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quarta-feira, 13 de junho de 2007

BLOGANDO O NÃO-ASSUNTO



Tem dias que é foda.

Passei a vida inteira lendo meus cronistas favoritos vez ou outra declararem em texto que estavam submetidos a um súbito apagão criativo. Nada a declarar, apenas confessar da forma o quanto mais criativa possível que juntos fugiram criatividade e tema, abandonando o escriba à sua própria sorte.

Por júpiter, se isso aconteceu com Drummond, Sabino e Clarice por quê raios de motivos não haveria de acontecer comigo, cristão-novo da escrita eletrônica que quis o destino não ser iluminado como essas pessoas na hora de transformar idéias em parágrafos?

Outro dia uma amiga me perguntou como se dava a produção dos meus posts. Demorei uns segundos pra responder, eu nunca tinha me perguntado isso. Respondi o que me soou mais honesto: rigorosamente crio o que me dá na telha, sem a menor censura interna.

Por vezes o post surge completamente estruturado na cachola, é sentar e escrever. Depois pesquisar imagem, editar e fogo; outras vezes não, preciso navegar na imprensa, em outros blogs, em bancos de imagens, Youtube, Wikipédia –enfim, tenho que dar uma bela passeada por aí pra intuir um tema.

Esse passeio também pode perfeitamente significar uma ida à Pão de Ouro, padaria perto daqui de casa que freqüento pra comprar pão, frios e ficar de conversa fiada com o Franklin, dono do estabelecimento, e com seus funcionários. Padaria é um dos mais importantes locais de convivência dessa cidade, quem vive em São Paulo sabe bem da importância das padocas, como são chamadas.

Pedalar no Ibirapuera ou no Villa-Lobos também rende bons temas, bem como a academia. Na verdade são lugares em que, como na padoca, pode-se ver e conversar com as pessoas e essa é pra mim a grande fonte de inspiração: gente falando.

Como pouco tenho saído de casa nos últimos dias, o mundo tem cabido nessas 17 polegadas que estão aqui na minha frente, suficientes pra quem quer informação, nada pra quem precisa se alimentar de sons e cores vivas. Definitivamente ficar muito tempo na caverna, sofrendo com as pressões que tenho lidado não vai gerar nenhum acontecimento espetacular. Pra falar pouco, porque na verdade esse meu período de recolhimento sabático já tá é me torrando o saco!

Vai daí que cá estou eu a estrear na arte de transformar o nada num não-assunto capaz de trazer sua leitura até esse ponto, em que me despeço: vou pedalar na avenida Sumaré e à noite encontrar amigos pra uma prosa acompanhada de chopp e espetinho de carne. Volto amanhã com relatos que se deus quiser confirmarão o que disse sobre o resultado em textos da atitude de pôr a cara na rua.

Deixo um vídeo com Fernando Deghi, notável violeiro erudito de São Paulo que andou por Portugal e Ilha da Madeira tempos atrás e voltou dedilhando sua viola caipira como os portugueses já faziam quando trouxeram esse instrumento maravilhoso para o Brasil, no século XVl. Esse cara e o Ivan Vilela são dois dos maiores instrumentistas em atividade da viola brasileira.

Beijos, inté


4 comentários:

Leo Baiano disse...

Fica triste não [e acho que não esta mesmo] "atire a primeira pedra" quem nunca ficou sem tema para postar! rs

mas para quem estava sem tema saiu um post muito bom e longo viu... vou passar a acompanhar teu blog!

Bom cheguei até aqui através do comentário que vi teu lá no blog do Cardoso, você disse que em Salvador a prefeitura gasta um valor pra comprar milho e um funcionário para alimentar os pombos... nossa eu moro aqui eu não sabia dessa não!

Amplexos,

Leo Baiano.
http://www.blog.ljunior.com

Marcus disse...

Paulo Galo: Você enche linguiça bem pra cacete!!!

paulo galo disse...

definitivamente o crime compensa, sim senhor!mando pro ar um post difamatório e o alvoroço se instala; depois, escrevo uma espécie de digressão sobre porra-nenhuma e ganho elogios e um novo leitor. Ou seja, o crime faz sucesso. Leo, essa informção dos pombos foi dada pela Juliana Cunha, no seu ótimo Filosofia Privada. Na verdade ela deu lá um link para algo que ela publicou em outro site. Vou recuperar esse link e informar aqui, ok? brigadim pela visita...

márcia disse...

Paulinho, e aqueles posts que parecem perfeitos na sua cabeça e quando vc coloca no monitor mostra-se uma m%%? Outros aparecem do nada..
Tem ainda a preocupação em falar coisas razoavelmente inteligentes e engraçadas....Ou seja, cerveja..
Mas é muito prazeroso.. Vale à pena.