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quarta-feira, 9 de maio de 2007

SÃO THOMÉ DAS LETRAS

Manhã de 31 de dezembro de 2006. Café tomado, lá fui eu dar a última volta nessa cidadezinha misteriosa do sul de Minas. Logo mais iria tomar a estrada de volta pra São Paulo, a tempo de passar o revellion com amigos mais que queridos.

Misteriosa e linda. Ruas de pedra, casas de pedra, muros de pedra. E uma ótima pizzaria, que serve suas bolachas numa bandeja...de pedra, por supuesto!

São Thomé foi erguida sobre uma jazida de arenito e quartzito. É de lá saem as tais pedras-de-são-thomé, muito usadas em piscinas e reconhecidas pelo seus tons amareladinhos, beges e brancos. Além de bonitas, essas pedras são resistentes e não perdem suas caraterísticas anti-derrapantes mesmo depois de polidas. Daí a aplicação em bordas de piscinas.

Mas os mistérios de S.Thomé que chamam a atenção do brasil e do mundo inteiro não é o da sua produção de pedras -apesar de haver mistérios também aí, diz o povo do local, que suspeita das relações incestuosas entre os mineradores e o prefeito.

Alí, segundo os místicos e exotéricos que moram ou frequentam a região, está um dos sete chacras do mundo, um centro energético poderoso e próprio para os que buscam na natureza as forças do equilíbrio e da sabedoria. Vai saber...

O que salta às vistas mesmo é a beleza do lugar. Deslumbrante não só pelas pedras e pela altura onde a cidade está plantada, no ponto máximo de um monte, com vista de 360º. São incontáveis grutas, cachoeiras e trilhas. Cada uma mais linda que a outra.

Essa condição alimenta a busca pelo lugar de um perfil específico de turistas, os que curtem um contato direto com a natureza sem reclamar das caminhadas ou do peso das mochilas; há também, naturalmente, os místicos, que formam um número expressivo. Além dos visitantes ocasionais que por lá aparecem pra curtir a arquitetuta única da cidade, comprar souvenirs e pagar por um jogo de runas.

Mas há pelo menos mais duas tribos de visitantes de São Thomé. A primeira é a dos músicos de Rock, que fizeram de São Thomé uma espécie de pólo mineiro desse gênero. Com eles vai uma porrada de gente jovem e divertida, determinada a beijar muito, beber até sair do corpo e ouvir rock. Nessa ordem.

A segunda é do bichos-grilo. Tem um monte deles por lá vendendo artesanato e desenvolvendo com afinco novas formas de percepção.

Num dos meus momentos de apagão, frequentes deu uns anos pra cá, perguntei a um deles, que me pedira um cigarro ali no meio da praça, a que santo era consagrada aquela igreja. O cara tava muito doido. Olhou pra trás, meio que surpreso com a presença daquela igreja logo ali e mandou: "É da Virgem Maria, uai!".

Ah bom... Não desisti, entrei na igreja e dei de cara com um santo de longas barbas postado no altar principal. Desconfiei da informação recebida pela segunda vez em menos de três minutos e perguntei prum rapaz, vestido talvez de sacristão, quem era aquele santo.

O sujeito me olhou algo espantado e respondeu: "São Thomé!". Agradeci e aproveitei pra rezar um pouco pro santo. Pedi muito pra ele pra me proteger desses momentos de curto-circuito cerebral. E voltei pra São Paulo.






3 comentários:

Liliana disse...

São Thomé das Letras?
Ai, Jesus, derrubaram o muro de Berlim, mas esqueceram de detonar as barricadas do desejo...
Galo, você não pode entrar na blogosfera, por enquanto a melhor tradução da era de Aquário, com esse claríssimo chamado para uma volta à era de Peixes.
Eu não vou. Era de Peixes é melequenta: viver em comunidade, beber pinga com mel, falar mole. Tô fora.
Bem-vindo à grande fraternidade de informação, bonitão.
Tentarei patrulhar seus textos com a frequência possível e a virulência necessária.
Um grande beijo,
Liliana

paulo galo disse...

Uma honra receber sua visita, Lili. E uma felicidade ler seu comentário. Sossegue: nesse terreiro aqui, São Thomé é cidade vizinha de New York, Barcelona, Londres e Salvador. É que pra entender o que vai em mim tenho que me pôr em movimento permanentemente e nenhum lugar se mostra estranho ao mergulho que preciso praticar. Os relatos de bordo estarão sempre aqui, disponíveis pra mim, pra vc e pra quem mais quiser. É uma maravilha saber que a mulher, a lenda o mito está disposta a acompanhar a maior parte das minhas viagens ao redor do planeta e de mim mesmo -exceto às que farei a Machu Picchu, Woodstock e Santiago de Compostela, estamos combinados. Beijos, querida, volte sempre.

Anônimo disse...

Quando li a narração da visita do "Galinho" em Tomé, recordei-me da 1ªvez em que estive lá. Cada um leva uma imagem do lugar. Citou "OS MÚSICOS". Tem gravadora que é besta e não perecebeu os talentos que surgem por lá, não necessáriamente no hipócrita "Bar do Dois", mas largados sobre as pedras e abandonados ao sereno.
Eu, como exemplo descobri em mim mesmo poderes admiráveis na percussão... Em qualquer ritmo... Em qualquer instrumento... Na falta, sobre a própria pedra nua. - É VER, PRA CRER! - Disse São Thomé.
Ricardo Kayapó.