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quarta-feira, 30 de maio de 2007

TÔ FORA!

Rixa tribal é uma das coisas que definitivamente me enchem o saco.

Ingleses e franceses, argentinos e brasileiros, corinthianos e palmeirenses, católicos e evangélicos. Pode ter a dimensão que tiver, a disputa pra ver quem é melhor entre grupos é o fim da picada, não tem santo que me faça achar sentido sério nisso. Papo de gente besta.

Mas como mobiliza paixões! as ligadas ao esporte são apenas a ponta do iceberg, as mais visíveis. As que me aguçam os sentidos são, entretanto, as existentes entre cidades e regiões brasileiras.

Nasci em São Paulo, cresci na Bahia, morei em Mato Grosso do Sul e freqüentei muito tempo o Rio de Janeiro a trabalho (e à passeio também, por supuesto!), voltando pra casa no final de semana. Ou seja, minha identidade brasileira é no mínimo difusa e o meu falar não é reconhecido como local em lugar algum onde vou. Tenho uma espécie de sotaque universal, constituído de retalhos de influências fonéticas que recebi ao longo da vida.

Vem daí, provavelmente, essa aversão pelo bairrismo que anima o preconceito contra pessoas vindas de outros lugares. Como acontece no Rio, onde os paulistas são vistos como gente estressada e sem jogo de cintura e aqui em São Paulo, onde carioca é sinônimo de malandro que não perde a chance de levar vantagem sem fazer esforço. Reduções a parte, é claro que são diferentes, os cariocas são mais relaxados mesmo e os paulistas mais "sérios". E daí?

Sacaneiam-se há décadas, principalmente a partir da década dos anos 20, quando São Paulo começou a dominar a cena econômica brasileira, empurrando o Rio pra uma espécie de sede do castelo do rei. Isso só fez piorar quando o Rio perdeu o status de capital da república depois de Brasília, em 1960. Até a supremacia cultural foi perdida para os endinheirados paulistas, restando aos cariocas fazer o que sabem desde crianças, gozar com a cara dos paulistas com expressões do tipo “a praia dos paulistas é o rio tietê!”.

Sacaneiam-se na verdade por quê morrem de inveja, uns pela lindeza do lugar e outros pela pujança financeira. E talvez porque não entenderam que o môlho do Brasil são suas nuances, sua mistura. Não sacaram que as diferenças é que nos fazem melhores.

São as lendas nacionais consagrados em mesa de bar que animam essas conversas. Paulista trabalhador, baiano preguiçoso, mineiro desconfiado, gaúcho valente –um monte de bobagens engraçadas, não pode ser mais que isso, tenha dó.

Os baianos são cismados com a falastrice dos cariocas e a recíproca só não é verdadeira porque o povo do Rio leva tudo na galhofa, muito mais que os baianos. Uma rixazinha que eu sempre registrei no âmbito das diferenças que contam pra valer. Por exemplo, baiana samba de perna fechada e pra trás; carioca de perna aberta e pra frente. O resto é besteira, como a discussão se o samba nasceu ou não na Bahia. Adoro a explicação de que nasceu sim mas foi criado no Rio!

Comparar culturas pra mim é como comparar mulheres, tarefa de doido. É intrinsecamente impossível, principalmente se o desejo for complicar ainda mais introduzindo o viés da origem regional.

Ou nacional, como no caso das duas únicas namoradas nascidas fora do Brasil que tive, uma francesa e uma alemã. Aprendi com elas a desconfiar da fama que as precedeu. A francesa foi a mais germânica das mulheres que tive –imperial e pouco criativa; a alemã gozava em francês, u-lá-lá!

Vou nessa, deixando aqui um músico fantástico que conheci tempos atrás acompanhando Ione Papas, baiana que tá por aqui batalhando sua carreira de sambista de primeiríssima. Ione, que nasceu Moreira e foi colega da Escola Técnica Federal da Bahia. Figuraça linda e sempre acompanhada de Ronaldo Rayol, que canta aqui pra gente “Maracangalha”. Se você gostar dele ao piano, não imagina o que o cara faz com um violão toda semana no Barnaldo Lucrécia, no Paraíso, acompanhando Ione...

A pesquisa de hoje é a seguinte:

"Na sua opinião paulistas e cariocas sacaneiam-se o tempo todo porque:"

a) Os cariocas morrem de inveja da grana dos paulistas.

b) Os paulistas não suportam a idéia de que os cariocas vivem melhor, mesmo sem grana.

c) São esquisitos mesmo, uns aos olhos dos outros.

d) Por quê...

Beijos, fuuuiiiiii!!!!!!!


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