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segunda-feira, 11 de junho de 2007

FIGUEIREDO E A FESTA GAY DE SAMPA

Álvaro Portela Figueiredo Junior é um velho e querido amigo mas tem dois defeitos fundamentais -perfeitamente suportáveis, adianto.

Torcedor do Esporte Clube Bahia, lenda urbana que trafega uma via expressa de extinção semelhante à dos tigres siberianos. Não sobreviverá às próximas duas décadas.

Segundo, vive tentando me persuadir à revisão de conceitos que me são caríssimos, como o amor pelas mulheres. Ontem mesmo, após a inesperada derrota do Vitória para o Santo André em Salvador, recebi um email dele bem engraçadinho, recomendado-me participar da Parada Gay de São Paulo para talvez compensar o desgosto desportivo do dia anterior.

Ora, Figueiredo, quando saíamos nas madrugadas pra fazer farra em Salvador, há uma porrada de tempos atrás, esse papo não fazia parte do nosso cardápio. A rabada que entrava na pauta era a que Cimira preparava com farto pirão lá no bairro de Cosme de Farias.

Mas confesso que fiquei com uma pulga atrás da orelha. Tantos anos aqui de volta pra terrinha e nunca fui na Parada Gay. Resolvi ir e quer saber? Gostei pra caramba. Um mar de gente, muitas famílias, muitas crianças e, claro, muitos “ativistas” também.

Mas o clima é de festa, astral de diversão e convivência mais que civilizada. Trios elétricos em fila, música rolando solta numa tarde linda de domingo. Se tivesse Chiclete com Banana, Ivete Sangalo e Olodum virava carnaval baiano no alto da Serra do Mar. Muito legal.

Ninguém relou um dedo na minha pessoa, exceto um sujeito vestido de Mulher Gato que me mandou um beliscão dizendo “ô bunda gostosa da porra”, denunciando forte sotaque baiano. Inexplicavelmente saiu correndo quando eu me virei pra ver que diabos tinha acontecido. Parecido com Figueiredo, estranho...será?!

Afora esse incidente, o que vi foi uma uma bela celebração à tolerância, ao respeito às diversidades. E como a intolerância virou pra mim tema tão importante quanto o aquecimento global, às epidemias e à fome, senti que eventos dessa natureza contribuem muito para darmos passos largos rumo à civilização.


Bom seria que fossem organizadAs mais festas temáticas públicas, voltadas para a desmontagem de outras formas de violência. A lista é grande mas poderia começar com a agressividade no trânsito, o ódio classista na política, as guerras de torcidas, a truculência policial contra os moradores da periferia, o preconceito religioso contra os adeptos dos cultos afro-brasileiros, a violência doméstica e outros tantos que se elencados consumiriam telas e telas nesse post.

A única coisa que não poderia faltar nessas outras festas é o que eu vi na Avenida Paulista hoje: música, gente e alto astral. Com esses elementos é uma beleza empunhar bandeiras civilizatórias.

É isso. Fui, inté.

7 comentários:

Alvaro disse...

Galinho,
meu caro, parabéns pelo blog, tá tudo muito bom, tudo muito bem, mas realmente, os anos passam, a memória falha, começam as alucinações.
Dois anos sem ver Sampa, não o faria pra beliscar bunda de macho, tantas são as atrações femininas da paulicéia.
Deixo ao amigo os desvarios da idade e o lamento das ilusões rubro-negras.
Mas felicito a saida do armário. Quem tem o que é seu, dá pra quem quiser. té breve. af

paulo galo disse...

só assim pra trazer vc pra meu terreiro, né irmão. e com direito a comentário, que beleza! olha que eu tenho resistido bravamente ao uso deslado da provocação para alavancar audiência mas como funciona, que coisa...

Marcia disse...

Paulinho,
O galinho tá cada vez melhor: engraçado, bem escrito, poética. Parabéns... Ah, e famoso, já que recebeu até comentário de cineasta.
Proponha a criação de um portal abarcando ou abraçando Marcus, Nilson, Katia, o galo, o sarapatel..e obrigaríamos Alvinho a fazer um tb....beijos
PS- não saia que vc era amigo dessa figura....

Márcia disse...

OLha a mensagem que mandei pra ele, via grupo de jornalista..Vem chumbo grosso....

Alvinho
Soube que, vestido de felino (a), vc deu pinta ontem em Sampa. Conta essa estória direito, meu guru.
Bjs
Márcia

marcia disse...

Eu de novo.. mandei o post para o grupo de jornalista e aproveitei pra colocar o link do seu blog...
bjs

paulo galo disse...

Alvaro "Mulher-Gato" Figueiredo faz parte da galera da Escola Técnica Federal da Bahia da virada dos 70 para os 80. Brother super querido e figuraço desde sempre. Fez parte dessa entourage Marcus "Licuri" Vinicius, Josias "TVE" Pires, Olenka Machado e outros que vc deve conhecer também. Uma hora dessa vou contar umas histórias dessa galera por aqui. A Bahia vai tremer, hehehehe. Tava com saudades de vc, mulher!

K disse...

Quanto agito na parada. Deu até vontade de ir no ano que vem. Bundalelê e o portal que Márcia sugeriu? Bacana. Um protesto: já fui duas vezes ao Sarapatel e ao Licrui e nada de post novo. Assim não dá, assim não é possível.