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sexta-feira, 15 de junho de 2007

A IMPRENSA E O CADÁVER DE LULA


A imprensa brasileira não dá tréguas no seu firme propósito de criar uma crise institucional capaz de derrubar o presidente Lula. Não há mais limites, o jornalismo foi substituído pelo golpismo, pela hipocrisia e pela condição de porta-vozes da direita brasileira em que se transformaram as redações dos grandes veículos da imprensa. O epísódio do semi-analfabeto Vavá, irmão do presidente Lula, guindado à condição de lobista é um exemplo claro de incompetência política e má-fé jornalística. É quase impossível imaginar o Vavá fazendo mais do que contando no buteco da esquina que é irmão do presidente.

O fato é que o poder da imprensa vem sendo fortemente erodido nos últimos anos por vários motivos. Primeiro, por razões econômicas: novas mídias e a internet pulverizaram receitas históricas da Editora Abril e da Rede Globo e retiraram-lhes de quebra a exclusividade de formação da opinião pública em larga escala.

Essas dificuldades econômicas, aliadas à vaidade, parecem ter conduzido a mídia a uma atitude de arrogância inacreditável no trato com o subestimado metalúrgico, iletrado mas atento às velhas práticas da imprensa em criar dificuldades pra vender facilidades desde os tempos de Assis Chateubriand. Peitou os publishers e os venceu sem a truculência que Hugo Chavez usou no episódio da RCTV: o país cresce, os juros caem, reformas estruturantes seguem seu curso e nunca houve tão bom ambiente econômico para a decolagem brasileira como agora.

Peças importantes do projeto de poder de Lula foram perdidas nesse duríssimo embate. Palocci e Zé Dirceu foram as mais representativas baixas. E nem por isso Lula deixou de ser reeleito e gozar da impressionante popularidade que tem dentro e fora do Brasil.

Por fim, a imprensa perdeu ainda mais receitas e credibilidade quando decidiu que uma onda interminável de denuncismo poderia resolver seus problemas imediatos de audiência/receitas e de subjugação do poder executivo pela chantagem, na seqüência. Água de novo, encolheram em faturamento e credibilidadde pública. Não aprenderam nada com a reeleição de Lula.

Esses velhos barões da imprensa não sacaram que o fenômeno da internet dinamitou a exclusividade da construção do discurso em que foram criados. Para cada neofacista do calibre de Diogo Mainardi, Arnaldo Jabor e Reinaldo Azevedo a internet abre seu palco para gente como Luiz Nassif, Paulo Henrique Amorim e Mino Carta. E para milhões de outras pessoas que como eu, escrevem pra suas reduzidas platéias, pulverizando opiniões livremente por aí.

Não tenho ilusões quanto a esse jogo estúpido proposto por TV Globo, Veja, Folha e Estadão. É chantagem mesmo, golpismo no duro para a obtenção, por exemplo, da exclusividade na produção e distribuição de conteúdo na era da TV digital. Só não posso deixar de sentir tristeza em ver tantos jornalistas abnegadamente a serviço dos interesses estratégicos de seus patrões. É deprimente ver o despudor do jornalismo em episódios como esse do Vavá.

A sorte é que o povão tem uma intuição extraordinária, aprendeu a desconfiar do que ouve no rádio e do que vê na televisão. Isso os barões também não sacaram, o povo brasileiro amadureceu uma barbaridade nos últimos anos.

Mino Carta descreveu com a precisão de sempre esse triste momento da história da imprensa brasileira, anteontem no seu
blog. Transcrevo esse post aqui:

Os vencedores estão a perder

Sempre me incomodou a idéia de que a história é escrita pelos vencedores. Incomoda, mas costuma ser assim mesmo. Para o jornalista (não aludo, obviamente, aos sabujos do patrão) é a desgraça. O desastre. Agora, permito-me examinar a situação atual no País. E esfrego as mãos de puro contentamento: os vencedores de ontem, e de sempre, estão a perder. A mídia nativa produz diariamente notáveis buracos n’água. Anda sôfrega atrás de uma crise, qualquer crise, desde que ponha em xeque o metalúrgico presidente. E não consegue, a espeito do esforço maciço e diuturno. É o ciclope Polifemo, burlado por Ulisses, o Odisseu.

3 comentários:

Djan D. Santos disse...

Legal. Ótimo este teu blog, Paulo.
E a matéria da imprensa também é muito boa. Atualmente, nem todo mundo fala o que pensa, e como vc disse, quem fala normalmente tem platéia pequena.
Mas a nossa platéia pequena tem opinião forte e original. E isso vale muito num país como o nosso, que se acomoda diante da realidade.
Paulo, gostaria que vc comentasse no meu blog www.djansantos.blogspot.com
O Blog Fala Sério! é bem legal e fala de acontecimentos atuais de uma forma diferente.
Passa lá e deixe seu comentário.
Até mais

paulo galo disse...

apareça sempre que puder, djan. vou retribuir a visita sim, chacumigo, flw?

Regis disse...

Ridículo seu comentário, se a imprensa fizesse com Lula o que ela fez com Collor, ele já teria caido a muito tempo. A questão é que Lula não aceita nenhuma crítica e sempre que é criticado ele reclama. Lua por exemplo chamou os trabalhadores urbanos de vagabundos, e quem reclamou? Lembro-me quando FHC chamou as pessoas que queriam aposentar-se cedo e foi um alvorosso danado.