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quarta-feira, 23 de maio de 2007

A SOLIDÃO E O MAR


Manhã de sol amarelo e mar em espelho. Caminhar lentamente pela franja do mar azul de Mutá é um dos mais antigos prazeres que consigo lembrar. Praia deserta, água até o tornozelo, o único som era dos meus pés, a alertar os inúmeros crustáceos e moluscos que corriam pro fundo ao me ver chegar bem perto, quase em cima. Não carecia de tanta precaução, estava em missão de paz e de fruição da solidão, não pretendia causar tristezas entre eles, esmagando um ou outro.


Nada mais cabia nesse caminhar de comunhão entre meus pensamentos e aquele lugar. Apenas o suave delírio de um sentir-refletir que nunca mais me abandonaria - mesmo depois, quando Mutá já não mais estava ao alcance dos meus olhos.


Meus pés, que hoje caminham sob chuva e frio no mar de Domingas Dias, 2.000 km ao sul de lá, o fazem carregando sonhos insepultos e flores. Deixo-as à beira e fico a ver o que acontecerá. Serão recebidas ou devolvidas à areia?


Espero. E dou passagem ao rito, deito-me. O céu cinza que me molha o rosto longamente pisca finalmente seu olho entre as nuvens. Um ponto claro, pequeno, mas cheio de significâncias. O deserto de minhas esperanças começou a morrer.


Levanto-me, as flôres já iam longe, mar adentro. Está feito, hora de voltar. E de reaprender a caminhar só.


No caminho ficou um pequeno guia de viagens. Tomara que pessoas felizes o encontrem e que ele os oriente para lugares onde o amor espreita os que caminham em busca de paz.

2 comentários:

Maria Fabriani disse...

Bonito... e eu, vó-concreta: ai que saudades de poder andar descalca na areia de uma praia quente. :/

paulo galo disse...

vindo a são paulo...