POR OUTRO LADO...

sábado, 5 de maio de 2007

DANÇA COMIGO?


Ninguém poderia condenar-me por imprimir um tom ácido a essa postagem de estréia. Principalmente se eu expusesse amiúde os dramas específicos do meu momento afetivo e material, além dos inerentes a esse verdadeiro climatério masculino que é a tal da idade do lobo.

Ora bolas, por quê eu me daria a liberdade de encher o saco dos que aqui vieram mostrando-me melancólico e algo desalentado diante do mundo? já não bastam as angústias produzidas pelos grandes centros urbanos brasileiros -São Paulo mais especificamente, onde nasci há 44 anos e moro- e ainda vou eu atormentar os que aqui vieram clique a clique, com minhas dores e o que é pior, sem o talento literário que poderia tornar a narrativa ao menos instigante?

Ah mas não vou mesmo, sosseguem! se o véu da fantasia do amor eterno esgarçou-se por completo nesse sábado de maio e já não mais é possível avistar adiante a mulher a quem amei visceralmente nos últimos seis anos, o que se há de fazer? compartilhar lágrimas? rogar pela misericórdia pública e talvez pela dela? dirigir-lha pragas tão visceralmente como lhe disse "eu te amo"?

Melhor tomar um pileque e saudar os lindos e inesquecíveis momentos de amor e entrega que marcaram nossa convivência. Os ódios, as palavras letalmente poderosas dirigidas nos tantos momentos de desequilíbrio -nada disso caberá nessa minha pequena celebração. Aqui e agora quero mesmo é perdoar e ser perdoado. E abrir meus poros para o que virá. Sinto curiosamente uma espécie de pré-apaixonamento por uma certa mulher, a quem o destino me trará num vento bom. Espero apenas que não exatamente agora. Tudo o que menos preciso é de uma espécie de tábua de salvação amorosa, a me consolar pelas dores impostas por um amor que morreu vivo dentro de mim. Desse cadáver cuidarei eu e sozinho, pra que amanhã não precise exumá-lo. Sabe como é que é, afogando-se no rio jacaré é tronco...

Ainda algumas vezes voltarei a esse tema. Talvez muitas outras vezes. Mas juro que não será só sobre isso que deitarei meus dedos. Quero sobretudo falar das pessoas, suas perplexidades e seus amores, de suas dores e marés. De prosa e poesia.

Política, economia, sexo e entretenimento em geral; cinema, moda de viola, teatro e conversa fiada; digressões inexplicáveis, sonhos absurdos, óbvias contradições; Almir Sater e Antônio Carlos Magalhães; Lorca e Buñuel; Pagodinho e Odair.

Pauta livre como livre quero decretar minha existência a partir desse instante. Esse é um convite pra dançar, morou? Lá vou eu pra pista, sejam bem vindos!

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