi menino sabe bem o que falo. Na idade desse moleque aí é um delírio constante, olha só a cara do sujeito, viajando né?

Você que é mulher não tem a menor noção dos embaraços trazidos por uma idade dessas. É dureza, viu? sabe lá o constrangimento que é levantar do banco de um ônibus cheio e não saber como esconder que ficou de pau duro por causa da combinação entre a mochila posta no colo e o sacolejar do ônibus? homens sofrem muito, né fácil não...

Outro dia eu conto essas histórias, principalmente se a mulherada que passeia por aqui expressamente solicitar ou permitir.

Agora tá é tarde pra cassete e daqui a pouco tenho que estar inteirinho pra resolver uma parada importante. Que vai me fazer mudar do paralelo 23 pro 13, semana que vem. Anuncio em breve, se deus quiser.

Fui.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

CONGONHAS, ACM E O DIABO



Não me rendo. Essa é a terceira versão gráfica do Blog do Galinho aqui no Blogger. E ainda não tô feliz.

Por exemplo, gosto de usar fontes no texto com um corpo um pouco maior que o usual, em respeito a quem tem mais de quarenta anos (como eu) e detesta topar com letras miudinhas.

Acontece que esse template aqui trata título, texto e barra lateral como se tudo fosse a mesma coisa. E dá nisso: os textos ficam do tamanho que quero e o resto fica enorme. (ATUALIZAÇÃO 1, ÀS 13H:15 DE 23/07/2007: NO BRAÇO, AUMENTEI O CORPO DAS FONTES DE TODOS OS POSTS E DIMINUI O QUANTO FOI POSSÍVEL AS FONTES DO RESTO. MELHOROU UM POUQUINHO...MAS NÃO TENHO A MENOR IDÉIA DE COMO DIMINUIR A LARGURA DA BARRA LATERAL, DANDO MAIS ESPAÇO PRA A COLUNA DOS POSTS. ALGUÉM SABE COMO FAZER ISSO?). (ATUALIZAÇÃO 2, ÀS 15H:50 DE 23/07/2007: A NOSPHERATT, DO BLOGANDO POR DINHEIRO SABE E ME ENSINOU! GAUCHINHA, VC É UM ANJO, OBRIGADO MAIS UMA VEZ, VIU?).

Tem nada não, daqui a algumas semanas vou aproveitar o furacão das mudanças em minha vida e mudo de mala e cuia pro WordPress, onde penso que serei feliz com o estilo gráfico que gostaria de oferecer a quem vem ciscar nesse terreirinho eletrônico aqui.

Limpo, suave, criativo -tudo que ele ainda não é. Mas será, promessa.





Semana que terminou ontem foi intensa com Pan Rio 2007, tragédia em Congonhas e a morte de Antonio Carlos Magalhães, cuja alma tem paradeiro incerto: o Diabo recusa-se a admiti-lo em seu condomínio, alegando não ter tido concorrência desde que o mundo é mundo e que não vai ser agora que vai mudar as regras do jogo. Não o fez para Adolph Hitler, Joseph Stalin, Delegado Sérgio Fleury - por que diabos o faria pro Malvadeza, com o perdão do trocadilho infame?

Não tiro as razões do Capeta. Todo mundo sabe que ele não admite dividir poderes com ninguém. Faz questão até de amassar com as próprias mãos o pão que come todo dia, só pra não dar moleza pro olho gordo de ninguém.





Enfim, eles que se entendam, eu tenho mais com o que me preocupar. E com o que rir também. Por exemplo, com o triste papel da imprensa no episódio do acidente com o jato da TAM, aqui em São Paulo.

Tentaram "provar" que a culpa do acidente era da pista do aeroporto, "irresponsavelmente" liberada pela Infraero (leia-se governo federal, leia-se Lula) sem as tais ranhuras (groovings). Esqueceram-se de combinar com os engenheiros e técnicos do Brasil e de outros países, que aos poucos foram mostrando que houve falha grave da aeronave ou do piloto e que esse foi o motivo do acidente. E que a pista foi aprovada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), órgão da USP internacionalmente reconhecido por sua imparcialidade e capacidade técnica. O IPT divulgou o laudo que você pode ver clicando AQUI, atestando as adequadas condições de segurança da pista de Congonhas após o recapeamanto finalizado em 30 de junho.

Já tô levando na galhofa a esquizofrenia da imprensa contra o iletrado metalúrgico. Não dá, só rindo mesmo de tanto editorial mal-intencionado.

Ainda bem que tem gente como o Luis Nassif, com lucidez para propor o debate sobre a aviação em patamares razoáveis e não nessa histeria destrambelhada, oportunista e rasteira que faz do rótulo de "apagão aéreo" um slogan, praticado diariamente pelos grandes veículos de comunicação.

Há questões importantíssimas que precisam ser avaliadas e resolvidas imediatamente. Tais como:

1) Houve um aumento extraordinário no número de passageiros voando pelos céus do Brasil. E a infraestrutura dos aeroportos e do controle do tráfego aéreo era a mesma deixada por FHC, ou seja, precaríssima.

2) O governo Lula pode e deve, sim, ser responsabilizado pela demora em tomar decisões para a reestruturação do setor. A contratação de novos controladores e novos equipamentos de controle aéreo eram providências que deveriam ter sido tomadas há pelo menos dois anos.

3) Errou o governo também em ter permitido a continuidade da farra das companhias aéreas em determinar sob seus exclusivos critérios comerciais quais e como os aeroportos brasileiros deveriam atender à explosão da demanda por vôos. A Infraero mostru-se -pra dizer pouco- leniente com os interesses dessas companhias, que por exemplo, transformaram Congonhas num Hub para o qual ele não se presta. De aeroporto vocacionado para a aviação regional, executiva e para os vôos diretos, Congonhas virou um eixo central de escalas e conexões na malha aérea brasileira.

4) Há um imbroglio de atribuições superpostas ou confusamente dispostas a travar o funcionamento do setor. ANAC, Infraero, Ministério da Defesa, Ministério da Aeronáutica. O setor aeroviário precisa de imediata clareza de regras, com o Estado voltando a cumprir com suas obrigações constitucionais de regulação e fiscalização de serviços seguros e de boa qualidade.


5) Há claro e antigo propósito de privatizar-se a Infraero, gestora de quase 70 aeroportos brasileiros. Bandeira neoliberal que não hesita em aproveitar-se das dificuldades do órgão e da aparentemente baixa qualidade de seus diretores para "provar" ao país -por meio da imprensa, claro- que o estado não tem competência para fazer isso. Esse é o pano de fundo da recorrência do uso do termo "caos aéreo" todas as noites nos telejornais e durante o dia nos jornais e revistas conservadores.

5) É passada a hora de tirar dos militares as atribuições de controle de tráfego aéreo no Brasil. Um modelo anacrônico e que nenhum país desenvolvido usa mais, já há muito tempo.

6) Deve-se fazer clara a condição operacional de Congonhas no que se refere à segurança para pousos e decolagens. A questão da área de escape, por exemplo: precisa? não precisa? o que fazer para minimizar o fato de que esse aeroporto está cercado de prédios por todos os lados? por quê um aeroporto como o de Londres, que também está cravado numa área urbana densamente povoada, é considerado seguro e Congonhas aparentemente não é? qual é a verdade técnica dessa história?

Enfim, o governo poderia muito bem redimir-se da demora em responder a essas questões e informar com clareza o que deve e vai ser feito para que os serviços aeroportuários brasileiros funcionem bem e com segurança. E quanto tempo será necessário para isso.





Ah, uma última coisa, só pra gente não esquecer: ano passado morreram 40 mil pessoas nas estradas brasileiras, cuja malha tem condições de segurança consideradas precárias em mais de 2/3.

sábado, 21 de julho de 2007

ACM, CULHÕES E SABEDORIA POPULAR



O corpo do senador Antonio Carlos Magalhães foi sepultado por volta das 18h:00 no cemitério do Campo Santo, em Salvador.


Encerra-se aí um ciclo importante na história da Bahia. Com ACM, espera-se que tenhamos nos despedido de um mito que compôs o imaginário popular em torno do macho branco, rico e poderoso -realizador e líder, sem dúvidas- que fez da truculência e da perseguição as ferramentas escolhidas para a manutenção do seu maior gozo: o poder. Numa terra de gente pobre e negra.


Desde sua nomeação para prefeito da Cidade da Bahia em 1967, ACM construiu mitos em torno de seu projeto de comando e fortuna. E foi vitorioso, quase sempre. perdeu poucas vezes.


Conseguiu convencer a muitos que amava a Bahia e os baianos. Mentira.


Amava acima de tudo a liturgia do poder, mandar sem discussões. Fez-se importante porque os baianos nunca negaram-lhe reconhecimento por aquilo que espera de seus líderes: coragem, determinação, farta intuição do que vai na alma popular.


Perdoem-me usar essa expressão: ACM venceu porque tinha culhões. E o povo da Bahia admira e respeita quem tem culhões e vence.


Os que hoje apontam os crimes de Toinho Malvadeza -crimes reais, que lamento muito não vê-lo responder em vida por eles- deveriam aprender uma coisa com ACM. A ter coragem de olhar nos olhos das pessoas e transmitir verdade com suas palavras.


Tirano, destemperado, cruel e arrogante. Mas morreu admirado pelo povão da Bahia, que só não lhe deu mais porque mesmo admirando seu peito desbravador, nunca perdeu de vista que apesar da cabeça branca, ACM não era um homem sábio. E o povo não assina cheque em branco para homens velhos que não são sábios. Esse foi o limite dado a Antonio Carlos Magalhães pelo povo que ele jurava amar.


Limites como esse -e há outros--que o sofrido povo baiano saberá dar aos homens públicos de hoje e de sempre. Que ninguém ouse duvidar da imensa sabedoria do povo baiano e brasileiro.


A foto daí de cima foi realizada hoje por Marco Aurélio Martins, da Agência A Tarde; a de baixo por Lula Marques, da Folha Imagem, em 1992.

O VELÓRIO DE ACM


São escassas as imagens na internet da chegada a Salvador, translado ao Palácio da Aclamação e velório do corpo de ACM. Nenhuma só foto de qualidade, até aqui, do povo da Bahia em fila para dar o a adeus ao velho coronel.


O pouco que foi divulgado são imagens dos políticos presentes à cerimônia, com ACM Neto sempre em primeiro plano. O site do jornal A Tarde poderia e deveria produzir e publicar grandes fotos desse importante acontecimento. Até o momento não o fez. Parece que a imprensa, ao desistir de fazer jornalismo para mover uma campanha diuturna de ódio e difamação contra o presidente Lula, perdeu o senso de oportunidade noticiosa. Fotos importantes, por exemplo, só as dos abundantes necrológios. Tomara que corrijam isso durante o enterro de ACM, que acontecerá no cemitério do Campo Santo, ao final da tarde. Essas que estão aqui são do João Wainer (Folha Imagem) e foram extraídas do portal UOL



Mas o povão baiano não tá nem aí pra imprensa. Foi e continua chegando ao Palácio da Aclamação para prestar sua última homenagem à mais importante personagem da história política da Bahia. Como gostaria de fazer o presidente Lula, que goza de grande popularidade na Bahia e foi ao Incor visitar o Cabeça Branca mas preferiu -até o momento, pode haver surpresas- se resguardar das vaias orquestradas pelos que o odeiam.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

ACM ESTÁ MORTO



Acaba de ser anunciada a morte do senador baiano de 79 anos Antonio Carlos Magalhães.

ACM morreu no Incor (São Paulo) às 11h:40, vítima de falência múltipla de órgãos. Ele estava internado desde 13 de junho para o tratamento de insuficiência cardíaca e renal. Teve seu quadro clínico agravado há uma semana por conta de complicações gástricas.

O corpo será levado para Salvador daqui a pouco para os ritos fúnebres, que estarão a cargo do cerimonial do governo do estado, como prometera o governador Jaques Wagner à família de ACM.


O presidente Lula estará presente ao sepultamento. (ATUALIZAÇÃO, ÀS 00H:47 DE 21/07/2007 - ATÉ O MOMENTO O PALÁCIO DO PLANALTO INFORMA QUE O VICE-PRESIDENTE JOSÉ ALENCAR REPRESENTARÁ O PRESIDENTE LULA NO VELÓRIO E NO SEPULTAMENTO DE ACM, NESSE SÁBADO. A AVALIAÇÃO É QUE SÃO GRANDES AS CHANCES DO PRESIDENTE TER VAIAS ENCOMENDADAS, COMO AS QUE FORAM ORGANIZADAS PELO PREFEITO DO RIO DE JANEIRO CESAR MAIA NA ABERTURA DOS JOGOS PANAMERICANOS, NO MARACANÃ. MAS PODE HAVER SURPRESAS DE ÚLTIMA HORA POR CONTA DA EXCELENTE POSTURA DO GOVERNADOR DA BAHIA, JAQUES WAGNER, RECONHECENDO A IMPORTÂNCIA DO VELHO SENADOR BAIANO E O DEVER DO GOVERNO DO ESTADO EM PRESTAR-LHE AS DEVIDAS HOMENAGENS -A DESPEITO DE TRATAR-SE DE UM ADVERSÁRIO POLÍTICO.

Os baianos que amaram e os que odiaram ACM estão de luto. A Bahia chora a perda de seu mais importante personagem político das últimas décadas.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

ACM AGONIZA NO INCOR


O senador Antõnio Carlos Magalhães vive seus últimos instantes no Incor, em São Paulo.


Foi operado no final da tarde de hoje para a introdução de uma sonda no intestino e está em coma induzido. Falência de coração e rins, os médicos já não têm mais o que fazer. Já não tinham, na verdade, desde a semana passada, conforme o que publicamos aqui no dia 15/07 (veja logo mais abaixo).


A Bahia vai ser sacudida nas próximas horas com o anúncio do falecimento e o início do seu processo de canonização pela imprensa local, liderada pela TV Bahia -afiliada da TV Globo e propriedade de seus familiares.


Os ritos funerários de ACM entrarão para a história da Bahia. Amado ou odiado por todos os baianos, mobilizarão centenas de milhares de pessoas em Salvador, sob forte comoção. ACM morreu emocionalmente com a perda de seu filho, Luiz Eduardo Magalhães, em 1998. E politicamente com a vitória de Jaques Wagner para o governo da Bahia, em 2006.

Deixa um legado de incansável capacidade de ação e comando. Um líder, incontestavelmente.

Que sua morte abra caminhos para um tempo de luta política em níveis civilizados. Sem perseguições, sem ódios.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

SOBRE A TRAGÉDIA DE CONGONHAS


Recuso-me a falar sobre o tratamento medíocre e oportunista que a grande (grande?) imprensa deu imediatamente após o terrível acidente ocorrido há poucas horas atrás no Aeroporto de Congonhas. Era óbvia a intenção de vincular a tragédia -que deverá produzir algo em torno de 200 mortos- ao "apagão aéreo".


Ninguém pode saber, poucas horas depois, o que aconteceu. Só a perícia irá elucidar os fatos. De pronto, há três hipóteses circulando entre técnicos e pilotos, na internet:


1) A pista ter sido liberada, após as reformas concluídas em 30 de junho, sem as devidas condições de segurança. Se foi isso que provocou a aquaplanagem do A-320, a Infraero está em péssimos lençóis. Sua diretoria virtualmente demitida e a União com uma pesada indenização a pagar pelas perdas humanas e materiais provocadas.


2) O piloto ter aterrisado num ponto muito adiante da cabeceira da pista e/ou numa velocidade acima do permitido, seja por falha técnica na aeronave, seja por erro grave do piloto.


3) A combinação das duas hipóteses acima, o que exigiria muita clareza para responder à pergunta óbvia: se não houvesse a falha técnica ou humana essa ou outra aeronave teria aquaplanado?


Seja lá o que tenha acontecido, resta exigir investigações sérias para a apuração das responsabilidades. E meter o dedo na ferida acerca dos interesses comerciais que colocam em risco, com a superutilização de Congonhas, a vida de milhões de pessoas.

terça-feira, 17 de julho de 2007

PERDER, VENCER, PERSEVERAR



O Brasil chorou ontem com Jade Barbosa, ginasta carioca de 16 anos que estava na liderança das provas do individual feminino do Pan Rio 2007 -sua primeira competição internacional- quando caiu nas barras assimétricas, traída pela pressão do momento. Com a queda foram-se as chances de medalha. Ficou em quarto.

Na foto acima, o momento em que ela era recebida, ao término da apresentação, por Oleg Ostapenko, treinador ucraniano que tem contribuído muito para o desenvolvimento da ginástica artística brasileira.




Hoje ela voltou ao lindo ginásio poliesportivo, onde realizam-se as provas de ginástica do Pan, para dar dois saltos mágicos e pôr uma medalha de ouro no peito. Sorriu gostosamente e o Brasil a acompanhou mais uma vez. Na alegria como na tristeza.

Em 24 horas, Jade Barbosa e o esporte olímpico lembraram aos que hoje choram -acuados pela tristeza e pelo desalento- que o mundo premia os que não se entregam. A dor de hoje prepara o sorriso de amanhã.

Obrigado menina Jade. Não pretendo aos 44 anos espelhar-me nas suas lindas performances pra iniciar-me na ginástica, fica pra próxima encarnação. Mas como foi bom ver você sorrindo hoje, vitoriosa após vê-la chorando ontem, na derrota: lembrei que vencer é sempre um exercício olímpico na prova da persistência.

Obrigado pela dica, menina danada!

domingo, 15 de julho de 2007

A BAHIA E A MORTE DE ACM


Aproxima-se o fim de Antônio Carlos Magalhães. São óbvios os sinais de falência múltipla dos órgãos do velho senador, a anunciar sua morte antes de completar 80 anos.

Não vou comemorar a morte desse velho cacique da política da Bahia e do Brasil. Não comemoro a morte de quem quer que seja, por pior que tenha sido sua obra. Deve-se respeito à sua família e aos milhões de baianos que chancelaram seu nome para o governo da Bahia e para o senado brasileiro.

Com seu falecimento, inicia-se o trabalho de canonização nas redações baianas , liderado pela TV Bahia. Emoção a serviço de um estilo de gerir a coisa pública que resistirá ainda por muito tempo, após o sepultamento de Toinho Malvadeza. Ele deixa herdeiros.

Antônio Carlos Magalhães foi a um só tempo o pior e o melhor que a Bahia produziu. Um realizador, notável em sua capacidade de dar asas às decisões tomadas, principalmente às que construíram sua fortuna e influência.

Liderou com mãos de ferro um grupo que dominou os destinos da Bahia por quase quatro décadas, com breves e muitas vezes desatrosos hiatos –como no governo Waldir Pires / Nilo Coelho. Puniu exemplarmente e de forma pública os que se beneficiaram de seu guarda-chuva e um dia ousaram rebelar-se.

ACM foi a síntese do comando arrogante, autoritário. O exato oposto da finesse Iorubá, pródiga no terreno do respeito e da interlocução reverente mas altiva. Fracassou no desenvolvimento da Bahia, que ainda ostenta os piores índices sociais do Brasil, atrás apenas de estados como o Piauí e Alagoas.

Fez fortuna ao praticar um dos mais eloqüentes exemplos de patrimonialismo do estado, no dizer de Raymundo Faoro. Fez privada a coisa pública e com seu exemplo permitiu que seus auxiliares assim o fizessem também, em menores escalas.

Foi xerife da ditadura militar desde a primeira hora e só desembarcou da canoa quando farejou a mudança dos ventos. O episódio das bravatas contra o então ministro da Aeronáutica do governo Figueiredo, Délio Jardim de Matos, marca o início dos melhores anos vividos por ACM e sua entourage.

Fez-se Ministro das Comunicações do governo Sarney e protagonizou o maior escândalo da história da república brasileira ao distribuir, como moeda política, concessões públicas de rádio e televisão. Foi amplamente beneficiado com isso ao assumir o sinal da TV Globo na Bahia. Como sempre por meio de seus laranjas –familiares ou não. À semelhança do fez com a construtora OAS.


Adversário cruel, esmagou setores da imprensa baiana como o Jornal da Bahia e opositores políticos. Lídice da Mata, ex-prefeita de Salvador, foi talvez o mais claro exemplo de como destruir diariamente a imagem de um governo democraticamente eleito, servindo-se de seus poderosos meios de comunicação. Perseguiu implacavelmente seus inimigos, não dando-lhes um único instante de trégua. Disseminou a truculência como modelo de gestão e o populismo clientelista como sustentáculo político.

A Bahia lamentará a morte do seu mais importante personagem político desde Otávio Mangabeira. E seus seguidores não perderão a chance colocarem-se como viúvas inconsoláveis e abnegados herdeiros da “luta” por uma Bahia “feliz”, tão amada que foi pelo “Cabeça Branca”.

Passada a comoção meticulosamente estimulada pelas redações baianas, rogo a Exu que leve seu melhor filho para os caminhos que construiu. E com ele uma página de horror travestida de “amor pela Bahia e pelos baianos”, como apregoou por tantos anos.

Ao som dos atabaques, a velha Bahia se despedirá de seu coronel. Passado a Axexê, contudo, esses mesmos atabaques poderão soar alegremente para saudar o início de um tempo onde a tolerância e o respeito convivam com a luta de idéias, emoldurando um tempo de paz e prosperidade para o sofrido povo baiano.

Laroiê, Exu. A Bahia te devolverá em pouco tempo aquele que honrou suas contradições e sua capacidade de realizar. Leve-o com o vento e volte pra ajudar o povo da Bahia a cumprir seu destino de ser, finalmente, feliz. Sem truculência. Sem malvadezas.

terça-feira, 10 de julho de 2007

AS 7 MARAVILHAS DA BAHIA



É de rolar de rir. Passada a divulgação das novas “7 maravilhas do mundo”, a grande (grande?) imprensa brasileira resolveu dar espaços aos óbvios questionamentos acerca desse incrível negócio virtual, que fez a fortuna de seus idealizadores.

Repercutiram com destaque ontem o editorial do diário espanhol “El País”, divulgado no site da BBC Brasil (veja
aqui), sobre a farsa que foi essa eleição, definida por voto direto via telefone ou internet.

Aviso que nada tenho contra Jesus e sua estátua no Corcovado. Muito menos contra o Rio de Janeiro. Sou apaixonado pelo Rio e por sua gente, quem acompanha esse blog tá careca de saber disso. Mas mobilizar a opinião pública para “votar no Cristo” é demais pro meu cabeção. Patriotada semelhante ao espírito da “pátria-de-chuteiras” em tempos de Copa do Mundo.

Palmas eu bato é pro marqueteiro que bolou essa idéia. Fez uma grana preta em direitos de televisão e outros acordos de patrocínio pelo mundo afora unicamente por sacar que poderia dar vazão ao nacionalismo de platitude, apoiado fundamentalmente pela imprensa. Quem não quer ver o Cristo Redentor celebrado como uma maravilha do mundo contemporâneo? Então "vote, participe, contribua para a exaltação de nossas maravilhas!".





Ah, você também quer “participar” da “luta” contra a devastação do planeta? Seus problemas acabaram! tem Live Earth, tem Greenpeace precisando de dinheiro pra salvar as baleias e mais uma infinidade de produtos e serviços em prol de um mundo melhor, tudo politicamente correto. Basta você participar! grátis, a desobrigação de dar uma mão praquela entidade sem fins lucrativos do seu bairro, que luta todo o dia pra alimentar crianças abandonadas. Quem mandou não organizar um espetáculo em escala mundial, né?

Por conta dessa palhaçada toda (peço perdão pelo azedume mal refreado, ando meio chato mesmo), resolvi organizar um concurso também, pronto! É que lembrei de uma história que falava de três barbearias instaladas numa mesma rua. Um de seus proprietários resolveu agir para aumentar a freguesia e mandou uma faixa na porta, em que lia-se: “A Melhor Barbearia da Cidade”; um de seus concorrentes ficou incomodado e colocou na sua o seguinte dizer: “A Melhor Barbearia do Estado”.

O terceiro, sagaz como os criadores do “Live Earth” e do “7 Maravilhas”, não perdeu tempo e ganhou a guerra das barbearias com a seguinte frase: “A Melhor Barbearia Dessa Rua!”.






Pois então, está lançado o concurso “As 7 Maravilhas da Bahia”. É muito simples: eu vou elencar nesse post 7 coisas que entendo como maravilhosas na Bahia. E convido a quem estiver lendo esse post para que inscreva suas maravilhas no campo de comentários, logo abaixo. Se preferir, escreva para o e-mail galinhodobrasil@gmail.com. Em breve publicarei aqui a relação completa das maravilhas da Bahia lembradas pelos leitores do Blog do Galinho. As minhas são as seguintes:

1) Sexta-feira de carnaval no Pelourinho, ao som do Olodum.

2) Beijar na boca ao entardecer, no Ponta de Humaitá.

3) Final de semana em Mutá, com muita moqueca de cação, cerveja gelada e samba de roda com a turma do Barravento.


4) Caminhar sob a chuva numa praia deserta do Litoral Norte ao lado do seu grande amor.


5) Reencontrar amigos do peito numa barraca durante a festa do Bonfim.


6) Devorar as iguarias de “Pedro do Mocotó”, na Feira de São Joaquim.


7) Ver o Vitória devastar o Bahia perante 60 mil torcedores, numa linda tarde de sol na Fonte Nova.



Beijos, fui.

(A foto do Elevador Lacerda, lá em cima, foi feita por um craque chamado Alexandre Huang. Mais clicks dele você vê AQUI.)

segunda-feira, 9 de julho de 2007

O BURACO DA FECHADURA E UM ROGO




Homens são voyers. Nascem assim.






Desde cedo fazem qualquer malabarismo por um vislumbre, uma revelação, pequena que seja.










Vítimas fáceis. Previsíveis de dar dó, uma judiação.








Crescem tontos com tantas curvas, derrapam e se perdem nelas e por elas, coitadinhos...







Não reclamo da minha sina. Aceito-a resignadamente e, confesso, sou um tolo feliz.








Quem me dera navegar em seus mistérios, reconhecer instantaneamente a menina e a mulher.





Senhor, negaste-me glória e fortuna. Estenderás tua ira, recusando-me eternamente esse saber?

sexta-feira, 6 de julho de 2007

COISA DE BAIANO IV – O FUTEBOL


Uma vez eu contei aqui sobre a primeira vez em que fui a um estádio de futebol. Falava sobre o meu pai e de com a transmissão de valores tipicamente masculinos, como a paixão pelo futebol- une indelevelmente pais e filhos.

Pra quem não leu esse post, relembro: domingo à tarde, decisão do Campeonato Baiano de Futebol de 1972, Bahia X Vitória.

Osny, André, Mário Sérgio. Ataque vermelho e preto de sonhos, lindo ponto fora da curva nos tricolores anos setenta do futebol baiano.

Todas as outras vezes –e não foram poucas- em que voltei à Fonte Nova foi para renovar as sensações embriagantes daquele dia. A primeira delas, entrar no estádio pelas catracas da Ladeira da Fonte das Pedras, a parte nobre daquele lugar, por abrigar a torcida do Vitória. O lento subir das escadas rumo ao anel superior descortinava aos pouquinhos o espetáculo do sol sobre o enorme tapete verde do templo maior do futebol baiano. Que lindeza, tanta gente, tanta expectativa, quanto delírio ao soar o apito do árbitro. Esperanças eternas de ver meu Vitória passar sobre o Bahia qual impiedoso rolo compressor...

Foi na Bahia que aprendi quase tudo o que sei. Inclusive a me encharcar de emoção ao ver o Vitória entrar em campo, saudado por sua torcida aos gritos e foguetório. É mágico o momento em que um time entra em campo, vive-se um cataclisma de emoções quase igual ao de um gol. Não conhece esse prazer essencial quem acompanha o futebol pela televisão, além de naturalmente não conseguir enxergar a completa disposição dos jogadores em campo, somente possível aos olhos de quem pagou pra ver ao vivo.

Bandeiras, charangas, cantorias feitas pra animar o time querido e provocar a torcida adversária. Sujeito vendendo picolé na base do “quem não pediu, pida!”; pipoca em saco plástico, talvez desde a rodada passada; “aminduins” torrados ou cozidos, pode escolher; cerveja na cantina do estádio, lotada no intervalo e nem sempre gelada, ô cassete!

Um festa de confraternização em vários níveis. Total quando vai-se acompanhado de amigos ou filhos, com quem divide-se opiniões, júbilos, apreensões e “análises táticas”. Campo de futebol é bom de qualquer jeito mas certamente melhor quando acompanhado, embora não vá faltar a quem abraçar na hora do gol: aquele é o ponto de encontro de uma tribo que funde nas arquibancadas seus laços de comunhão e irmandade, desfeitos ao final da partida. Todos reconhecem-se irmãos e fundamentais para a produção daquelas poderosas ondas de fervor, uma espécie de Jihad futebolística.

Emoções trepidantes, nascidas aos poucos, com o avançar do time rumo às redes adversárias. Catarse ali tem nome de gol.

Fui menino na Bahia assistindo o Vitória levar pau do Bahia ano sim e no outro também. Acho que veio daí o pendor pra nadar contra a maré. Inexplicavelmente não desisti do velho rubro-negro baiano e até hoje acompanho-o onde quer que ele ou eu estejamos. Mais que recusar-me à desistência, inoculei em Gabriel, Arthur e Fernanda –meus filhos- o vírus dessa profissão de fé, estóica tantas vezes, que é torcer pelo Vitória.

Deram mais sorte do que eu, cresceram vendo o que continua acontecendo, o Vitória humilhando o Bahia em anos pares e ímpares. Bem feito!

É uma lástima ver a agonia do Bahia. Sério, não falo pra tripudiar dessa lenda em vias de extinção, não chuto cachorro morto. Falo por respeito à sua majestosa torcida e aos meninos que hoje vêem seu time se dismilinguir e que talvez não tenham a oportunidade de vê-lo forte e campeão, como seus pais viram e eu também vi, pra minha tristeza.

Em cada estado há sempre o time do povão, o time que melhor traduz com suas cores e história a alma de um povo, embalando-o em glória. Corinthians em São Paulo, Flamengo no Rio, Grêmio no Rio Grande do Sul, Atlético em Minas e por aí vai.

Ao Bahia quis o destino dar essa missão e caminha pra 20 anos que ele a renega, deixando órfãos milhões de baianos que incendiavam a Fonte Nova com seus gritos de guerra, certos de que no campo um time ia ser sacudido em seus brios e um outro iria tremer. A torcida ainda está lá, berrando feito louca, agora inutilmente. Nem seu maravilhoso hino consegue ressuscitar os dias de glória, virou motivo de piada a renovação anual do elenco tricolor, quando troca-se um time inteirinho de pernas-de-pau por um de cabeças-de-bagre, uma judiação...

Foram-se os tempos de exaltação e sucessivos triunfos. Melhor pra gloriosa torcida rubro-negra. Pior para o futebol da Bahia e para “a minha cara e minha nobre família baiana”, como dizia um radialista na época em que torcer pelo Bahia, gostar de mulher e de mocotó com cerveja gelada era quase tudo que um baiano precisava para ser feliz.

Hoje é diferente. Quer ver? ouça o depoimento de um sofrido torcedor tricolor a uma rádio baiana, em 2006. Sinto tanta pena...

Beijos, fui!

quinta-feira, 5 de julho de 2007

ANSELMO E LAMARCA


Parece um filme de terror que insiste em ganhar novas edições.

José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo, deu hoje entrevista ao Estadão (veja
AQUI), reinvindicando direitos de aposentadoria, como vítima do golpe militar de 64.

Anselmo, que vive desde fins dos anos 60 com a falsa identidade emitida pelo estado brasileiro, parte do acordo feito entre ele e o delegado Sergio Fleury, era presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Marinha em 1964 e foi cassado pelos militares já no AI-1. Em pouco tempo passou de desafeto dos militares para ativo colaborador da repressão comandada por Fleury, atuando como espião infiltrado nas organizações de esquerda que optaram por combater a ditadura com armas na mão.

Deve-se a ele grande parte do extermínio de militantes da VPR, ALN e do MR-8, inclusive de sua mulher, Soledad Barret Viedma, executada com mais cinco integrantes da VPR na periferia de Recife. Ela estava grávida de sete meses de um filho dele.

Anselmo fala por meio da mesma imprensa que se pôs a serviço do obscurantismo fascista ao mostrar-se indignada com a recente decisão da justiça brasileira de indenizar os herdeiros do capitão Carlos Lamarca, executado com sete tiros no interior da Bahia por uma tropa do Exército liderada pelo hoje general reformado Nilton Cerqueira. Yara Iavelberg, mulher de Lamarca, foi morta num apartamento no bairro da Pituba, em Salvador.


Não vou gastar teclado para defender Lamarca e execrar Anselmo. A história já os fez. Lamarca morreu lutando contra o fascismo. Anselmo serviu-se da ditadura para entregar pessoas perseguidas pelos cães da tortura e do assassinato em nome do estado. Um foi perseguido; o outro, perseguidor.

Nunca é demais lembrar que essa grande (grande?!) imprensa, que a pouco difamou o nome de Lamarca e hoje dá voz ao Cabo Anselmo, é a mesma que apoiou decisivamente o golpe militar de 64. E que hoje trabalha diuturnamente para criar um impasse institucional capaz de pôr fim ao governo Lula, como fez com o presidente João Goulart. Serve-se para esse fim de sabujos como Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, mais escancaradamente, e de Eliane Catanhede e Alexandre Garcia, mais suavemente. Há muitos outros nas redações empenhados no mesmo fim.

Custa acreditar que a imprensa brasileira tenha assumido um papel tão vergonhoso, praticando diariamente a mentira, a omissão e a calúnia como valores centrais de suas edições. Incrível.