POR OUTRO LADO...

sábado, 12 de maio de 2007

"PORQUE ADORO COMER PIZZA À NOITE!"


Fernanda Young é escritora e roteirista. E corre dez quilômetros todo santo dia.

Outro dia li um entrevista dela, não me perguntem aonde, em que ela explicava esse gosto tão estranho à maioria absoluta das pessoas.

"Corro porquê adoro comer pizza à noite". Foi como se o céu se iluminasse e uma tropa completa de anjos com harpas em punho descessem à minha presença ao ler isso. Pronto, tava mais que justificada a minha dedicação à corrida, ao ciclismo e à musculação.

Prazer porra nenhuma, cuido do meu corpo pra me sentir forte, bonito e disposto. E pra comer o que gosto quando quiser -sem exageros, naturalmente. O resto é balela.

Obrigado Fernanda, tava doido pra quem alguém me explicasse isso.

Em dezembro de 2004 eu pesava 92 kg, distribuídos irregularmente em 1,74 m, a barriga abrigava boa parte disso. Minha mãe e Jacy eram as únicas pessoas do planeta que juravam que eu era lindo.

Sentia dores musculares e um desânimo físico que faziam com que eu me sentisse um homem de 60 anos -em má forma física. A coisa tava feia pro meu lado e o Bacana, meu cachorro, já tinha desistido de me convidar pra dar um passeio pelas redondezas.

Jacy deu um jeitinho de me fazer conversar com a irmã dela, Carmen Sande, médica homeopata respeitada em Salvador por seu ofício e craque na investigação clínica de seus pacientes, aos quais ouve com rara atenção e sem olhos para o relógio.

Receitou-me um medicamento, o tal do Licopodyum, que em poucas semanas começou a produzir um efeito que desencadeou um monte de coisas legais em minha vida. O medicamento atuou num aspecto fundamental da ansiedade, a voracidade na hora de comer.

Comecei a perder peso. E a ficar contente com isso. Resolvi começar a caminhar, inicialmente 30 minutos por dia, depois quarenta, cinquenta, sessenta, Logo, a caminhada lerda virou uma marcha mais vigorosa. Daí pra introdução de corridas de 1, 2, 3 minutos em meio às caminhadas foi uma consequência natural. E a corrida entrou na minha vida, assim, aos pouquinhos. E o peso seguia seu inexorável declínio, ô beleza.

Aí resolvi comprar uma bicicleta, a Neguinha, e com ela comecei a intercalar minhas corrridas com a bike. Funcionou bem, minhas pernocas começaram a ficar mais fortes e eu mais confiante diante da prosaica rotina de andar, subir escadas e caminhar pelas trilhas que sempre quis percorrer mas não me sentia fisicamente apto.

17 Kg a menos, depois, descobri que ficar magro e bem disposto era bom mas ficar magro, bem disposto e forte era melhor ainda. E matriculei-me na Activa, uma academia próxima de onde moro, aqui em Pinheiros. Isso foi em setembro do ano passado e de lá pra cá algumas medidas mudaram bem por conta da musculação comandada pela rapaziada de lá. Os primeiros resultados demoram a aparecer mas vêm, te fazem levantar o corpo e senti-lo como uma coisa só. Bom pra cassete.

Não me vejo mais distante dessas atividades. Faço-as de segunda a sábado, às vezes com algum sacrifício, porque a preguiça é inimiga ardilosa: finge que foi embora e na primeira frente fria volta pra te dizer no seu ouvido, preocupada com você, a filha-da-puta: "não vai não, fica aí, amanhã vc vai".

Asseguro que vale a pena pôr cera nos ouvidos diante desse canto de sereia indolente. Nunca me arrependi, mesmo sob pressão intensa do desânimo, de ter calçado o tênis e posto o pé na rua. TODAS as vezes valeu a pena lembrar do porquê estava fazendo aquilo e ter seguido em frente. Tão duro quanto é deixar de pensar como gordo para os que enfrentam problemas sérios para perder peso é deixar de pensar preguiçosamente para quem foi sedentário a vida inteira. Uma batalha dura mas necessária e que recompensa generosamente a quem topa e vence o desafio.

Depois de tudo isso, comecei em janeiro passado a lutar contra o cigarro. Os quarenta bastonetes diários viraram 25, 18 e agora são 14 por dia. Outra parada dura, ainda mais que a gula e a preguiça porque te põe de cara com uma crise de abstinência a cada 30 minutos. Mas tão necessária e possível como as primeiras, já parece claro.

Pra quem passou dos 40 vale lembrar que é agora que estamos definindo a qualidade de vida que teremos aos 60, 70 e daí por diante. Pra não falar de que é desperdício não aproveitar nossos últimos anos de pleno vigor.

Portanto, meninos e meninas, à luta!

8 comentários:

Liliana disse...

Falando em pizza...
Meu primo Arthur, que é uma graça de pessoa, abriu uma pizzaria em Pinheiros. É o Bazar da Pizza, localizado a Rua Henrique Monteiro, 164. Não fui, mas o site — http://www.bazardapizza.com.br — informa que, além de pizza, sai daquele forno à lenha umas casquinhas bacanas (massa de pizza finíssima). Tem uma com alho poró e parmesão.
Então estou divulgando para quem quiser testar e me contar se isso é bom como parece ser.

paulo galo disse...

Na primeira oportunidade que tiver vou lá conferir a massa do primo Arthur e escrevo pra te falar da impressão causada, combinado? bjs.

Olenka Machado. disse...

Ê galinho!
Injustiça você dizer que só sua mãe e Jacy achavam você bonito gordinho. Sua amiga aqui sempre elogiou o layout intelectual grisalho, charmoso e fofucho... além de grande companhia nas andanças pela paulicéia nem tão desvairada assim!
Olenka.

paulo galo disse...

Lenka

Devo essa retratação. Não, era só mamãe e Jacy as únicas a darem esse testemunho insano. Você tb o fazia, o que não lhe tira da condição de suspeita mas me enche de saudade e carinho por você. Que bom que vc baixou aqui no terreiro, seja muito e sempre bem vinaa. Sua opinião de jornalista talentosa sobre esse blog me interessa muito também, viu?
amo vc, cuide-se bem. beijos! ah e não esqueça que mais uns três anos aquela cachoeira em S.Thomé de que lhe falei estará prontinha pra receber vc, falou?

marcia disse...

Paulo,

O galinho tá bombando. Tô adorando, agora eu quero o contato dessa médica.. elá é o canal..
Bjs
Márcia

paulo galo disse...

brigadim, marcinha. todos os netos do Montanha-Russa parecem ir bem né?

Carmen Sande é fera mesmo, além de ter sido uma das primeiríssimas homeopatas de Salvador. Acompanha de muito perto o desenvolvimento científico da área e porisso consegue praticar as soluções mais recentes. Querendo mesmo o contato dela é só falar que te passo, falou?

Beijos, irmã!

Marcia disse...

Quero mesmo.
Estou tomando uns remédios e engordei um pouco, agora preciso fazer uma desintoxicação. Por isso, quero mesmo o contato dela. Pode mandar pro meu email marciabr@uol.com.br
Bjs

paulo galo disse...

o e-mail é carmensande1@hotmail.com
e o celular é 71 9982 9770. Insista se não conseguir falar com ela de primeira, viu?