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sexta-feira, 11 de maio de 2007

LA PAZ NÃO SERÁ BOMBARDEADA!


Vão chegando ao fim as negociações entre o Brasil (Petrobrás) e o governo Boliviano. A Petrobrás será devidamente ressarcida pela compra das duas refinarias bolivianas feita em 1999 e a garantia do fornecimento regular de gás boliviano ganhou estabilidade política e econômica diante das pressões do governo popular de Evo Morales.

Essa notícia, que ganha timidamente as manchetes da grande imprensa nessa sexta feira, me faz lembrar a histeria que tomou conta do noticiário há poucos meses, quando o novo governo boliviano anunciou a decisão soberana de retomar o controle dos negócios do petróleo e do gás em seu país. Faltou pouco para que fosse pedido abertamente o bombardeio de La Paz e o enforcamento de Morales, com direito a video postado no Youtube. E não faltou nada para acusar o governo brasileiro de ser frouxo nas negociações.

A prudência nas ações e declarações do Itamaraty desde o início dessa história, quando escolheu aguardar o adequado momento diplomático e comercial para endurecer a conversa mostrou-se vitorioso. Brasil e Bolívia são estados vizinhos e têm em torno do gás interesses importantíssimos para a realização de seus projetos nacionais de desenvolvimento econômico e social. Seria uma insensatez que não tivesse sido outro desfecho dessa história, um desserviço à história e aos laços que unem esses povos irmãos. Aplaudo o resultado e acima de tudo a condução sóbria e madura do governo brasileiro nesse episódio.

E mais uma vez me pergunto: até quando a grande (grande?) imprensa tratará os interesses do estado brasileiro -não falo do governo do presidente Lula- com tamanha irresponsabilidade e má-fé como nesse exemplo (há muitos outros) da cobertura da crise do gás boliviano, quando para o povo boliviano estava em jogo um elemento fundamental para a superação do seu atraso econômico e social enquanto que para a Petrobrás tratava-se de nada mais que a garantia de não ser expropriada sem ressarcimento dos investimentos realizados e o cumprimento das obrigações bolivianas estipuladas no contrato de fornecimento de gás?

Medíocre, mesquinha e esvaziada de responsabilidade na apuração dos fatos e na análise equilibrada e justa. A grande imprensa continua a dar excelentes exemplos de como não tratar com grandeza os destinos desse país. Continua a praticar um jornalismo canhestro e alheio aos fatos. Algo como citou Mino Carta outro dia no seu blog: se os fatos não se sujeitam às nossas idéias, pior para os fatos!

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