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sexta-feira, 25 de maio de 2007

DÓI MESMO


Experimente tirar umas horas pra navegar pelos blogs publicados em língua portuguesa. Você vai ficar perplexo com a quantidade e com a multiplicidade de proposições praticadas em suas páginas. Tem de tudo, desde diário de adolescente aos blockbusters da imprensa, geralmente ancorados pela especialização de seus autores, como o Nassif em economia e o Noblat em política .

Gente se expressando por motivos aparentemente banais, por razões profissionais, por claro desejo de auto-promoção, por conhecimento técnico de algum tema –enfim, motivos não faltam para dar vazão a esse recente fenômeno da veiculação de opiniões pessoais chamado blog.

Seu boom foi entre 2004 e 2005 e de lá pra cá não parou de crescer exponencialmente. E não há nada que indique que esse big bang está prestes a perder sua força. Ao contrário, o número de pessoas conectadas à internet no Brasil cresce na razão do aumento da renda das famílias, do barateamento do acesso à rede e no potencial de venda de computadores, um dos segmentos econômicos de mais vigorosa expansão nos últimos anos.

No seu rastro, mais e mais pessoas encontram nos blog um mecanismo de comunicação eficiente, barato e capaz de fazer-se visto por uma quantidade enorme de pessoas. Ou de ser olímpicamente ignorado se não cativar seu público-alvo pela relevância dos temas e/ou pela originalidade e bom desenvolvimento de suas abordagens.

E aí mora o inferno dos blogueiros não-temáticos, aqueles que fazem de seus espaços blogosféricos uma espécie de parlatórios eletrônicos postos à serviço de suass opíniões sobre temas que vão de atracamento de navio a parto de onça, no dizer de Claudia Moura. Especializar-se no difuso exige muito de criatividade e bons textos, um drama pra quem não nasceu Drummond de Andrade ou Mino Carta e quer pôr a cara pra bater. Ou ganhar afagos.

Não é fácil aceitar a exposição pública e suas conseqüências, agradáveis ou não. Blogs não têm técnicas consagradas e ninguém sabe ao certo quais farão sucesso, por quais motivos e para quem. Isso ainda é um mistério, mesmo para uma jornalista experiente e talentosa como Liliana Pinheiro, que foi editora da versão eletrônica do Primeira Leitura e tanto tem contribuído para essa experiência aqui com sua devastadora e bem vinda generosidade. Não houve tempo suficiente para fazer das experiências bem-sucedidas e das fracassadas uma massa crítica capaz de iluminar essa questão.

Diante disso, bloga-se por tentativa e erro. No caso desse terreirinho aqui, bloga-se pela simples vontade de oferecer, a quem se interessar por isso, um relato pessoal sobre o que parece importante destacar no meio de tantas informações, de tantos acontecimentos e uns muitos devaneios. Blog é obra autoral e não carece de consensos. Gosta-se ou não, simples assim.

Olho pra o que já foi publicado aqui e muitas vezes digo “meu deus, como isso ficou ruim!”; em outros momentos sinto um discreto regozijo por um ou outro post. Essencialmente, contudo, percebo a cada dia que é a mim que ele serve, é pra entender o que vai na minha alma que escrevo, pesquiso imagens, edito e publico. Encante ou não a quem chegar, seu propósito está cumprido com o pressionar da campo “publicar postagem”. A vontade de agradar mais e mais pessoas não consegue superar isso.

O uso recorrente do olhar irreverente, do humor, da polêmica revelam-se formas aparentemente eficazes para provocar o comentário e para atrair novos leitores. Nenhum recurso estilístico, porém, me parece mais importante que deixar fluir a dor da criação, expor-se com coragem e criatividade, verticalizando radicalmente a busca da emoção sem o menor compromisso com o “sucesso” do comentário ou do contador de acessos. Só isso é capaz de justificar a publicação de um blog, seja ele legal ou não aos olhos de quem lê.

Certamente muita coisa vai mudar por aqui com o passar do tempo, inclusive temas, abordagens e estilo. Uma não vai não, já tá aprendido: a decisão de peitar a dor de olhar pra dentro e ver-me humano, limitado, carente de progressos em vários planos. E com vaidade suficiente pra testar a paciência das pessoas –ou sua ausência, o tempo dirá.

Vou nessa, volto amanhã pra dizer o que achei de "Esses Moços", longa que entra em cartaz hoje em São paulo, Salvador e Brasília. Deixo aqui a batida do Metallica com o clássico “Enter Sendman”. Pode aumentar o som que a porrada da bateria e da guitarra fazem o resto.

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